Renda Fixa · Guia

Melhor investimento em renda fixa: como eu escolho

Não existe um melhor para todo mundo. Eu mostro como eu escolho: prazo, imposto, FGC e risco do emissor, com o que o meu material sustenta.

Atualizado em agosto/2026 95% do CDI isento × 100% do CDI tributado Sem taxa congelada e sem produto eleito
Resposta direta

Não existe um melhor investimento em renda fixa. Existe o que sobra depois do imposto e da inflação no prazo em que você vai precisar do dinheiro. Uma LCI isenta pagando 95% do CDI já passa um CDB a 100% do CDI tributado em 15%, e é essa conta que decide, não o nome do produto.

Existe um melhor investimento em renda fixa?

A gente tem que pensar em investimentos assim como a gente pensa na nossa dieta. Não significa que porque proteína é bom que a gente só vai comer proteína. Não significa que porque chocolate é ruim que a gente não pode comer chocolate. É tudo saber dosar dentro do todo. Todo investidor sério ele está pensando sempre no retorno que ele vai ter com base no risco que ele vai correr, e não cai na armadilha de só pensar em retorno.

95% do CDI
numa LCI isenta já passa o CDB a 100% do CDI tributado em 15%. Isso não é o ponto de empate: a conta degrau a degrau está na seção de isento contra tributado.

Então o critério que eu uso desta página inteira tem quatro variáveis: prazo, imposto, liquidez e risco de quem emitiu o título. Daqui para baixo eu aplico esse critério nessa ordem, e no fim eu te digo o que pode dar errado.

E eu já adianto: esta página não elege um produto vencedor e não congela taxa de mercado, porque taxa muda todo dia.

Melhor para qual objetivo e prazo?

Melhor é o que casa com a data em que você vai precisar do dinheiro. Por isso a primeira pergunta aqui é sobre prazo, não sobre produto.

Então se você não gosta de muito susto, se você precisa contar com esse valor, eu sugiro que você tenha vencimentos mais curtos na tua carteira.

Antes de escolher qualquer título eu quero três respostas tuas: quando você vai precisar desse dinheiro, o que acontece com a tua vida se ele oscilar no meio do caminho, e quanto de resgate rápido você exige. Elas separam o teu dinheiro em três horizontes:

Reserva de emergência

Esse dinheiro tem um trabalho só: estar disponível no dia em que a notícia ruim chegar.

Pergunta que classifica: ele pode esperar um vencimento?

Meta com data em poucos anos

Aqui o trabalho é chegar inteiro numa data que já tem nome.

Pergunta que classifica: Se esse valor oscilar no meio do caminho, o que acontece com a tua vida?

Meta com data em mais de dez anos

Esse tem que atravessar ciclo de juro sem você mexer.

Pergunta que classifica: Você aguenta o sobe e desce sem vender?

Reserva de emergência é um problema. Uma meta com data em poucos anos é outro problema. Uma meta com data em mais de dez anos é um terceiro, e quem joga os três no mesmo balde erra o papel nos três.

O mesmo CDB que serve bem a um desses objetivos trava justamente o dinheiro que você ia precisar no outro, tá?

Tesouro, CDB, LCI: o que muda?

O que muda entre Tesouro Selic, CDB e LCI é quem deve o dinheiro, quanto o imposto leva e se existe garantia atrás do título.

Vou falar aqui somente aqueles títulos de renda fixa que eu colocaria na minha carteira, na carteira da minha filha, da minha esposa.

Muita gente chega achando que essa é a parte fácil. Na verdade, renda fixa é mais difícil, porque renda fixa é um contrato. Tem várias letras miúdas lá, às vezes tem garantia, não tem garantia.

A tabela abaixo coloca essas letras miúdas lado a lado, e onde eu tenho posição contrária eu digo qual é e por quê, na mesma linha: eu nunca teria nem CRI, nem CRA na minha carteira.

Produto Quem emite Imposto de renda Tem FGC? O que eu faria
Tesouro Selic governo tabela regressiva de 22,5% a 15% não: o FGC é um seguro dos bancos, e aqui o devedor é o próprio governo é por onde eu sugiro que você comece
Tesouro IPCA+ governo tabela regressiva de 22,5% a 15% não, pelo mesmo motivo do Tesouro Selic junto com o Tesouro Selic, eu acho que são essenciais na carteira de qualquer pessoa
CDB instituição financeira tabela regressiva de 22,5% a 15% sim, até R$ 250 mil por CPF e instituição eu olho o tamanho do banco antes de olhar a taxa: banco menor paga mais porque é mais arriscado
LCI e LCA instituição financeira isento para a pessoa física sim, até R$ 250 mil por CPF e instituição entra na conta de equivalência entre isento e tributado
CRI e CRA empresa isento para a pessoa física não eu nunca teria nem CRI nem CRA na minha carteira, por causa da comissão alta de distribuição somada à falta de garantia
Debênture incentivada empresa isento para a pessoa física não fica de fora pelo princípio da liquidez: sem mercado secundário eu não consigo vender antes do vencimento
Fundo de renda fixa não é emissor, é um veículo que compra os títulos acima tabela regressiva de 22,5% a 15% não: a garantia, quando existe, é do título lá dentro eu não quero que você compre fundo de renda fixa que cobra taxa para botar o teu dinheiro no Tesouro Selic

