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Quanto rende R$ 1 milhão: a conta, passo a passo

R$ 1 milhão não rende um número fixo. Rende a taxa do teu papel aplicada sobre o milhão, menos o degrau de imposto do prazo em que você sacar.

Atualizado em agosto/2026 0,59% ao mês é 7,16% ao ano dividido por 12 Nenhuma taxa vigente publicada aqui
Resposta direta

A conta é a mesma que eu faço em voz alta no episódio: se a gente pegar aqui 7,16% e dividir por 12, a gente está falando de 0,59% de rentabilidade. Conta de padeiro. E é ela que a calculadora da seção seguinte automatiza.

A taxa em si eu não publico aqui. Ela muda a cada reunião do Copom, e esta página não carrega dado de mercado.

Quanto rende R$ 1 milhão?

O número que vale para você mora em dois lugares: na taxa contratada do teu título e na página do Banco Central.

O que eu carimbo é o resto: os quatro degraus do imposto, o teto do fundo garantidor e a conta de quanto dá para tirar por ano sem comer o principal.

0,59% ao mês
o que 7,16% ao ano viram quando eu divido por 12
15%
o degrau mais baixo do imposto de renda da renda fixa, que só chega no prazo mais longo

Nada disto é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade, tá?

Como refazer a conta com outra taxa?

Troca os quatro campos da calculadora aqui embaixo e a conta do milhão refaz sozinha: valor aplicado, taxa anual do teu título, prazo em meses e o degrau de imposto que o prazo determina.

A ferramenta roda no teu navegador. Não pede cadastro e não manda dado para lugar nenhum.

Nenhum campo vem pré-preenchido com taxa, e isso é decisão, não esquecimento. Taxa muda a cada reunião do Copom e esta página não carrega dado de mercado.

A taxa que vale para você é a taxa contratada que está no teu extrato, no teu contrato ou na proposta que você tem na mão. O patamar geral você lê na página do Banco Central.

Calculadora do milhão
Degrau de imposto de renda
Rendimento bruto no prazo, sobre a taxa que você digitou
Equivalente ao mês, a taxa dividida por 12
Imposto de renda no degrau selecionado
Líquido no prazo

Premissa em uso: R$ 1.000.000,00 aplicado, 12 meses corridos, juro simples sobre o período, degrau de 20%. Digite a taxa contratada do teu título para a conta rodar — enquanto o campo estiver vazio eu não mostro número nenhum, porque esta página não carrega taxa de mercado. Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.

O mecanismo é o mesmo que eu uso no quadro: pega a taxa ao ano, divide por 12 e você tem o equivalente ao mês. É assim que a linha de 12% ao ano da tabela vira 1% ao mês.

Só que olhar só o marginal temporal não serve. A taxa que você digitar hoje é a taxa de hoje, não a dos próximos dez anos.

A tabela abaixo já roda seis hipóteses, para quem não quer digitar nada. O resultado é ilustração da premissa que você digitou, nunca previsão do que vai acontecer, tá?

Seis hipóteses de taxa anual aplicadas a R$ 1 milhão por doze meses, com o líquido nos dois degraus extremos do imposto de renda
Taxa anual da premissa Equivalente ao mês Bruto de R$ 1 milhão em 12 meses Líquido no degrau de 22,5% Líquido no degrau de 15%
6,00% ao ano0,50% ao mêsR$ 60.000,00R$ 46.500,00R$ 51.000,00
7,16% ao ano0,59% ao mêsR$ 71.600,00R$ 55.490,00R$ 60.860,00
8,89% ao ano0,74% ao mêsR$ 88.900,00R$ 68.897,50R$ 75.565,00
9,50% ao ano0,79% ao mêsR$ 95.000,00R$ 73.625,00R$ 80.750,00
10,00% ao ano0,83% ao mêsR$ 100.000,00R$ 77.500,00R$ 85.000,00
12,00% ao ano1,00% ao mêsR$ 120.000,00R$ 93.000,00R$ 102.000,00

Premissa da tabela: R$ 1 milhão aplicado, doze meses corridos, juro simples sobre o período e as seis taxas anuais que eu declarei como hipótese em voz alta nos meus episódios: a poupança a 6%, as duas carteiras a 7,16% e 8,89%, os 95% de um CDI a 10%, o CDI redondo a 10% e o 1% ao mês que vira 12% ao ano pela mesma divisão. Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.

