Análise fundamentalista é estimar quanto uma empresa vale pelo negócio dela e comparar esse número com o preço da tela. Valor implícito valor justo preço justo são tudo sinônimos preço é aquilo que está na tela do teu home broker. Antes de qualquer conta vem uma pergunta, e a primeira coisa que a gente precisa fazer para calcular o valor justo de uma empresa é entender como que ela ganha dinheiro é assim que a gente vai montar as premissas do nosso modelo. Daí para frente é degrau. Os fundamentos e comparar isso com o preço, e se você sabe de contabilidade isso vai ser muito mais fácil, se você não sabe não tem problema.
O que é análise fundamentalista?
Valor
O que o negócio gera.
Valor implícito, valor justo e preço justo são sinônimos entre si.
Preço
O número do home broker.
Muda a cada negócio fechado.
Se você nunca abriu um balanço, comece pelos três indicadores da terceira seção e suba um degrau de cada vez, tá?
Fundamentalista ou técnica: qual serve pra quê?
Os dois métodos respondem perguntas diferentes: o fundamento pergunta quanto o negócio vale, o gráfico pergunta o que o preço está fazendo agora.
Quais indicadores olhar primeiro?
Comece por três indicadores, não por trinta: margem líquida, retorno sobre o patrimônio líquido e preço sobre lucro. Existe um site chamado Yahoo Finance e eu vou te dar aqui os três indicadores que eu gosto de olhar na hora de investir numa empresa.
Margem líquida.
Quanto sobra de lucro para cada real de receita. Você lê alta contra as empresas do mesmo setor, nunca contra o mercado inteiro. Onde essa faixa muda está na Seção 5.
Retorno sobre o patrimônio líquido.
Quanto de lucro a empresa gera para cada real de capital dos sócios. Esse tem âncora fora da empresa, e o que infla o número está na Seção 5.
O perfil que essa primeira peneira procura cabe numa linha. Uma empresa com uma margem líquida alta, uma margem operacional alta, um retorno sobre os ativos alto, um retorno sobre o patrimônio líquido alto e uma relação de dívida sobre o patrimônio líquido baixa também.
O objetivo é mostrar que você não precisa ser um gênio da matemática, a bolsa não é cassino, você pode começar com um pouco de dinheiro.
Olha só, esta página tem três níveis: primeira olhada, leitura de balanço e território de analista. Da metade para baixo o assunto sobe: valuation, fluxo de caixa descontado, taxa de desconto. E eu aviso quando a gente chega lá, em vez de despejar tudo de uma vez.
Como ler um balanço sem contabilidade?
Três documentos respondem três perguntas: o balanço patrimonial diz o que a empresa tem e o que ela deve, a demonstração de resultado diz quanto ela ganhou no período, e a demonstração de fluxo de caixa diz quanto dinheiro de fato entrou e saiu.
A trava do iniciante quase sempre é a mesma linha, e eu repito ela duas vezes de propósito: o patrimônio líquido é uma obrigação que a empresa tem com o acionista empresa tem uma obrigação com acionista que é o patrimônio líquido beleza.
Antes de qualquer múltiplo a gente fixa cinco palavras:
E tem a ordem de recebimento: o credor recebe antes, o sócio recebe o que sobrar. É por isso que o patrimônio líquido fica do mesmo lado do passivo.
Falta a diferença que engana quem lê rápido. A demonstração de resultado trabalha em regime de competência: registra o que foi ganho no período, tenha entrado dinheiro ou não. Já o fluxo de caixa trabalha em regime de caixa, e só entra ali o dinheiro que passou pela conta.
Lucro e caixa não são a mesma coisa.
E o limite eu declaro antes de começar: eu sou formado em administração, então o que eu sei aqui de contabilidade é de administrador.
Contabilidade para investidores: a demonstração de resultado construída linha a linha. Aula publicada em 09/03/2021.
O que é P/L alto ou baixo?
P/L de 5 não é barato e P/L de 30 não é caro antes de você saber contra o que está comparando. Existe uma média do mercado, e essa média historicamente varia entre 12 e 15 vezes. Quando a leitura vem muito acima disso, o número está te dizendo que o mercado já precificou crescimento.