A definição de cada sigla mora no pilar de renda fixa. Aqui a coluna existe para diferenciar, não para ensinar de novo.

A coluna "O que eu faria" é a minha posição sobre a minha própria carteira, não recomendação de carteira para o teu caso — e eu não recebo corretagem nem distribuo produto de terceiros.

Aula em que eu percorro os tipos de renda fixa, um a um, com quem emite cada um deles.

Dá para começar com quanto?

Dá para entrar em renda fixa com menos de duzentos reais, e o valor exato muda todo dia.

Quando eu abri a tela do Tesouro Direto na aula de outubro de 2023, o mínimo era este: dá para você investir 138 reais e 86 centavos nesse dia que eu tô fazendo esse vídeo.

R$ 138,86
o menor valor de entrada em título público que eu li na tela, em outubro de 2023. Não é preço de tabela e não é o valor de hoje.

Esse número não é uma tabela de preço. É uma fração do preço do título naquele dia, e é por isso que ele muda: quem lê o mínimo é você, na tela do Tesouro Direto, na hora de comprar.

Na prática

O mínimo de um título público é uma fração do preço do papel naquele dia, e é por isso que ele não vira tabela nesta página. O número que vale para a tua compra é o que estiver na tela na hora em que você comprar.

Tem ainda um caminho de entrada que quase ninguém conta: existe um instrumento no mercado financeiro que você pode comprar e vender através do seu próprio celular, dentro da corretora, pelo seu home broker, que é um ETF.

Os mínimos de CDB, LCI e LCA não estão no meu material desta página, porque eles variam de emissor para emissor e aparecem na tela da corretora na hora da compra.

Qual número comparar: bruto, líquido ou real?

Compare o real. Para chegar nele você desce quatro degraus a partir do mesmo valor aplicado.

Antes de qualquer comparação em renda fixa vem esta frase: lembrando, são todos esses resultados brutos de imposto de renda e também nominais em relação à inflação.

01
Bruto

O que o papel promete, antes de qualquer desconto.

02
Líquido

O que sobra depois do imposto e das taxas. Então a gente vai ter a taxa bruta e você tem que encontrar a taxa líquida, tá bom?

03
Nominal

O número cheio, com a inflação ainda dentro dele.

04
Real

O que sobrou de poder de compra depois da inflação. Esse é o que você leva pra casa.

Dentro da mesma palavra renda fixa convivem três tratamentos tributários diferentes: tem título isento, tem título que paga alíquota de 15% e tem ETF de renda fixa que paga 25% sobre o lucro.

Comparar o bruto de uma LCI com o bruto de um CDB é comparar coisas diferentes, e é exatamente o que a busca inteira faz.

Quanto a renda fixa paga hoje?

A taxa da renda fixa muda todo dia, e é por isso que eu não congelo um número nesta página: número publicado sem data envelhece em silêncio e continua no ar como se ainda valesse.

Quem lê a taxa de hoje é você, na tela de preços e taxas do próprio Tesouro Direto e na tela da tua corretora, antes de comprar.

O que eu te dou aqui é a régua para ler o que aparecer lá.

Se alguém está oferecendo um retorno acima da média e essa média é 100% do CDI, não é porque esse captador é bobinho. É porque o mercado está cobrando mais risco daquela instituição, senão ela captaria dinheiro mais barato.

Então a taxa nunca é lida sozinha. Junto dela vêm quem emite, qual o prazo e se tem FGC.

E eu carimbo a data de todo número que eu digo. Quando eu falo uma taxa dentro de uma aula, eu digo que ela é do momento em que eu estou gravando, e não uma taxa que vale para sempre.

Episódio de 12/06/2026, do podcast de dois apresentadores, em que o Tesouro IPCA+ é discutido. A leitura de mercado daquele dia é daquele dia, e esta página não a repete como se ainda valesse.

Isento sempre rende mais que tributado?

Não, isento nem sempre ganha. Existe um ponto exato em que a conta vira, e ele muda com o prazo.