Onde o mesmo milhão rende mais?

O mesmo milhão rende mais onde o devedor é mais arriscado e onde o imposto não morde. E é isso que você compara antes de comparar taxa.

Vou falar aqui somente aqueles títulos de renda fixa que eu colocaria na minha carteira, na carteira da minha filha, da minha esposa.

A tabela abaixo põe Tesouro Selic, Tesouro IPCA+, CDB de banco grande, CDB de banco pequeno, LCI e LCA, fundo de renda fixa e debênture incentivada lado a lado. Não pelo rendimento, que muda toda semana, mas pelas três coisas que decidem antes dele: quem é o devedor, se paga imposto e o que eu penso de cada um.

Sete produtos de renda fixa comparados por devedor, tratamento de imposto de renda e o veredito do analista
Produto Quem é o devedor Imposto de renda O que eu digo sobre ele
Tesouro Selico governo federaltributado pela tabela regressivaé emprestar para o governo com o retorno atrelado à Selic, e é onde eu deixo o dinheiro que precisa estar acessível
Tesouro IPCA+o governo federaltributado pela tabela regressivapaga uma taxa fixa mais a variação do IPCA, e é o papel que protege poder de compra no prazo longo
CDB de banco grandeo banco emissortributado pela tabela regressivaquanto maior o banco mais seguro ele é, então ele vai te pagar menos rentabilidade
CDB de banco pequenoo banco emissortributado pela tabela regressivaprêmio muito acima da média é preço de risco, e eu mantenho o saldo por emissor abaixo do teto do fundo garantidor
LCI e LCAo banco emissorisento de imposto de rendapode pagar percentual menor do CDI e ainda entregar mais no bolso, porque o líquido vira a favor do isento
Fundo de renda fixao gestor, sobre uma carteiratributado pela tabela regressivatem fundo cobrando de meio a um por cento de taxa de administração para botar o dinheiro no Tesouro Selic
Debênture incentivadaa empresa emissoraisento de imposto de rendaeu descarto por falta de mercado secundário, porque alta liquidez é um dos meus cinco princípios

Quanto maior o banco mais seguro ele é, então ele vai te pagar menos rentabilidade. Prêmio alto é preço de risco, não presente, e eu só quero que você tenha noção que nada disso é vindo de graça. Então você vai ter que ser capaz de avaliar esses riscos, tá bom?

Eu não recebo comissão de nenhum desses produtos, e é por isso que esta tabela pode dizer qual deles paga mal.

Para saber quanto cada um rende no teu caso, pega a taxa contratada que a instituição te oferece e roda na calculadora da seção anterior.

Vídeo: guia definitivo de renda fixa, o episódio que sustenta as sete linhas desta tabela.

De onde sai esse rendimento?

O rendimento de um pós-fixado sai de uma cadeia de três elos: o Copom define a Selic, o CDI anda praticamente colado nela, e o teu título paga um percentual desse CDI.

Por que o CDI cola na Selic? Porque senão o banco ia pegar dinheiro emprestado e emprestar dinheiro para o governo e isso tudo ia ficar atrapalhado. O CDI é o certificado de depósito interbancário, que é o custo do dinheiro entre bancos.

A cadeia de três elos, do Copom até o percentual que o teu papel paga
a cadeia que liga o Copom, a Selic, o CDI e o percentual que o título paga Quatro nós alinhados numa única linha horizontal e ligados na ordem. O Copom define a Selic; o CDI anda colado na Selic; o teu título paga um percentual desse CDI. O diagrama não traz nenhum número, porque esta página não publica taxa vigente. Copom Selic CDI O teu título

Quem define o quê, na ordem: o Copom define a taxa básica, o interbancário cola nela, o CDI é o custo do dinheiro entre bancos, e o teu título paga um percentual do CDI. Diagrama esquemático, sem escala e sem número. Esta página não publica Selic nem CDI vigentes: o patamar do dia está na página do Banco Central, e a taxa que decide o teu caso está no teu contrato.