A partir daí eu olho cada indicador por três ângulos: o que ele mede, a faixa que serve de referência e o setor em que essa faixa não vale.
| Indicador | O que mede | Faixa que eu uso | Onde a faixa muda |
|---|---|---|---|
| P/L (preço sobre lucro) | Quantas vezes o lucro anual o mercado está pagando pela empresa. O numerador não é o preço da ação isolado, é o valor de mercado sobre o lucro líquido | Média histórica de mercado entre 12 e 15 vezes; leitura muito acima disso quer dizer crescimento já precificado | Some quando o lucro do período é não recorrente, e a referência muda entre setor de crescimento e setor maduro |
| P/VPA (preço sobre valor patrimonial) | Quantas vezes o patrimônio líquido por ação o mercado está pagando | Abaixo de 1 significa preço menor que o patrimônio contábil, coisa que aparece sobretudo em crise ampla de mercado | Vale pouco em empresa cujo ativo principal é intangível, e vale muito em banco e em empresa de ativo pesado |
| ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) | Quanto de lucro a empresa gera para cada real de capital dos sócios | O ideal é ficar um pouco acima da taxa Selic vigente, que muda e que você confere na fonte oficial no dia da leitura | Infla quando o patrimônio líquido é pequeno por recompra ou por prejuízo acumulado |
| ROIC (retorno sobre o capital investido) | Quanto a empresa gera sobre todo o capital empregado, de sócio e de credor | Acima do custo de capital é criação de valor; acima de 200% eu corto por implausibilidade | 40% é alto num setor e baixo em outro, então a leitura só existe contra as pares |
| Margem líquida | Quanto sobra de lucro para cada real de receita | Alta em relação às pares do mesmo setor, não em relação ao mercado inteiro | Concessão sem concorrência sustenta margem que varejo não sustenta |
| Current ratio (liquidez corrente) | Ativo circulante dividido pelo passivo circulante, a capacidade de pagar o curto prazo | O ideal é ser maior do que 1 | Setor de ciclo longo trabalha com folga menor sem que isso seja risco |
| Payout | Quanto do lucro a empresa distribui como provento | Abaixo de 100%, porque acima disso a distribuição não é sustentável | Ano com venda de ativo distorce o cálculo para cima e o número volta no ano seguinte |
O retorno sobre o patrimônio líquido tem âncora fora da empresa. O ideal é que esse número seja um pouco maior do que a taxa Selic. Ela muda, e você confere na fonte oficial no dia em que estiver lendo.
O payout tem teto, e quem impõe o teto é a própria empresa: ela não pode continuamente pagar mais de 100% do lucro dela. Então, um payout ratio acima de 100% não é sustentável.
E a comparação setorial é obrigatória: você vai ter que comparar esse indicador com outras empresas do mesmo setor, para você entender se essa empresa é acima da média ou abaixo da média, tá bom?
Imagina uma empresa hipotética, só para a conta aparecer: valor de mercado de R$ 1 bilhão, 100 milhões de ações — o que dá R$ 10 por ação —, lucro líquido de R$ 100 milhões — R$ 1 por ação — e patrimônio líquido de R$ 500 milhões, ou R$ 5 por ação, sobre uma receita de R$ 1 bilhão.
| Múltiplo | A conta, aberta | Resultado |
|---|---|---|
| P/L | 1.000 ÷ 100 | 10 vezes |
| P/VPA | 10 ÷ 5 | 2 vezes |
| ROE | 100 ÷ 500 | 20% |
| Margem líquida | 100 ÷ 1.000 | 10% |
Os números acima são hipotéticos e existem só para a conta aparecer. Não descrevem nenhuma empresa real, não são comparados com o preço de tela de nenhum ativo e não constituem projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.
Quando o indicador engana?
O indicador engana quando a linha contábil que alimenta ele é excepcional, e todo múltiplo pode estar certo na conta e errado na conclusão. Eu gosto muito de uma frase do professor Vicente Guimarães, que é um grande amigo também, que ele fala que o indicador indica. Ele não determina nada.
São cinco armadilhas com nome e mecanismo:
Sintoma: P/L baixo demais.
Uma venda de ativo entrou no lucro do trimestre. Antes de chamar de barato, compare com o lucro normalizado dos últimos anos.
Sintoma: resultado despenca num trimestre só.
A empresa reconheceu a desvalorização de um ativo, o que derruba o lucro sem tirar dinheiro do caixa. As notas explicativas dizem o que foi baixado.
Sintoma: intangível enorme no balanço.
Esse intangível ele tem ágio que a empresa pagou em diversas aquisições que ela fez no passado. Vê se esse ágio virou lucro em algum momento.
Sintoma: a geração de caixa parece ótima.