Se a gente está falando de um título que ele está pagando 100% do CDI, mas paga imposto de 15%, se eu tiver uma LCI ou uma LCA que paga às vezes 95% do CDI, a isenta fica na frente.

O que move esse ponto é a tabela regressiva, porque a alíquota cai conforme o dinheiro fica parado: essa tabela regressiva começa com 22,5% nos primeiros seis meses, depois de seis meses é um ano, ela vai para 20%, depois ela cai para 17,5% e ela acaba lá numa alíquota de 15%.

85% do CDI
o piso que uma LCI isenta precisa pagar para empatar com um CDB a 100% do CDI no último degrau da tabela regressiva. Percentual do CDI, não taxa.

Quanto mais cedo você saca, mais o imposto morde o tributado e mais fácil é a isenta empatar.

A tabela abaixo faz essa conta degrau a degrau sobre um CDB a 100% do CDI.

Alíquota de IR sobre o CDB % do CDI que a LCI isenta precisa pagar para empatar Quando essa alíquota vale
22,5% 77,5% do CDI nos primeiros seis meses
20% 80% do CDI de seis meses a um ano
17,5% 82,5% do CDI no degrau seguinte da tabela
15% 85% do CDI no último degrau, onde a tabela para

Repara na premissa: a conta compara um CDB a 100% do CDI com uma isenta, e o número da coluna do meio é percentual do CDI, não taxa. Ele não depende do CDI vigente, e é por isso que essa tabela existe numa página que não publica taxa.

E eu trato a isenção como ela é: um estado do momento, não uma característica permanente do produto.

O que mais sai do teu rendimento?

Depois do imposto de renda ainda saem três coisas do teu rendimento, e uma delas é a mais fácil de evitar.

Taxa de administraçãoPô, tem um monte de fundo aí que estão te cobrando meio por cento, um por cento de taxa de administração pra botar o dinheiro no Tesouro Selic. Essa é a que some se você compra o título direto.
Custo de sair antes do vencimentoAparece quando o título depende de mercado secundário para ser vendido.
IOF dos primeiros trinta dias e taxa de custódia do título públicoAqui eu sou honesto contigo: o percentual dos dois não está no material desta página, e a conta deles está na página de liquidez do cluster, que é onde esse assunto mora.

Eu aplico o mesmo escrutínio no produto que eu comento bem: tem uma taxa de administração de 1% então você tem que entender se isso é bom ou ruim pra você.

Como saber se o emissor vai pagar?

Você avalia o emissor por tipo primeiro e por número depois, e a ordem de segurança é sempre a mesma.

O governo é o mais seguro, depois as instituições financeiras, você tem que analisar a relação de patrimônio líquido dela com ativos totais, e nas empresas você também tem que analisar a geração de caixa que essa empresa tem com as obrigações financeiras que ela tem.

Governo

É o primeiro degrau da ordem de segurança, e é o devedor por trás do título público.

O que eu olho: nada de balanço. Aqui o tipo de emissor já responde a pergunta.

Instituição financeira

É o segundo degrau, e é quem emite CDB, LCI e LCA.

O que eu olho: a relação de patrimônio líquido dela com ativos totais, e o porte do banco antes da taxa.

Empresa

É o terceiro degrau, e é quem emite CRI, CRA e debênture.

O que eu olho: a geração de caixa que essa empresa tem com as obrigações financeiras que ela tem.

Em banco tem ainda uma régua de tamanho que resolve metade da conversa: quanto maior o banco mais seguro ele é, então ele vai te pagar menos rentabilidade; quanto menor o banco, mais arriscado ele é, e aí ele vai ser obrigado a te pagar uma rentabilidade maior.

Rating ajuda e não resolve. Nota de crédito é uma foto, e o tempo muda a empresa.

Eu só quero que você tenha noção que nada disso é vindo de graça. Então você vai ter que ser capaz de avaliar esses riscos, tá bom?

Episódio da série da carteira aberta, de 03/04/2025, em que eu faço a análise de emissor na tela.

E eu digo isso sem ter posição em emissor nenhum: eu não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros.

Quanto o FGC cobre do teu dinheiro?

O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, e existe um segundo teto que quase ninguém escreve: R$ 1 milhão contando o sistema inteiro.

Eu tenho uma coisa chamada fundo garantidor de crédito, que é um seguro dos bancos, que é privado, não é algo governamental, que segura até 250 mil reais por CPF.

R$ 250 mil por CPF em cada instituição

É o teto que decide em quantos emissores você divide. Quem tem mais dinheiro do que ele não escolhe entre segurança e retorno: divide.