Na prática

E 95% do CDI quer dizer literalmente 95% daquele número. Vamos falar que o CDI está em 10% ao ano. Pagar 95% do CDI significa que você vai ter uma taxa de 9,5% ao ano.

10,0%CDI da hipótese, dito no episódio 95%do CDI que o papel promete 9,5%ao ano, antes do imposto

Os 10% são hipótese declarada em voz alta no episódio, não o CDI de hoje. Troque pelo número que você ler e a conta segue igual.

É essa cadeia que faz o rendimento do milhão mudar sem você mexer em nada. Se o Copom baixa o juro, a mesma aplicação passa a render menos, e qualquer número escrito meses atrás envelhece sozinho.

Por isso eu não carimbo taxa nesta página. Eu carimbo a cadeia e deixo a calculadora aberta para você rodar o cenário de juro mais baixo.

Quanto o Imposto de Renda leva?

A alíquota de imposto de renda da renda fixa cai conforme o dinheiro fica parado, e o degrau em que você resgata muda o líquido do milhão.

Nos primeiros seis meses, depois de seis meses é um ano, ela vai para 20%, depois ela cai para 17,5% e ela acaba lá numa alíquota de 15%.

Lucro bruto é o retorno que te oferecem antes mesmo de você ter que pagar o teu imposto de renda. E é o líquido que decide.

Sobre R$ 1 milhão a diferença entre o primeiro e o último degrau é de 7,5 pontos percentuais do rendimento — para saber quanto isso é em reais no teu caso, pega a linha da tabela de hipóteses da Seção 2 que corresponde à taxa do teu papel e compara as duas últimas colunas, que são exatamente esses dois degraus. Porque o jogo de ficar rico é o jogo de pagar menos imposto dentro da lei.

Alíquota é regra, e regra muda por norma: os degraus abaixo são os que eu recito no meu guia de renda fixa.

Os quatro degraus da tabela regressiva de imposto de renda da renda fixa e o que sobra de cada R$ 100 de rendimento bruto
Prazo até o resgate Alíquota sobre o rendimento O que sobra de cada R$ 100 de rendimento bruto
Nos primeiros seis meses22,5%R$ 77,50
De seis meses a um ano20%R$ 80,00
Passado um ano17,5%R$ 82,50
No prazo mais longo15%R$ 85,00
7,5 pontos
a diferença de alíquota entre o primeiro e o último degrau da tabela regressiva

Fora do imposto de renda ainda existem dois custos que eu não quantifico aqui: o IOF de quem resgata muito cedo, cuja alíquota está na norma da Receita Federal, e a taxa de custódia, que está na tabela da tua corretora.

LCI isenta ganha do CDB tributado?

A LCI isenta ganha do CDB tributado na maior parte dos casos, e a conta que mostra isso é de uma linha só: o isento precisa pagar 100% menos a alíquota do degrau para empatar com um tributado que paga 100% do CDI.

Então, se a gente está falando de um título que ele está pagando 100% do CDI, mas paga imposto de 15%, se eu tiver uma LCI ou uma LCA que paga às vezes 95% do CDI, o isento passa folgado.

O ponto de empate

No degrau de 15% o ponto de empate é 85% do CDI. Nos degraus mais altos ele cai para 82,5%, 80% e 77,5%.

77,5%empate no degrau de 22,5% 80,0%empate no degrau de 20% 82,5%empate no degrau de 17,5% 85,0%empate no degrau de 15%

Leitura: um isento que paga acima do percentual do CDI da linha entrega mais no bolso que um tributado a 100% do CDI naquele degrau.

Ou seja, quanto mais cedo você resgata, mais o isento ganha, porque a alíquota do tributado é maior justamente no começo. Sobre R$ 1 milhão isso deixa de ser detalhe.

A mesma lógica de isenção vale para o ETF de crédito privado negociado em bolsa: ele tem isenção de imposto de renda sobre os dividendos e também sobre os ganhos de capital. Você pode comprar ele e vender ele sem nenhum tipo de imposto, pessoa física.