O EBITDA ignora investimento pesado. Então, em algum momento, a depreciação vai ter que equivaler ao CAPEX, que é a sigla que a gente usa para falar de investimentos em capital. Reformas, aumentos de fábrica, compras de automóveis, de computadores, beleza? O fluxo de caixa de investimento mostra o tamanho disso.
É a mais cara de todas: uma das grandes armadilhas que os investidores iniciantes acabam caindo é confundir que uma boa empresa é um bom investimento.
A qualidade do negócio já está embutida no preço. Quem resolve é o múltiplo contra as pares.
Então você tem que tomar cuidado também para entender se o lucro normalizado é muito diferente do lucro. É o lucro apresentado naquele trimestre contra a média dos últimos anos, tá bom?
Tem um corte que eu aplico antes de olhar qualquer outra coisa: ROIC acima de 200% eu trato como aberração e descarto do filtro. O que sobra do corte tem leitura simples. Quando a empresa tem um ROIC maior do que o seu custo de capital, ela está gerando valor.
E se você quiser ver cada um desses indicadores de perto, a página de indicadores fundamentalistas deste cluster abre um a um, com a conta e a faixa de cada um.
O que o número não conta?
Depois de somar todos os indicadores ainda falta a parte que não cabe em razão nenhuma: como a empresa ganha dinheiro de fato, quem administra e o que sustenta a vantagem competitiva ao longo do tempo. Tudo isso aí é relevante, mas não é tudo que a gente deve olhar numa empresa. A gente deve focar em entender o modelo de negócios e entender as transformações que a empresa vem sofrendo aqui nos últimos anos.
E a pergunta tem endereço. O que não está nos indicadores? Vale a pena a gente ler, por exemplo, o formulário de referência, as notas explicativas, o balanço anual da empresa.
Para mim, esse é o principal ponto de análise qualitativa que você deve tomar ao analisar uma empresa, né? É a capacidade dela de atrair esses talentos. Eu gosto muito de contar a história da Ambev. Do livro Sonho Grande também, porque cultura e capacidade de atrair talento são ativo que muda o resultado e não aparece em linha nenhuma do balanço.
É aqui que o método deixa de ser planilha e vira leitura de negócio, tá?
Juro alto derruba o preço da ação?
A mesma empresa, com o mesmo lucro, vale menos quando o juro sobe, e o mecanismo é direto. Quanto mais alto o preço do dinheiro, que é a taxa de juros, e o preço do dinheiro reflete também o risco percebido no mercado, então a percepção de risco é alta, menor será o preço das ações. Por quê? Porque as ações são um ativo de risco.
A versão curta é essa: quando o juro está alto, não é tão atrativo comprar risco. Por quê? Porque ficar parado na renda fixa já dá um bom dinheiro.
A taxa de desconto, parcela por parcela
Na conta, o juro entra pela taxa de desconto, que a gente monta em três parcelas:
o juro livre de risco;
mais um prêmio de risco para estar na renda variável;
mais um prêmio de risco Brasil.
Quanto maior essa soma, menor fica o valor de hoje do mesmo lucro futuro.
A inflação entra por outra porta, que é a margem: a empresa não vem conseguindo repassar os seus custos através da inflação, e o que cai é a margem operacional.
Premissa fixa desta página: nenhum número de Selic ou de inflação é afirmado aqui.
Essas taxas mudam, e você lê a do dia na fonte oficial antes de refazer qualquer conta.
Como calcular o valor justo?
Valor justo não é um número, é uma faixa: o preço justo não é um ponto exato é uma faixa de valor e aí você tem que dar uma margem de segurança.
A gente vai por três caminhos, com a conta aberta.
O primeiro é o modelo de dividendos, onde eu pego o dividendo no próximo período e divido isso pelo custo de capital próprio, que a gente representa aqui pelo KE, é o custo do equity, menos o crescimento.
Dividendo do próximo período
dividido por: KE menos o crescimento
resultado: o valor de uma ação
No fluxo de caixa descontado a gente parte do lucro operacional e desce por imposto marginal, depreciação, capital de giro e capex.
Lucro operacional
menos: imposto marginal
mais: depreciação
mais ou menos: a variação do capital de giro
porque tem empresa que quando cresce demanda capital de giro e tem empresa que quando cresce bota dinheiro no caixa
menos: capex
resultado: o fluxo de caixa que vai ser descontado
E vem a ponte final que quase nenhum guia atravessa: a gente pega o valor da firma, subtrai a dívida líquida e aí divide pelo número de ações dessa firma.
A advertência vem junto, porque o Excel ele aceita qualquer coisa que eu botar ali então toma cuidado com as premissas que você vai usar para encontrar o valor justo de uma empresa.
