Carteira · Guia

Como montar carteira do zero, do critério à primeira ordem

Carteira de investimentos é o desenho do conjunto: peças escolhidas para se equilibrarem entre si, e não a pilha de aplicações que foi sobrando ao longo dos anos.

Atualizado em agosto/2026 3 classes de ativos, no mínimo
Resposta direta

Existe mais de uma maneira de montar esse conjunto, e aqui eu percorro a sequência inteira: primeiro o dinheiro que não pode oscilar, depois o objetivo com data, depois a divisão entre renda fixa e renda variável, e só então o ativo.

Eu entrego as premissas e o método. A carteira que sai deles é tua, e nenhum ativo citado aqui é indicação de compra para o teu caso.

O que é uma carteira de investimentos?

Quem tem seis CDBs, dois fundos do banco e umas ações compradas soltas não tem uma carteira, tem uma colcha de retalhos.

E quem empilha tudo dentro de uma classe só paga por isso na primeira crise. Porque na hora da crise, você pode ser pego em cheio por uma crise simplesmente nessa classe de ativo. Por isso que eu sugiro que pelo menos você tenha três classes de ativos diferentes na sua carteira. Beleza?

3
classes de ativos diferentes: o piso de uma carteira, e a linha que separa carteira de pilha de aplicações

Vocês, se quiserem, podem copiar essa carteira no final das contas, tá? cada um com a sua proporção de valor, mas eu não faria isso se você não entender as premissas por trás.

Eu não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros.

Quanto fica de reserva antes de tudo?

A reserva de emergência vem antes da carteira, e não como a primeira linha dela.

Enquanto o dinheiro do imprevisto não estiver separado, em aplicação de liquidez diária e risco baixo, qualquer exposição a renda variável está apostando que a vida não vai cobrar nada nos próximos meses.

O tamanho é a parte que os guias não resolvem, e eu não vou resolver com número redondo aqui. Quem decide são duas coisas objetivas:

01

Quão previsível é a tua renda

02

Quantas pessoas dependem dela

Renda estável de carteira assinada e sem dependente puxa para a ponta de baixo da faixa. Faturamento que oscila, contrato curto ou dependente em casa puxa para a ponta de cima.

Esta seção fica curta de propósito, tá? Aqui vai só a regra de precedência e o critério de dimensionamento. O passo a passo da reserva, o produto onde ela mora e a faixa em meses moram na página de reserva de emergência, que é onde eu trato o assunto inteiro.

Para quando é cada parte do dinheiro?

Antes de escolher ativo, o dinheiro precisa ter data. E aí a gente começa sempre com o objetivo. Você já sabe o objetivo? Que você tem para investir.

Objetivo aqui não é render mais. São três campos, e é essa lista que abre o plano:

Quanto

o valor que você quer ter.

Para quando

a data em que ele precisa estar lá.

Quanto entra por mês

o aporte que liga um ponto ao outro.

Quando a gente determina um objetivo, eu tenho que falar onde é que eu estou. Onde é que eu estou? Começando do zero com uma parte semanal. Onde que a gente pretende chegar? Essas duas perguntas fecham o caminho entre os dois pontos.

Entrada de apartamento daqui a quatro anos é um bolso, aposentadoria daqui a trinta é outro, e os dois não podem morar no mesmo lugar. Dinheiro com data curta não aceita oscilação, por melhor que seja o argumento de longo prazo. Dinheiro com data longa aceita, porque tem tempo de atravessá-la.

Mas é importante que você repita esse ciclo ano a ano, porque pode muito bem esse ano ser um ano que vai dar prejuízo.

Meu perfil decide quanto de cada coisa?

O perfil decide a direção, não o número, e essa é a parte que ninguém te conta.

Quanto mais conservador você for mais renda fixa você vai ter, quanto mais agressivo você for mais renda variável você vai ter, beleza? É essa a tradução, e ela é direcional de propósito.

O eixo do perfil: de um lado mais renda fixa, do outro mais renda variável
o eixo entre renda fixa e renda variável, sem marcador de posição Um único eixo horizontal. Na ponta da esquerda, o perfil conservador, com mais renda fixa. Na ponta da direita, o perfil agressivo, com mais renda variável. Acima do eixo, uma seta de duas pontas diz que o perfil aponta a direção do deslocamento. Não existe marcador de posição no eixo e nenhum percentual foi desenhado. Direção, não número Conservador — mais renda fixa Agressivo — mais renda variável

O eixo não tem marcador de posição de propósito. Ele desenha a direção do deslocamento, não uma divisão recomendada: esta página não publica percentual de alocação por perfil.

