Renda Variável · Artigo

O que é volatilidade e como eu meço a oscilação

Volatilidade é a medida de quanto e com que frequência o preço de um ativo varia num período, e ela não diz prejuízo. Ela mede a amplitude do movimento para os dois lados, sai em porcentagem ao ano, nasce de uma série de preços e dá para consultar ativo por ativo.

Atualizado em agosto/2026 Vale: de perto de 30% para mais de 120% numa semana Não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros
Resposta direta

Isso tem nome e tem lugar na conta. Primeira dimensão é o tempo, a segunda é o preço e a terceira dimensão é a volatilidade. E a volatilidade a gente trabalha nela como se fosse um ativo.

O que é volatilidade?

Em março de 2020 eu vi a volatilidade da Vale sair de perto de 30% para mais de 120% numa semana.

perto de 30%
a volatilidade da Vale antes daquela semana de março de 2020
mais de 120%
a mesma volatilidade, do mesmo papel, dentro da semana — é amplitude de movimento, não retorno

Quem abriu o aplicativo e viu a carteira abaixo do que aportou está olhando essa terceira dimensão de perto: a volatilidade responde de que tamanho é o movimento, não se você perdeu o dinheiro.

Daqui em diante a gente vai do que é até como se calcula, com a conta na mesa: retorno diário, desvio padrão, raiz de 252, beta e onde consultar cada um, tá?

Volatilidade é a mesma coisa que risco?

Não é a mesma coisa, e essa confusão é a que mais custa dinheiro. Você precisa desbloquear a tua mente com relação ao risco da volatilidade da renda variável. Isso porque a volatilidade é somente um dos cinco riscos do mercado.

01

Risco operacional

O erro na hora de executar. Imagina que eu queria comprar mil ações da Vale e acabo vendendo mil ações da Vale. Pode parecer engraçado falando agora, mas isso já aconteceu comigo várias vezes.

02

Risco de mercado

O quanto a atividade daquela empresa é sensível ao ciclo. É o que o beta mede.

03

Risco de liquidez

Você comprou 100 mil ações a 20 reais e agora precisa vender, e não aparece comprador. Tem que baixar o preço, oferecer por 19, oferecer por 18 até que alguém se sinta impelido a comprar aquele ativo.

04

Volatilidade

O alto e baixo das ações, que é o assunto desta página.

05

Risco de não chegar na meta do teu plano

O que quase ninguém enxerga. Esse é o grande risco de quem está evitando o risco da volatilidade para ficar no Tesouro Selic.

Uma ação que cai 30% e volta em dois anos e uma empresa que quebra e não volta nunca são coisas diferentes: a primeira é oscilação, a segunda é perda permanente.

Sobre a promessa de simetria

E cuidado com a promessa de simetria. Oscilação maior alarga a dispersão dos resultados nos dois sentidos, só que ela não contrata retorno equivalente. Mais risco é mais incerteza, para cima e para baixo.

Quanto isso pode cair de verdade eu dimensiono na página /blog/renda-variavel, e não refaço a conta aqui.

Por que o preço oscila tanto?

O preço oscila por três motivos que se somam, e só um deles tem a ver com humor de mercado.

Choque externo

A economia chegando na empresa.

Selic sobe → consumo cai

Alavancagem operacional

A estrutura de custo do negócio.

despesa fixa alta → lucro balança mais

Comportamento

O próprio investidor.

aposta na queda → compra forçada

O primeiro é a economia chegando na empresa. Numa aula de fevereiro de 2022 eu mostrei esse ciclo: quando a Selic sai de 2% para 9%, o consumo cai, e a economia está indo bem o varejo sobe muito, quando ela está indo mal o varejo cai muito.

O segundo vem da estrutura de custo do negócio. Pega a siderurgia: essas empresas de siderurgia têm uma coisa chamada alto forno. O alto forno, só para você ligar ele, custa 500 milhões de dólares.

500 milhões
de dólares só para ligar um alto forno — a despesa fixa que faz o lucro balançar, na aula de fevereiro de 2022

Do outro lado da régua está o negócio que começa o mês zerado. Um personal trainer que trabalha na praia, ele não tem despesa fixa nenhuma quando começa o mês. Diferentemente de uma academia. A academia tem que pagar o aluguel, tem que pagar a luz, tem que pagar os funcionários.

Ou seja: quanto maior a despesa fixa, mais o lucro balança quando a receita balança.

E o terceiro é o próprio investidor. Repara no mecanismo: o que é o short squeeze? Quando tem muita gente apostando na queda, alguma coisa muda e as pessoas são obrigadas a comprar, independentemente do preço.