Nenhuma conta desta página é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.
Como avaliar ações na prática: valuation para iniciantes. Aula publicada em 05/11/2020.
Onde achar esses números de graça?
Todo número desta página está disponível de graça, e são quatro destinos com função distinta.
E as ferramentas do site ficam reunidas na área de ferramentas, se você quiser seguir a conta por lá.
Como fazer uma análise completa?
O roteiro é o mesmo em toda empresa, em sete etapas:
Abrir a apresentação de resultados do trimestre.
Decide o que você vai procurar nos números.
Abrir as informações trimestrais.
Entrega o dado auditado que a apresentação resume.
Percorrer balanço, demonstração de resultado e fluxo de caixa.
Diz o que a empresa tem, o que ela ganhou e quanto disso virou dinheiro.
Calcular os múltiplos com os números daquele trimestre.
Transforma as três leituras em número comparável.
Escolher a par de comparação do mesmo setor.
Define a régua, porque múltiplo sozinho não significa nada. O que é um benchmark? Benchmark é uma comparação.
Comparar com o preço de tela.
Mostra o que o mercado está pagando pelo que você acabou de ler.
Escrever a conclusão.
Fixa a tese por escrito, para você poder cobrar dela depois.
Eu quero mostrar para vocês como é que a gente analisa isso no final das contas com parcimônia, sem se emocionar.
A etapa que decide é a quinta, a comparação setorial. Quando eu tenho uma empresa barata com desempenho operacional pareado com as outras, eu consigo tomar a decisão de qual empresa comprar.
E o fecho é o antídoto contra a própria conta: interpretar o que a gente fez aqui não foi fazer o valuation, o que a gente fez foi avaliar o que o mercado está interpretando da empresa.
Quando uma empresa aparece com nome e número nas minhas aulas, ela está ali como demonstração de raciocínio, com a data em que a leitura foi feita colada na frase, e não como recomendação de compra ou venda.
Análise de uma companhia real do começo ao fim, do release trimestral ao valuation. Aula publicada em 12/11/2020 — a leitura, os números e o preço de tela são daquela data e servem como demonstração do método, não como recomendação de compra ou venda.
Quando reavaliar a tese e vender?
Antes de comprar, três respostas precisam estar escritas: por que você entra, por que você mantém e por que você sai. Uma estratégia clara significa que você sabe por que você está entrando, você sabe por que você está se mantendo. E significa que você sabe por que você está saindo de uma ação.
E quem não tem método está na verdade perdido no mercado, e isso pode ser muito perigoso.
A queda do preço, sozinha, não é motivo para vender: a partir do momento que eu entendo o valor do que eu estou fazendo, do que eu estou comprando e eu tenho dinheiro para ir ao longo do tempo investindo, esses movimentos de queda na verdade se tornam grandes oportunidades para que eu possa investir, beleza?
O que muda a tese é o fundamento, não a cotação. E o fundamento se deteriora em linha de demonstrativo:
| Sinal na tese | Onde ele aparece |
|---|---|
| Margem caindo trimestre após trimestre | Na demonstração de resultado. |
| Dívida líquida que cresce mais rápido do que a geração de caixa | Balanço e fluxo de caixa, lado a lado. |
| Lucro que só se sustenta em evento não recorrente | Nas notas explicativas. |
| Capex que entra ano após ano e não vira receita nova | Está no fluxo de caixa de investimento. |
| O motivo pelo qual você comprou deixou de existir | No formulário de referência e no release. |
E eu digo isso podendo dizer: eu não recebo corretagem, não distribuo produto de terceiros e não custodio dinheiro de cliente, tá?
FAQ: perguntas sobre análise fundamentalista
Qual a diferença entre valor e preço de uma ação?
Preço é o número que aparece na tela do home broker, e ele muda a cada negócio fechado. Valor é a estimativa do que a empresa gera ao longo do tempo, e vem do negócio, não do mercado.
Valor implícito, valor justo e preço justo são sinônimos entre si, e nenhum dos três é preço.
A análise fundamentalista existe justamente para comparar as duas coisas: se o valor que você estimou está muito acima do preço da tela, o mercado está lendo essa empresa de um jeito diferente do seu, e o teu trabalho é descobrir quem está errado.
Quais indicadores um iniciante deve olhar primeiro?
Três bastam para a primeira peneira: margem líquida, retorno sobre o patrimônio líquido e a relação entre preço e lucro.