Isento não quer dizer sem risco de emissor, tá? Continua sendo o banco que te deve.

Em quanto tempo o milhão dobra?

O tempo até o milhão dobrar depende inteiramente da taxa, e é por isso que a tabela abaixo tem seis linhas em vez de um número: a 6% ao ano o milhão leva quase doze anos para dobrar, a 10% leva pouco mais de sete e a 12% leva pouco mais de seis.

Deixando o dinheiro parado e reinvestindo tudo, o saldo cresce por dois canais. O juro compõe sobre um valor cada vez maior, e a alíquota de imposto vai caindo de degrau conforme o prazo passa.

Vamos dizer que a taxa fique onde está. Isso é hipótese, não previsão.

No episódio de janeiro de 2026, o patamar de juro do momento só entrou na conversa com a ressalva colada de que o mercado erra sistematicamente a própria previsão. Guarda daquele episódio a ressalva, nunca o patamar.

Saldo de R$ 1 milhão em um, três e cinco anos e tempo até dobrar, em seis hipóteses de taxa anual
Taxa anual da premissa Saldo em 1 ano Saldo em 3 anos Saldo em 5 anos Anos até o saldo dobrar
6,00% ao anoR$ 1.060.000,00R$ 1.191.016,00R$ 1.338.225,5811,9 anos
7,16% ao anoR$ 1.071.600,00R$ 1.230.546,74R$ 1.413.069,5110,0 anos
8,89% ao anoR$ 1.088.900,00R$ 1.291.112,23R$ 1.530.875,918,1 anos
9,50% ao anoR$ 1.095.000,00R$ 1.312.932,38R$ 1.574.238,747,6 anos
10,00% ao anoR$ 1.100.000,00R$ 1.331.000,00R$ 1.610.510,007,3 anos
12,00% ao anoR$ 1.120.000,00R$ 1.404.928,00R$ 1.762.341,686,1 anos

Premissa da tabela: R$ 1 milhão aplicado, nada sacado, juro composto anual sobre a taxa hipotética de cada linha, sem imposto e sem inflação descontados — o imposto está na Seção 5 e a inflação na Seção 8. Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.

Plano de dez anos feito em cima do juro de hoje é plano frágil. E a linha de baixo da tabela custa caro: o principal custo de você ter uma má alocação em ativos que não performam bem é o custo de oportunidade.

Vídeo: como investir R$ 1 milhão em 2026, o episódio de janeiro de 2026 de onde vem a ressalva sobre previsão de juro.

O que sobra depois da inflação?

Do rendimento do milhão sobra menos do que o extrato mostra, e o que revela isso é uma subtração.

O lucro nominal é quando você está contando a inflação, depois que a gente falar que a inflação foi X e tal, você vai subtrair isso do valor total e você vai ter o teu rendimento real.

Aplicada ao milhão, a diferença é grande. Um saldo que dobra em cinco anos no nominal pode valer bem menos em poder de compra.

A inflação ela é uma praga, assim, queima do dinheiro em câmera lenta ao longo do tempo.

O mesmo episódio de outubro de 2025 vai mais longe no horizonte: R$ 10 milhões de hoje e R$ 10 milhões daqui a 30 anos são coisas totalmente diferentes, e ninguém sabe qual vai ser a inflação do período.

A operação

Por isso eu não publico um número de inflação aqui. O que eu te dou é a operação: pega a taxa que você digitou na calculadora, subtrai a leitura de IPCA que você conferir, e o que sobrar é o teu ganho real.

taxaa que você digitou na calculadora IPCAa leitura que você conferir na fonte ganho realo que sobra em poder de compra

Nenhuma das três caixas carrega valor: esta página não publica índice de inflação, e a inflação dos próximos anos ninguém conhece.

R$ 1 milhão cabe no FGC?

R$ 1 milhão não cabe num emissor só. Inteiro num CDB de um único banco, o milhão fica majoritariamente descoberto, e a saída é aritmética.

Mas eu tenho uma coisa chamada fundo garantidor de crédito, que é um seguro dos bancos, que é privado, não é algo governamental, que segura até 250 mil reais por CPF. E existe um segundo teto de 1 milhão no sistema.