O episódio gravado dentro do crash de março de 2020, em que eu falo de notícia e decreto como gatilho e de gente obrigada a comprar na alta.

Renda fixa também oscila?

Oscila, sim, e o extrato negativo em título público é a prova disso. Quem diz que renda fixa não varia está olhando só o pós-fixado. O nome do mecanismo é marcação a mercado: o papel que você já tem tem preço todo dia útil, e esse preço se move quando a taxa negociada se move.

O que eu não faço aqui é dizer quanto cada tipo de título oscila, porque isso é conta de série de preço e essa página não carrega série nenhuma.

E fica a razão de a renda fixa aparecer numa página de volatilidade: se você tiver uma carteira de ações, não esqueça de também colocar uma carteira de renda fixa para gerenciar o teu risco, tá?

Quanto é muita volatilidade?

Muita volatilidade é quando o número salta várias vezes o patamar do próprio papel, e a referência nunca é o mercado inteiro, é o ativo contra ele mesmo.

Eu estava fazendo essa operação quando a volatilidade da Vale estava perto de 30%. Nessa semana eu vi a volatilidade da Vale aí bater mais de 120%.

Isso foi em 13 de março de 2020: quatro vezes o patamar do mesmo papel em dias. É esse tipo de leitura que separa o mercado nervoso do mercado em pânico.

E não foi só a Vale: nesses últimos 10 dias úteis a gente viu uma volatilidade muito alta das ações. O Ibovespa virou marco de decisão em pontos redondos, e eu decidi em cima deles: quando deu ali 84 mil pontos eu realizei um pouco dessas apostas que eu tinha na queda da bolsa, e zerei o que sobrou lá na casa dos 70 mil, com a bolsa corrigindo quase a metade do seu valor inicial.

84 mil
pontos: o marco do Ibovespa em que eu realizei um pouco das apostas na queda, em março de 2020
70 mil
pontos: onde eu zerei o que sobrou, com a bolsa corrigindo quase a metade do seu valor inicial

Episódio datado, não previsão

Guarde o método, não o número: você compara o ativo com ele mesmo, na mesma janela. Tudo aqui é episódio datado, não é previsão do que vem pela frente.

O episódio em que eu leio ao vivo a volatilidade da Vale estourando na semana de 13 de março de 2020.

Como calcular a volatilidade na planilha?

São quatro passos e cabem numa planilha de uma coluna.

  1. Baixe a série de preços de fechamento do ativo, com a data de cada linha declarada.
  2. Calcule o retorno diário: o preço de hoje dividido pelo de ontem, menos um.
  3. Aplique o desvio padrão amostral sobre essa coluna de retornos, que é o que mede o quanto os retornos se espalham em torno da média.
  4. Anualize: multiplique o desvio padrão diário pela raiz quadrada de 252, que é a quantidade aproximada de pregões num ano.

O resultado sai em porcentagem ao ano, e é esse número que a plataforma te mostra pronto.

Conta de padeiro

Vamos fazer numa conta de padeiro, e eu já aviso que os números são inventados na hora para você ver o método: vamos dizer que o desvio padrão diário deu 2%. Multiplica por raiz de 252, que é perto de 15,87, e você chega em torno de 31% ao ano.

A série verdadeira é a que você baixa, tá? Os três números acima são hipótese redonda declarada como hipótese, não série de mercado.

Ferramenta que roda no navegador e faz essa conta por você mora em /blog/ferramentas.

O que o beta mede?

O beta mede a volatilidade de um ativo contra a do mercado, e a régua tem uma âncora só. Se eu estiver no Brasil, o beta do Ibovespa é igual a 1. Nos EUA a âncora é outra, o S&P 500, e o beta dele também é 1.

Beta maior do que 1 é de ativos muito mais voláteis do que o mercado, a média, e beta menor do que 1 é de ativos muito menos voláteis do que o mercado na média.

E de onde sai esse número? Provavelmente você falou para o teu professor de matemática, professor, para que eu estou aprendendo isso? Eu quero fazer biologia.

Pois é: você usa essa fórmula para ganhar dinheiro no mercado financeiro seu aborrecente porque aquele x é o beta. É o coeficiente angular da reta que cruza o retorno do ativo com o retorno do índice.