O segundo passo é você responder um questionário de suitability, que é o formulário em que a corretora registra o teu apetite de risco. Só que ele é declaratório: registra o que você diz sobre si mesmo num dia calmo, não o que você faz quando a tela fica vermelha.

E o erro típico de quem começa não é se descobrir agressivo demais. É outro.

O maior erro que acaba diminuindo a rentabilidade do iniciante é o fato de ele não entender que ele muitas das vezes está muito concentrado, ou seja, pouco diversificado.

E o peso de cada coisa nasce do que você sabe, não do rótulo que o formulário te deu: quando você é ativo, você está com uma premissa de que você sabe algo a mais do que a média. E essa coisa que você sabe a mais é o que permite que você tenha um peso maior em alguns ativos e menor em outros.

Aqui eu ensino a decisão. O percentual que sai dela é teu, e eu não decido isso por você.

Isto é análise, não consultoria: nada aqui é recomendação personalizada de investimento, nos termos da Resolução CVM nº 20/2021.

Que carteira dá pra montar hoje?

A carteira certa para o primeiro degrau não é a carteira certa para o último. Tratar as duas como a mesma coisa é o que faz o iniciante copiar uma divisão que não cabe no bolso dele.

US$ 50
por semana: o aporte com que a carteira que eu abro em público começou do zero, na fala de agosto de 2024

No degrau de baixo a resposta é curta e contraria o conselho padrão do nicho: é por isso que eu falo por isso que iniciante não compra ação nem fundo imobiliário, iniciante só compra IVVB11 e tesouro selic, porque porque o iniciante ele não sabe diversificar. Essa é a fala de novembro de 2023, e o código que eu digo ali demonstra o método — não é indicação de compra.

Começa sempre pelo mais fácil, mais simples, pra você ir aumentando gradativamente a tua capacidade de entender o mercado, entender os riscos e lidar com a volatilidade.

No degrau do meio entram ações individuais, quando já existe repertório para escolher empresa.

No de cima o filtro vem antes do nome: Então eu quero que essa empresa tenha um patrimônio líquido positivo. Eu quero que ela tenha um histórico de lucros nos últimos cinco anos. E quero que ela tenha uma liquidez mínima. É aí que entra também a fatia internacional, porque nesse tamanho a tua própria posição começa a mexer no preço.

O que entra e o que fica de fora da carteira em cada degrau de patrimônio
Degrau de patrimônio O que entra O que fica de fora, e por quê
Começando do zero, com aporte pequeno e recorrente ETF amplo de índice e Tesouro Selic, que é a regra que eu dou para quem está no primeiro degrau ação individual e fundo imobiliário, porque quem está começando ainda não sabe diversificar
Já com repertório para escolher empresa ações individuais, respeitando o piso de 3 classes de ativos diferentes na carteira comprar uma, duas ou três ações e chamar isso de carteira, que é concentração e não diversificação
Patrimônio grande, na casa dos milhões filtro de liquidez mínima, seleção por critério objetivo e fatia internacional ativo pouco líquido, porque o teu próprio tamanho move o preço da tela e isso é custo, o slippage

Os ativos que eu nomeio aqui demonstram o método e não são indicação de compra.

Quantos ativos são suficientes?

Diversificar não é ter muitas coisas, é ter coisas que não se movem juntas.

Então a resposta para você aqui é, para você diversificar uma carteira de verdade, você precisa entre 10 e 15 ações, tá bom?

10 a 15
ações: o número que eu dou para diversificar de verdade dentro da classe, na fala de novembro de 2023

Mas o número sozinho engana, porque o que faz o risco cair é a correlação perto de zero. Correlação é o quanto dois ativos se movem na mesma direção.

Uma coisa que passa batido: o risco do próximo ativo que você vai botar na tua carteira de investimentos, ele está relacionado em como que esse ativo que você vai adicionar, ele vai se comunicar com o resto da tua carteira.

Se você vai adicionar o Banco do Brasil na tua carteira e na tua carteira já tem Itaú, já tem Bradesco, já tem Santander, já tem outros bancos, você adiciona o Banco do Brasil, isso não está diminuindo muito o risco da tua carteira. O quinto banco é a quinta cópia do mesmo risco.