O perfil que essa peneira procura é margem alta, retorno alto e múltiplo que não esteja fora da faixa do setor. Endividamento, liquidez corrente e valuation vêm depois, quando os três primeiros já fazem sentido para você.
Você não precisa ser um gênio da matemática para começar, e você não precisa de ferramenta paga: os três aparecem prontos em portal gratuito, e a conta você refaz na mão depois, para conferir de onde veio.
P/L baixo significa que a ação está barata?
Não necessariamente. P/L baixo pode ser lucro inflado por evento não recorrente, e nesse caso o denominador some no trimestre seguinte e o múltiplo sobe sozinho.
Antes de chamar de barato, veja se o lucro daquele período é parecido com o lucro normalizado dos últimos anos e compare o múltiplo com as empresas do mesmo setor.
A média histórica de mercado fica entre 12 e 15 vezes, mas essa é a média do mercado inteiro, e setor de crescimento e setor maduro não se leem pela mesma régua.
Preciso saber contabilidade para investir em ações?
Não para começar, sim para ir longe. Dá para fazer a primeira triagem com indicadores já calculados em portal gratuito, sem abrir um balanço.
Quem entende de onde sai cada linha do balanço e da demonstração de resultado percebe a distorção antes de comprar, e essa diferença é o que separa filtrar de analisar.
E eu declaro o meu próprio limite aqui: eu sou formado em administração, então o que eu sei de contabilidade é de administrador, não de contador.
Onde eu encontro o balanço de uma empresa de graça?
No site de relações com investidores da própria companhia, onde ficam release trimestral, apresentação de resultados e demonstrações completas, e nos sistemas da Comissão de Valores Mobiliários, onde ficam o formulário de referência e o fato relevante.
Portais gratuitos entregam os múltiplos já calculados, o que serve para triagem, e ainda assim vale refazer a conta na mão antes de decidir.
Nada disso exige cadastro pago, e é o mesmo material que eu abro na tela quando eu analiso uma empresa.
Análise fundamentalista serve para fundo imobiliário, BDR e ETF?
Parte do método se transfere, porque o que sustenta a análise é contabilidade, e contabilidade é a mesma dentro e fora do Brasil.
O que muda é o conjunto de indicadores: fundo imobiliário se lê por vacância, contrato e patrimônio, não por preço sobre lucro. ETF se lê pelo fator que ele persegue, não pela empresa individual.
O cluster de renda variável tem páginas próprias para fundo imobiliário e para ETF, e é para lá que eu te mando quando o ativo deixa de ser ação.
Análise fundamentalista funciona para operar no curto prazo?
O método pressupõe tempo: o indicador precisa de série histórica e a tese precisa de trimestres para se confirmar ou se desfazer.
O que eu procuro é consistência ao longo dos anos: margem operacional que se repete, retorno sobre o patrimônio líquido consistente, endividamento baixo. Um trimestre isolado não conta a história da empresa.
Para decidir entrada e saída em dias, a leitura é outra — é o gráfico que responde isso, e não o fundamento. Não é que um método seja sério e o outro não: é que eles respondem perguntas diferentes, em horizontes diferentes.
Você indica alguma ação nesta página?
Não. O que existe aqui é método e critério: como ler um demonstrativo, como calcular um múltiplo, como comparar com o setor e quando desconfiar do número.
As empresas que aparecem nos exemplos estão ali como demonstração de raciocínio, com a data em que a conta foi feita, e não como recomendação de compra ou venda. Recomendação individualizada é outra atividade, com registro próprio, e eu não a exerço.
Eu também não recebo corretagem, não distribuo produto de terceiros e não custodio dinheiro de cliente, o que significa que nada nesta página muda conforme o que você decidir fazer depois de lê-la.
Hulisses Dias
Analista independente · No mercado desde 1999 como investidor
Sou o Hulisses Dias, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC e sujeito à regulação da Comissão de Valores Mobiliários, e estou no mercado desde 1999 como investidor, com o credenciamento como analista desde 2020.
- O que eu não faço é a parte que importa aqui: eu não recebo corretagem, eu não distribuo produto de terceiros e eu não custodio dinheiro de cliente, então nada nesta página muda conforme o que você decidir fazer depois de lê-la.
- Eu escrevo e assino todas as análises publicadas aqui, e escrevi o livro Investir é Sobre Gente.
- Meu alcance é público e conferível: 201 mil inscritos no canal do YouTube e 964 mil seguidores no Instagram.
- Quando o assunto passa do que eu domino, eu digo em voz alta, como faço na aula de contabilidade.