A inclinação da reta é o beta
eu marco na dispersão dos retornos a reta ajustada, mais inclinada do que a diagonal de referência — essa inclinação é o beta Uma nuvem de pontos cruza o retorno do Ibovespa, no eixo horizontal, com o retorno do ativo, no eixo vertical. Uma diagonal cinza tracejada marca beta igual a 1, a âncora. A reta verde ajustada aos pontos sai do mesmo ponto e sobe muito mais inclinada: essa inclinação é o beta. Os eixos não trazem valor numérico. Retorno do Ibovespa Retorno do ativo Reta ajustada — a inclinação é o beta Beta = 1 — a âncora Acima de 1 — muito mais volátil que o mercado Igual a 1 — Ibovespa no Brasil, S&P 500 nos EUA Abaixo de 1 — muito menos volátil que o mercado

Os eixos não trazem valor porque não existe série de preço no material desta página. O que a figura mede é a forma da relação: a reta ajustada aos pontos sai do mesmo lugar que a diagonal de beta igual a 1 e sobe bem mais inclinada. Essa inclinação é o beta, e o número dela sai da série que você baixa.

Numa carteira, o beta é a média ponderada pelos pesos de cada posição.

A régua do beta em três faixas, com a leitura de cada faixa e o perfil de custo que costuma ficar nela
Faixa do beta Como eu leio Perfil de custo que costuma ficar aí
Acima de 1 ativo muito mais volátil do que o mercado, na média despesa fixa alta, que faz o lucro balançar mais do que a receita: a siderurgia com um alto forno que custa 500 milhões de dólares só para ligar
Igual a 1 é a âncora da régua e ela muda de país: no Brasil o beta do Ibovespa é 1, nos EUA o beta do S&P 500 é 1 o próprio índice de referência, que é a média contra a qual todo o resto se mede
Abaixo de 1 ativo muito menos volátil do que o mercado, na média despesa fixa baixa, como o personal trainer que trabalha na praia e começa o mês sem custo nenhum, diferentemente de uma academia

Onde eu vejo a volatilidade de um ativo?

Dá para consultar de graça, e são três lugares diferentes para três perguntas diferentes.

01

Beta de uma ação brasileira

Vamos entrar aqui nesse site. Yahoo Finance. Aí eu vou procurar uma coisa chamada beta. É um campo por ticker. Anota junto a data em que você leu, porque beta muda.

02

Volatilidade já realizada do papel

O caminho é o gráfico. Tem vários indicadores de volatilidade, e você insere a volatilidade histórica no ativo. Então a gente pode inserir aqui uma média móvel na volatilidade. Vamos dizer que essa média é de 9 períodos, tá bom? É ela que suaviza a leitura.

03

VIX

Ele é calculado sobre opções do S&P 500, então é termômetro do mercado americano e não do brasileiro. Quem quer a leitura daqui precisa olhar a volatilidade implícita das opções negociadas na B3.

Você está achando que eu estou fazendo isso porque eu estou ganhando algum dinheiro? Vai lá, na Genial Investimentos e abre lá também, tá bom?

A aula em que eu faço a consulta na tela, puxando o beta ticker por ticker e inserindo o indicador de volatilidade histórica no gráfico.

Volatilidade implícita ou realizada?

Volatilidade realizada e volatilidade implícita são duas medidas com o mesmo nome e sentidos opostos no tempo.

A realizada olha para trás: é o desvio padrão dos retornos que já aconteceram, a conta que eu acabei de mostrar.

A implícita olha para frente: é a volatilidade que está embutida no preço das opções hoje, extraída do prêmio que o mercado está disposto a pagar.

A que já aconteceu e a que o mercado está precificando
eu separo na mesma linha do tempo a volatilidade que já aconteceu, em traço contínuo antes de hoje, da volatilidade implícita que o mercado está precificando daqui para frente, em traço tracejado Uma linha do tempo cortada ao meio por uma vertical marcada como hoje. À esquerda, em traço contínuo, a volatilidade realizada, que é o desvio padrão dos retornos que já aconteceram, com uma seta que olha para trás. À direita, em traço tracejado, a volatilidade implícita, embutida no preço das opções, com uma seta que olha para frente. Nenhum valor de volatilidade foi desenhado. Hoje Volatilidade realizada Volatilidade implícita Olha para trás Olha para frente desvio padrão dos retornos que já aconteceram embutida no preço das opções

O corte no meio da linha é o presente: traço contínuo para trás, tracejado para frente. A figura não traz valor de volatilidade porque não existe série no material desta página — ela mostra o sentido de cada medida no tempo, não o patamar de nenhuma das duas.

E a volatilidade a gente trabalha nela como se fosse um ativo. Então, quando a implícita está cara, os dois lados da mesma operação mudam de preço ao mesmo tempo.