E pode parecer uma coisa simples de versificar, mas muitas pessoas confundem o diversificar com o proteger e também pulverizar a carteira, perfeito?

Por isso o degrau que importa não é somar mais ação: o ideal mesmo é que você diversifique a tua carteira através do quê? De classes de ativos.

O que muda com a Selic?

O momento de juros não muda o método, muda qual título da renda fixa cumpre melhor o papel dela na carteira.

Título atrelado à taxa Selic é um título majoritariamente pós-fixado, ou seja, é bom a gente comprar quando os juros estão subindo. Ele acompanha a alta em vez de ficar preso a uma taxa velha.

Do outro lado do ciclo está o título prefixado: a gente vai se beneficiar mais dele no momento de queda do juros, tá bom? Porque a taxa que você travou lá atrás passa a valer mais que a do mercado.

Pós-fixado e prefixado: como cada um se comporta e quando cumpre melhor o papel na carteira
Tipo de título Como a remuneração se comporta Quando ele cumpre melhor o papel na carteira
Pós-fixado, atrelado à Selic acompanha a taxa enquanto ela anda, em vez de ficar preso a um número travado lá atrás quando os juros estão subindo, que é quando eu digo que é bom comprar
Prefixado trava hoje a taxa que vai valer até o vencimento, aconteça o que acontecer com a Selic depois no momento de queda de juros, porque a taxa travada passa a valer mais que a do mercado

E o efeito não para na renda fixa. Quanto mais alto o juro sem risco, mais alta fica a régua que a renda variável precisa superar para valer a pena.

Em que patamar a Selic está hoje eu não escrevo aqui, e por um motivo simples: esse número muda a cada reunião do Copom, e é no Banco Central que você confere o que vale hoje. Previsão de para onde o juro vai, nenhuma.

Como eu compro o primeiro ativo?

Comprar o primeiro ativo são cinco passos, e é neste ponto que a estratégia vira clique. Porque se eu não souber como é que eu vou fazer essa transação, como é que eu vou botar em prática isso?

  1. Escolher uma corretora e abrir a conta, o que inclui responder o questionário de suitability que a seção do perfil já explicou.
  2. Transferir o dinheiro da conta do banco para a conta da corretora e esperar ele aparecer como saldo disponível.
  3. Abrir o home broker, que é a tela de negociação da corretora, e localizar o ativo pelo código.
  4. Preencher a ordem. Vamos dizer aqui que eu quero comprar ações da Petrobras. Botei aqui o código da Petrobras, botei o preço e eu vou lá e vou apertar compra.
  5. Conferir a execução na custódia e guardar a nota de corretagem, que é o documento do imposto lá na frente.

A ordem de venda tem o mesmo caminho.

Isso aqui eu tô fazendo todo o processo do início ao fim de como que você inicia no mundo dos investimentos.

Para onde vai o aporte do mês?

Carteira não é a divisão de um bolo que você já tem, é o que você faz com o dinheiro que entra todo mês.

A mecânica é sempre a mesma, e eu faço na frente da câmera em quatro movimentos: soma o que entrou com o que sobrou do período anterior, reserva uma folga para custo, escolhe a peça do mês dizendo em voz alta por que é aquela e compra a quantidade inteira que couber.

1%
do aporte: a folga que eu sempre reservo para custo antes de comprar, na fala de novembro de 2023

Eu sempre adiciono um por cento para custos, somei aqui os 246 reais e 44 centavos com 79 centavos que sobraram do período passado.

R$ 246,44o que entrou no aporte
R$ 0,79a sobra do período passado
A peça do mêsa quantidade inteira que couber

A sobra que não deu para comprar cota inteira fica em caixa e entra no aporte seguinte, sem drama.

E tem um conselho popular que atrapalha mais do que ajuda: qualquer investidor qualquer influenciador professor que vier com essa ideia de que o aporte você tem que escolher a ação mais barata isso na maioria das vezes está errado. Preço baixo não é critério.

A ressalva é de quem já tem a carteira montada: Se você já tem uma carteira diversificada e você compra mais uma ação, é provável que você não esteja cometendo esse erro.

No mês em que não sobra nada, o aporte é zero e o plano continua de pé.

Quando mexer na carteira?

Rebalancear não é girar carteira, é devolver os pesos ao alvo quando eles saem dele. E existem dois gatilhos que funcionam:

Gatilho 01

Calendário

uma revisão por ano, com a carteira inteira na mesa, porque é importante que você repita esse ciclo ano a ano.