R$ 1 milhão contando o sistema inteiro

Esse soma todas as instituições, então dividir resolve o primeiro teto e não passa por cima deste. Os termos exatos, inclusive o prazo em que ele se renova, ficam no site do próprio fundo garantidor.

R$ 250 mil
o teto por CPF e instituição. Acima dele a decisão deixa de ser entre segurança e retorno e vira uma conta de divisão.

A conta de dividir, na aula de maio de 2025, era esta: vai cinco instituições para botar menos de 250 mil reais, vamos botar aqui 150 mil, você tem seis instituições, você consegue botar 900 mil ali com um retorno maior isento de imposto de renda.

Dividir é parar antes do teto, em todas as partes ao mesmo tempo
patrimônio dividido em seis colunas iguais, todas parando abaixo da mesma linha horizontal que marca o teto da garantia Seis barras iguais, uma por instituição, cada uma de R$ 150 mil. A linha tracejada acima delas marca o teto de R$ 250 mil por CPF em cada instituição, e nenhuma barra encosta nela. À direita, as seis fatias empilhadas somam R$ 900 mil, abaixo da linha cheia do teto de R$ 1 milhão contando o sistema inteiro. Teto de R$ 1 milhão Total: R$ 900 mil Teto de R$ 250 mil R$ 150 mil 1 2 3 4 5 6 Instituição

Teto de R$ 250 mil por CPF em cada instituição, e teto de R$ 1 milhão contando o sistema inteiro. Seis instituições com R$ 150 mil cada — total: R$ 900 mil dentro da cobertura. Conta da aula de maio de 2025. O teto vigente muda por resolução do próprio fundo.

O que a garantia não cobre

E tem a parte que a busca inteira omite: o próprio fundo é privado e tem tamanho, então tem risco também de ele não te pagar. Garantia não é ausência de risco, tá?

Por que o título cai antes do vencimento?

Um Tesouro IPCA+ cai antes do vencimento por marcação a mercado, que é o ajuste do preço de um ativo a um novo ambiente de risco.

Quando o juro que o mercado exige sobe, o preço do papel que você já tem cai, porque ninguém paga o mesmo por uma taxa que ficou pequena.

O tamanho do balanço depende do prazo: e aí quanto mais longo esse título, maior vai ser esse sobe e desce; quanto mais curto for esse título, mais suave vai ser esse sobe e desce. O Tesouro IPCA+ tem vencimento para daqui a cinco, para daqui a vinte e até para mais de trinta anos, e por isso ele balança muito mais que um Tesouro Selic.

O preço passeia no meio do caminho e volta ao valor contratado no vencimento
Título longo — sobe e desce maior Título curto — sobe e desce mais suave
marcação a mercado: curva de preço oscilando acima e abaixo da linha do valor contratado e voltando a tocá-la no ponto do vencimento O preço do dia sai da linha reta da taxa contratada logo depois da compra, desce, sobe acima dela e volta a tocá-la no vencimento. A curva do título longo se afasta mais da reta que a do título curto. Quem vende no ponto mais baixo recebe o preço do dia, não a taxa contratada. O eixo não traz número. Taxa contratada Preço do dia Compra Vencimento

No ponto mais baixo da curva, quem vende aqui recebe o preço do dia, não a taxa contratada. Tesouro IPCA+ vence em 5, 20 e mais de 30 anos. O eixo não traz número: o tamanho da oscilação de um título longo depende do papel e do dia, e esta página não publica magnitude.

Daí saem duas consequências que a busca inteira não escreve.

As duas consequências

A primeira é que no vencimento vale a taxa que você contratou, e a oscilação do meio do caminho só vira prejuízo se você vender antes.

A segunda é que quem comprou um Tesouro IPCA+ longo com dinheiro de meta curta vai ser obrigado a vender no pior momento, e aí o susto vira perda de verdade, tá?

Como calcular quanto rende no teu prazo?

Para saber quanto rende no teu prazo você precisa declarar cinco coisas antes de apertar qualquer botão:

  1. Qual taxa você usou.
  2. De onde ela veio.
  3. Em que data você leu.
  4. Qual alíquota se aplica ao teu prazo.
  5. Qual inflação você está descontando.

Eu não publico essa tabela aqui, e o motivo é o mesmo da seção sobre quanto a renda fixa paga hoje: sem taxa datada, qualquer número em reais que eu escrevesse hoje seria chute com cara de conta.

Faltam ainda as duas correções que quase nenhuma simulação faz.

A primeira: você ainda tem que pagar o imposto de renda, ou seja, você precisaria na prática de um pouco mais.