Quem compra prêmio

Paga mais caro pelo mesmo direito

Com a implícita cara, quem compra opção paga mais caro pelo mesmo direito.

Quem vende prêmio

Recebe mais prêmio e assume mais risco

Quem vende recebe mais prêmio e assume mais risco de o movimento vir.

O ganho e o risco de cada lado ficam na mesma linha de propósito: nenhum dos dois é estratégia recomendada aqui.

Foi isso que aconteceu em março de 2020, quando a volatilidade da Vale quadruplicou em dias: quem estava comprado em volatilidade viu o prêmio inflar, e quem estava vendido levou o prejuízo do outro lado.

Os dois lados dessa operação têm risco, e nenhum deles é estratégia que eu esteja recomendando aqui.

O sub-hub de opções, onde a oscilação vira preço, está em /blog/renda-variavel/opcoes.

Como proteger a carteira da oscilação?

Diversificar não é comprar dez papéis parecidos, é juntar coisas que não andam juntas.

A minha estratégia, ela tem algumas estratégias dentro, porque eu quero que a correlação dessas várias estratégias diminuam o meu risco. Eu tenho uma estratégia de factor investing, uma estratégia de value investing, eu tenho uma estratégia de trend following e eu tenho uma estratégia de opções. Então, quando eu junto isso tudo e mais a renda fixa, eu tenho uma baixa volatilidade na minha carteira, eu fico mais tranquilo para surfar essas ondas.

E eu falo isso em voz alta sobre a minha própria carteira-exemplo: se alguém tem essa carteira já saiba, você está fazendo tudo errado, porque ela está muito pouco diversificada.

Existe o degrau seguinte, que é operação. O hedge é a proteção da posição, e dá para executar de quatro formas:

  • Comprar put: direito de vender no preço combinado, que segura a queda do papel.
  • Vender call: prêmio recebido no lugar da alta. A queda fica amortecida até o valor que entrou.
  • Vender o ETF de índice, que é o BOVA11: posição vendida na média, contra o lado de mercado da carteira.
  • Vender índice futuro: a mesma exposição vendida, agora via contrato.
Premissa declarada

O tamanho do hedge sai do beta ponderado da carteira, e em março de 2025 eu montei isso ao vivo, com premissas declaradas. É método, não é recomendação de operação, tá?

Ilustração de método, com carteira hipotética. Nada aqui é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade, e nenhum percentual de resultado de operação entra nesta página.

Já a regra escrita de saída, aquela que você define antes de operar e não no susto, mora em /blog/renda-variavel.

Quanto a volatilidade pesa no meu prazo?

O mesmo ativo tem risco diferente conforme o prazo que você tem.

O que eu vejo que as pessoas acabam tendo como maior impedimento é não aguentar a volatilidade no curto prazo em nome de um retorno de longo prazo.

E tem uma aritmética que muda alocação. A fórmula é simples: a alta necessária é a queda dividida por um menos a queda.

A alta necessária para voltar ao ponto de partida depois de três tamanhos de queda
Queda Alta necessária para voltar
30% aproximadamente 43%
50% 100%
70% 233%
100%
a alta necessária depois de uma queda de 50% — aritmética fechada, não projeção de mercado

Perder menos vale mais do que capturar mais, e é por isso que quem vai precisar do dinheiro em três anos não carrega a mesma exposição de quem vai precisar em vinte. Os critérios de entrada estão em /blog/renda-variavel.

A defesa que depende só de você é caixa: com reserva de emergência montada, que eu explico em /blog/aprender/reserva-de-emergencia, você não é obrigado a vender no fundo para pagar uma conta.

Você tem que se acostumar com a volatilidade, mas você só não pode se contentar com aquele nível de risco que você assume hoje.

O episódio em que eu monto o plano e nomeio o impedimento que trava a maioria das pessoas, não aguentar o curto prazo em nome do longo.

FAQ: perguntas frequentes sobre volatilidade

Volatilidade alta quer dizer que eu vou perder dinheiro?

Não quer. Volatilidade alta quer dizer que o preço está se movendo muito, para cima e para baixo, e que a faixa de resultados possíveis ficou mais larga nos dois sentidos.

Perda de verdade é outra coisa: é quando o valor não volta, seja porque a empresa quebrou, seja porque você vendeu no fundo e realizou o prejuízo.

A volatilidade é somente um dos cinco riscos do mercado, e confundir ela com o risco inteiro é o erro que mais custa dinheiro.

Como eu calculo a volatilidade de uma ação na planilha?