Gatilho 02

Desvio

quando uma peça passa de um limite de distância do peso-alvo que você definiu antes. E aí o critério pode ser a própria volatilidade: se a volatilidade da renda variável estiver maior, você vai diminuir a sua exposição a esse mercado. Se a volatilidade da classe estiver menor, você vai ter mais exposição.

Vamos dizer que o teu alvo numa classe era um terço da carteira e ela virou quase metade. O jeito mais barato de voltar quase nunca é vender, é mandar o aporte novo para a peça que ficou para trás, porque venda dispara imposto e custo e compra não dispara.

Preço médio, aliás, não é critério de nada. Você está vendo aqui que eu até aumentei o preço médio exatamente porque a gente não está apegado a esse tipo de informação.

Quanto some em imposto e taxa?

Rendimento bruto não paga conta nenhuma, e é por isso que imposto e taxa entram como decisão de projeto da carteira. Renda passiva tem que ter foco em pagar o mínimo de imposto possível.

Imagina que você tem um trabalho que você ganha um salário mínimo nele. Só que só para se deslocar para esse trabalho você gasta mil reais.

É assim que uma taxa pequena come um retorno inteiro ao longo dos anos.

Por isso eu sugiro que você nunca invista em fundos caros. É aqueles que cobram 2% de administração, 20% de performance, eu sou totalmente contra esse tipo de investimento por causa do custo.

2%
de administração: a taxa do fundo caro que eu digo para nunca comprar, na fala de outubro de 2021
20%
de performance, no mesmo fundo caro e na mesma fala

Do lado do imposto, a alíquota muda com a classe do ativo e com a origem do retorno, e o quadro abaixo separa o que ele pega do que ele deixa passar.

O que o imposto pega e o que ele deixa passar, por origem do retorno
Origem do retorno O que o imposto pega O que fica de fora
Ganho na venda de ação 15% sobre o lucro líquido, na fala de julho de 2023 vendas até 20 mil reais por mês, e isso tem que entrar no teu planejamento
Fundo imobiliário o ganho de capital na venda da cota o rendimento distribuído, sob três condições: fundo negociado em bolsa, mínimo de 50 cotistas e cotista com menos de 10% das cotas
Dividendo de ação americana 30% lá nos Estados Unidos, e não zero como muita gente supõe nada nesse caso, porque a retenção é na origem
Venda de ativo no exterior o ganho apurado acima do limite mensal vendas até 35 mil reais dentro de um mês
Renda fixa isenta para pessoa física nada: letra de crédito imobiliário, letra de crédito do agronegócio, certificado de recebível imobiliário e letra de investimento garantida não pagam o CDB, que fica de fora dessa lista e é tributado
Giro da carteira cada venda antecipa um imposto que poderia continuar trabalhando dentro da carteira nada, porque não existe isenção para quem compra e vende o tempo todo, e o que se perde é o diferimento

E existe um custo invisível que quase ninguém conta: então se você fica comprando e vendendo, comprando e vendendo, comprando e vendendo, você não consegue fazer o deferimento.

Cada número do quadro é o que eu digo em 2023, e a regra vigente você confere na Receita Federal.

E quando a carteira cai?

A carteira vai cair, e o problema quase nunca é a queda: é o que ela faz com quem está olhando.

A gente tende a pesar o prejuízo duas vezes mais do que o lucro. Então a gente quer evitar a todo custo ter um prejuízo. Porque a gente vê o ganho emocional de um lucro menos intenso do que a perda emocional com prejuízo.

2 vezes
o peso que a gente dá ao prejuízo em relação ao lucro, e é ele que faz o plano ser abandonado

E a conta desandada aparece nas duas pontas. O nosso corpo, ele quer realizar rápido demais os lucros, e do outro lado segura posição ruim contando uma história para si mesmo.

O antídoto não é força de vontade, é ter escrito antes o que você não faz, numa lista curta. Então esses aqui são os meus limites isso aqui eu não brinco tá bom:

01

Aposta esportiva

02

Opções binárias

03

Day trades

04

Alavancagem por termo

Limite declarado no dia calmo decide sozinho no dia ruim.

E o desenho da carteira também precisa contar com a falha: cara, você vai errar alguma hora como investidor e a tua renda passiva tem que ter uma margem de segurança.

Se a queda pegar você num mês sem entrada de dinheiro, quem segura é a reserva, não a venda no fundo.