R$ 250 mil
por CPF por instituição — o teto que eu cito nos dois episódios de 2025, e que muda por resolução do próprio fundo

Vai cinco instituições para botar menos de 250 mil reais, vamos botar aqui 150 mil, você tem seis instituições, você consegue botar 900 mil ali com um retorno maior isento de imposto de renda e aí a gente vai poder jogar com essa segurança, tá?

Quanto de R$ 1 milhão fica dentro do teto declarado do fundo garantidor conforme o número de emissores
Número de emissores Valor por emissor Total dentro do teto declarado Fatia do milhão fora da cobertura
1 emissorR$ 1.000.000,00R$ 250.000,00R$ 750.000,00
2 emissoresR$ 500.000,00R$ 500.000,00R$ 500.000,00
3 emissoresR$ 333.333,33R$ 750.000,00R$ 250.000,00
4 emissoresR$ 250.000,00R$ 1.000.000,00R$ 0,00
5 emissoresR$ 150.000,00R$ 750.000,00R$ 250.000,00
6 emissoresR$ 150.000,00R$ 900.000,00R$ 100.000,00

Premissa da tabela: os dois tetos que eu citei nos episódios de abril e maio de 2025, R$ 250 mil por CPF por instituição e R$ 1 milhão no sistema. As linhas de cinco e seis emissores reproduzem a conta que eu faço em voz alta, com R$ 150 mil por emissor. O teto vigente muda por resolução do próprio fundo.

E tem o detalhe que quase ninguém publica, registrado no episódio de janeiro de 2026 sobre alocar R$ 1 milhão: acionado o fundo, ele devolve o principal mas não paga o rendimento do período em que o teu dinheiro ficou preso. Isso é custo que se acumula.

Esses dois tetos são os que eu disse em 2025 e mudam por resolução. O valor de hoje está no site do próprio fundo.

Vídeo: o que fazer com um CDB de banco em estresse, o episódio de abril de 2025 que dá os dois tetos do fundo garantidor.

E se eu precisar sacar antes?

Quem resgata um prefixado ou um Tesouro IPCA+ antes do vencimento recebe o preço do dia, não a taxa contratada. E o mecanismo tem nome: uma coisa chamada marcação a mercado, que é o ajuste do preço de um ativo a um novo ambiente de risco.

E aí quanto mais longo esse título, maior vai ser esse sobe e desce. Quanto mais curto for esse título, mais suave vai ser esse sobe e desce.

O preço do dia contra a taxa contratada, da compra até o vencimento
Título longo — sobe e desce maior Título curto — sobe e desce mais suave
eu sigo a marcação a mercado de um título: o preço oscila acima e abaixo da linha plana da taxa contratada e volta a encostar nela no vencimento, e no meio do caminho um vão separa as duas O preço do dia sai da linha reta da taxa contratada logo depois da compra, desce, sobe acima dela e volta a tocá-la no vencimento. A curva do título longo se afasta mais da reta que a do título curto. Quem vende no ponto mais baixo recebe o preço do dia, não a taxa contratada. O eixo não traz número. Taxa contratada Preço do dia Compra Vencimento

No ponto mais baixo da curva, quem vende aqui recebe o preço do dia, não a taxa contratada. O tamanho do vão depende do papel e do dia. Esta página não publica número de deságio — o corpus dá o mecanismo e a regra de prazo, nunca uma magnitude.

Levado até o vencimento, o título entrega a taxa que você contratou. Resgatado no meio do caminho, entrega o preço do dia, que pode ser menor.

Por isso os meus cinco princípios para investimentos começam por diversificação e alta liquidez. O que é o mercado secundário? É eu conseguir chegar ali antes do vencimento e vender aquilo para alguém. Papel que não tem isso eu descarto.

A lista abaixo separa o que dá para transformar em dinheiro amanhã do que só vira dinheiro no vencimento.

  • Liquidez diária Tesouro Selic, que é onde eu deixo o dinheiro que precisa estar acessível. Tesouro IPCA+ e prefixado também vendem todo dia, só que ao preço do dia.
  • Com carência CDB, LCI e LCA de prazo fechado. Tem uma data antes da qual o emissor não devolve, e ela está no contrato, não no anúncio.