São quatro passos.

  • Baixe a série de preços de fechamento com a data de cada linha.
  • Calcule o retorno diário: preço de hoje dividido pelo de ontem, menos um.
  • Aplique o desvio padrão amostral sobre a coluna de retornos.
  • Multiplique o resultado pela raiz quadrada de 252, que é a quantidade aproximada de pregões num ano.

O número sai em porcentagem ao ano. Anote a data em que você baixou a série, porque o mesmo ativo dá números diferentes em janelas diferentes.

O que significa um beta de 1,2?

Significa que o ativo tende a se mover mais do que o mercado, na mesma direção.

Se eu estiver no Brasil, o beta do Ibovespa é igual a 1 por definição. Então beta 1,2 é um papel historicamente mais volátil que o índice, e beta 0,8 é um papel historicamente menos volátil.

É medida histórica de sensibilidade, não previsão do próximo movimento, e ela muda com o tempo. Por isso você anota a data em que leu.

Onde eu vejo o beta de uma ação brasileira de graça?

No Yahoo Finance tem um campo chamado beta, ticker por ticker, e é gratuito.

Para a volatilidade já realizada o caminho é o gráfico da plataforma da corretora: você insere o indicador de volatilidade histórica no ativo e, se quiser suavizar a leitura, coloca uma média móvel de 9 períodos em cima dele.

Anote sempre o valor junto com a janela e a data da consulta, porque os dois números mudam.

Tesouro IPCA+ pode aparecer negativo no extrato?

Pode, e o extrato negativo em Tesouro IPCA+ não é erro do sistema.

Título prefixado e IPCA+ têm preço de mercado todo dia útil, e o nome desse mecanismo é marcação a mercado.

Quanto cada tipo de título oscila e o que muda ao levar até o vencimento eu não quantifico nesta página, que é sobre a medida da oscilação e não sobre o instrumento: a mecânica inteira está em /blog/renda-fixa/marcacao-a-mercado.

O VIX serve para medir o mercado brasileiro?

Não serve. O VIX é calculado sobre opções do S&P 500, então ele é termômetro da expectativa de oscilação do mercado americano.

Quem quer a leitura daqui precisa olhar a volatilidade implícita das opções negociadas na B3, que é outra série e responde a outros choques.

Os dois costumam andar juntos em crise global, mas isso é correlação de momento, não equivalência. Copiar a leitura de um para o outro induz a erro.

Depois de uma queda de 50%, quanto precisa subir para voltar?

Precisa subir 100%. A conta é simples e desconfortável: se R$ 100 viram R$ 50, é preciso dobrar os R$ 50 para voltar ao ponto de partida.

Uma queda de 30% exige alta de aproximadamente 43%, e uma de 70% exige alta de 233%.

É por isso que evitar as grandes quedas pesa mais na conta final do que capturar as grandes altas, e é uma das razões de o prazo que você tem mudar quanta exposição faz sentido.

Dá para diminuir a volatilidade da carteira sem sair da bolsa?

Dá, e o caminho não é comprar mais papéis parecidos.

A minha estratégia, ela tem algumas estratégias dentro, porque eu quero que a correlação dessas várias estratégias diminuam o meu risco. Quando eu junto isso tudo e mais a renda fixa, eu tenho uma baixa volatilidade na minha carteira.

Existe ainda o degrau de operação, o hedge, que é a proteção da posição e é dimensionado pelo beta ponderado da carteira. É método com premissas declaradas, nunca recomendação de operação.

Quem assina

eu, Hulisses Dias, de camisa preta, olhando para a câmera sobre fundo cinza neutro
Analista CNPI · APIMEC

Hulisses Dias · Analista independente · No mercado desde 1999 como investidor

Sou o Hulisses Dias, conhecido como o Tio Huli, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC e sujeito à Resolução CVM nº 20, de 25/02/2021.

Estou no mercado desde 1999 e o assunto em que eu mais me aprofundei é opções, que é justamente onde a volatilidade vira preço. E eu faço questão de separar as duas datas, porque a experiência como investidor é de 1999 e a credencial de analista é de 2020.

O que muda a conversa é a minha posição: eu não custodio dinheiro de cliente, eu não recebo corretagem e eu não distribuo produto de terceiros.

É por isso que eu consigo te dizer, nesta página, que o VIX não serve para medir o mercado brasileiro e que oscilação maior não é retorno contratado, em vez de te empurrar um aplicativo no meio da explicação.

Eu escrevi Investir é Sobre Gente (Interminds, 2025) e eu publico no canal @tiohuli.

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