FAQ: perguntas frequentes sobre montar carteira

Com quanto dá para montar uma carteira do zero?

Com o que você consegue guardar todo mês, e o valor importa menos do que a regularidade.

A carteira que eu abro em público começou literalmente do zero e cresce com aporte semanal pequeno, com a conta feita na tela: converte, soma a sobra do período anterior, reserva um por cento para custo e compra a quantidade inteira que couber. O que sobra fica em caixa para o aporte seguinte.

O que trava quem começa não é o valor. É não ter reserva antes e não ter destino definido para o aporte.

Preciso ter reserva de emergência antes de montar a carteira?

Sim, e antes de qualquer exposição a renda variável.

A reserva fica em aplicação de liquidez diária e risco baixo, e o tamanho depende de duas coisas: quão previsível é a tua renda e quantas pessoas dependem dela. Renda estável puxa para a ponta de baixo da faixa; faturamento que oscila ou dependente em casa puxa para a ponta de cima.

A faixa em meses e o produto onde a reserva mora eu não escrevo aqui. Isso é assunto inteiro da página de reserva de emergência, e é para lá que eu te mando.

Quantas ações eu preciso ter para estar diversificado?

Para você diversificar uma carteira de verdade, você precisa entre 10 e 15 ações, tá bom?

Só que o número sozinho engana: o que derruba o risco é a correlação perto de zero entre os ativos, não a contagem. Se a tua carteira já tem quatro bancos, somar o quinto não diminui quase nada, porque é a quinta cópia do mesmo risco.

Diversificar de verdade acontece quando você distribui entre classes de ativo diferentes, não quando você soma mais uma ação parecida com as que já estão lá.

Posso copiar uma carteira pronta da internet?

Copiar a lista sem entender a premissa é o caminho mais rápido para abandonar a carteira na primeira queda.

Eu mesmo já mostrei carteira montada na tela e emendei dizendo que não faria isso se a pessoa não entendesse as premissas por trás. Prazo, perfil e tamanho de patrimônio mudam a resposta inteira: a carteira de quem tem trinta anos pela frente não serve para quem vai usar o dinheiro em quatro.

Eu entrego o método. A alocação sai dele, e ela é tua, não minha.

Quando eu devo rebalancear a carteira?

Por calendário ou por desvio, e nunca por impulso.

Calendário é uma revisão por ano com a carteira inteira na mesa, repetindo o ciclo ano a ano. Desvio é quando uma peça passa do limite de distância do peso-alvo que você definiu antes, e a volatilidade da classe serve de gatilho.

O jeito mais barato de voltar ao alvo quase sempre é mandar o aporte novo para a peça que ficou para trás, em vez de vender a que subiu. Venda dispara imposto e custo, compra não dispara.

Quanto eu pago de imposto na carteira?

Depende da classe do ativo e da origem do retorno.

Ganho de capital, dividendo, rendimento de fundo imobiliário e rendimento no exterior seguem regras diferentes, e o quadro da seção de imposto separa o que a Receita pega do que ela deixa passar.

O que quase ninguém conta é o custo do giro: cada venda antecipa um imposto que poderia continuar trabalhando dentro da carteira, então comprar e vender o tempo todo destrói o diferimento.

Os números que eu cito são a fala de 2023, e a regra em vigor você confere na Receita Federal antes de declarar.

Sou o Hulisses Dias, conhecido como o Tio Huli, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC e sujeito à Resolução CVM nº 20, de 25/02/2021.

Estou no mercado desde 1999 e o assunto em que eu mais me aprofundei é opções. Eu faço questão de separar as duas datas, porque a experiência como investidor é de 1999 e a credencial de analista é de 2020.

O que muda a conversa é a minha posição: eu não custodio dinheiro de cliente, eu não recebo corretagem e eu não distribuo produto de terceiros.

É essa posição que me deixa dizer que um fundo com taxa alta custa demais para o que entrega: não existe comissão nenhuma do outro lado dessa frase.

Eu escrevi Investir é Sobre Gente (Interminds, 2025) e eu publico no canal @tiohuli, onde a carteira que eu montei para a minha filha é aberta em público, aporte por aporte, com os erros na frente da câmera.

Hulisses Dias
Analista CNPI · APIMEC

Quem assina

Hulisses Dias

Analista independente · No mercado desde 1999 como investidor

Declaração de independência nos termos do art. 21, I da Resolução CVM nº 20/2021. Sobre o analista

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