A segunda: você ainda teria que reinvestir um pouco, porque esse retorno aqui ainda tem inflação e se você não repor a inflação, ao longo do tempo você vai ficar decadente.

E declare o tamanho da janela do teu dado. Já te adianto, três anos é muito pouco.

Para rodar a conta com os teus números, as calculadoras do cluster de ferramentas estão aqui.

FAQ: perguntas frequentes sobre renda fixa

Existe um investimento de renda fixa que rende mais que todos os outros?

Não do jeito que a pergunta sugere. O que rende mais no papel costuma ser o que carrega mais risco de emissor ou mais prazo travado, e por isso a comparação só fecha depois que você fixa o prazo e a liquidez de que precisa.

Renda fixa é mais difícil do que parece, porque renda fixa é um contrato: tem várias letras miúdas lá, às vezes tem garantia, não tem garantia.

Fixado o prazo, a comparação vira uma conta, e é essa conta que a tabela de equivalência entre isento e tributado faz: quanto uma LCI isenta precisa pagar, em percentual do CDI, para empatar com um CDB tributado em cada degrau do imposto. A taxa que cada oferta paga hoje é você que lê, na tela da corretora.

LCI isenta sempre ganha do CDB tributado?

Não. Existe um ponto de virada em percentual do CDI e ele muda com o prazo, porque a alíquota do imposto cai conforme o dinheiro fica parado.

No último degrau da tabela regressiva, com o CDB pagando 100% do CDI e imposto de 15%, uma LCI isenta empata pagando 85% do CDI. Nos primeiros seis meses, com alíquota de 22,5%, ela empata pagando 77,5%.

Ou seja, uma isenta que ganha em seis meses pode ficar para trás em dois anos, e a conta inteira está na tabela de equivalência desta página.

Quanto o FGC cobre?

São dois limites: R$ 250 mil por CPF em cada instituição e R$ 1 milhão contando o sistema inteiro.

O fundo garantidor de crédito é um seguro dos bancos, privado, não é algo governamental. Então garantia não é o mesmo que ausência de risco, e existe risco de o próprio fundo não pagar.

Se o teu patrimônio passa do teto por instituição, o caminho é dividir entre emissores em vez de escolher entre segurança e retorno. Os termos exatos do teto de sistema, inclusive o prazo em que ele se renova, ficam no site do próprio fundo.

Dá para perder dinheiro em renda fixa?

Dá, de duas formas.

O emissor pode não pagar, que é risco de crédito, e é por isso que CRI, CRA, debênture e CDB de banco pequeno pagam mais do que título público.

E o preço do título pode cair antes do vencimento por marcação a mercado, que é o ajuste do preço de um ativo a um novo ambiente de risco. Nesse segundo caso o prejuízo só se realiza se você vender antes do fim: no vencimento vale a taxa que você contratou.

Com quanto dá para começar?

Com menos de duzentos reais dá para comprar título público. Na aula de outubro de 2023 eu li o mínimo na tela e ele estava em R$ 138,86, e esse valor muda porque ele é uma fração do preço do título naquele dia.

Os mínimos de CDB, LCI e LCA variam de emissor para emissor e não estão no material desta página. Você lê o de cada oferta na tela da corretora, na hora de comprar.

Tem ainda a porta do ETF, que você compra pelo home broker do próprio celular.

Renda fixa ou renda variável?

Não é escolher um lado, é saber o papel de cada um dentro da mesma carteira.

Eu acho que dá para ficar sim rico investindo somente em renda fixa, só que você vai ficar rico num ritmo mais lento do que quem investe em renda variável.

Eu acredito que a renda fixa tem um papel essencial no portfólio porque ela vai te ajudar a gerenciar a volatilidade dessa carteira. Então, qual que é a sacada? É botar uma pitadinha de renda variável quanto antes na tua carteira.

Quem assina

eu, Hulisses Dias, de camisa preta, olhando para a câmera sobre fundo cinza neutro
Analista CNPI · APIMEC

Hulisses Dias · Analista independente · No mercado desde 1999 como investidor

Sou o Hulisses Dias, o Tio Huli, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC e sujeito à regulação da CVM.

Estou no mercado desde 1999 como investidor. O credenciamento como analista veio em 2020.

Escrevi o livro Investir é Sobre Gente, publicado pela Interminds em 2025, e publico aulas no canal do YouTube, que tem 201 mil inscritos.

O que me deixa escrever que um produto famoso não compensa é uma posição estrutural, não uma opinião: eu não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros. Então nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.

A minha credencial autoriza elaborar e assinar relatório de análise. Ela não autoriza recomendação individualizada, e nada aqui é recomendação de carteira para o teu caso.

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