Só no vencimento, na prática

Debênture incentivada e qualquer papel sem mercado secundário. Não tem para quem vender antes, e é por isso que eu descarto.

Antes de travar R$ 1 milhão em qualquer papel, confere carência, vencimento e se o emissor recompra.

Dá para viver de renda com isso?

Dá para viver de renda com R$ 1 milhão, mas a pergunta certa não é quanto o milhão rende por mês. É quanto dá para tirar por ano sem comer o principal.

Mas assim, não é com 300 mil que você vai viver de renda, não é com 500 mil que você vai viver de renda. Com R$ 1 milhão a conversa muda de figura, e o número que muda tudo é a taxa de retirada.

Que se você trabalhar com essa probabilidade de 4%, você tem uma chance de até 30% desse teu plano falhar. E a chance de falhar cai junto com a retirada: quando a gente tem uma taxa de gasto por volta de dois e meio por cento num plano de 30 anos, essa taxa ela cai para 10%.

A sabedoria ou o conservadorismo, ele faz com que a gente chegue à conclusão que gastar 2% do nosso patrimônio por ano é algo razoável. A régua do canal aponta para o mesmo lugar, e ela veio dos episódios de carteira previdenciária, onde a gente chegou à conclusão que você tem que ter 500 vezes o valor que você quer por mês para que você possa ter uma sustentabilidade nisso.

2% ao ano
a taxa de retirada que eu considero razoável no fecho do episódio
Cinco níveis de taxa de retirada aplicados a R$ 1 milhão de patrimônio
Taxa de retirada ao ano Quanto sai de R$ 1 milhão por ano O que o episódio diz sobre esse nível
4,00% ao anoR$ 40.000,00chance de até 30% de o plano falhar num horizonte longo
3,00% ao anoR$ 30.000,00o patamar que o episódio associa a portfólio com diversificação internacional
2,50% ao anoR$ 25.000,00a probabilidade de falha cai para 10% num plano de 30 anos
2,40% ao anoR$ 24.000,00é o que a regra de bolso das 500 vezes devolve sobre R$ 1 milhão
2,00% ao anoR$ 20.000,00o patamar que eu considero razoável no fecho do episódio

Premissa da tabela: R$ 1 milhão de patrimônio e a retirada do primeiro ano calculada sobre ele. Taxa de retirada não é rendimento e não é promessa de renda.

Nada disso é promessa de renda. É taxa de retirada com premissa declarada, para o teu patrimônio não derreter.

Vídeo: regras para a aposentadoria, o episódio de dezembro de 2024 que sustenta as cinco linhas da tabela de retirada.

FAQ: perguntas frequentes sobre R$ 1 milhão

R$ 1 milhão num único CDB está coberto pelo FGC?

Não. Mas eu tenho uma coisa chamada fundo garantidor de crédito, que é um seguro dos bancos, que é privado, não é algo governamental, que segura até 250 mil reais por CPF, e há um segundo teto de 1 milhão no sistema.

Com o milhão inteiro num emissor só, três quartos ficam expostos ao risco daquele banco. A saída é pulverizar: cinco ou seis instituições com R$ 150 mil cada mantêm cada saldo bem abaixo do teto.

Esses valores são os que eu disse em 2025 e mudam por resolução. O vigente está no site do próprio fundo.

Quanto o Imposto de Renda tira do rendimento de R$ 1 milhão?

Depende de quanto tempo o dinheiro fica aplicado. Nos primeiros seis meses, depois de seis meses é um ano, ela vai para 20%, depois ela cai para 17,5% e ela acaba lá numa alíquota de 15%.

São 7,5 pontos percentuais do rendimento entre o primeiro e o último degrau. Quanto isso vira em reais depende da taxa do teu papel, e a tabela de hipóteses do alto da página já traz as duas pontas lado a lado em cada linha.

O imposto morde o rendimento, nunca o principal. Então quanto maior o rendimento, maior a mordida em reais, e é por isso que o prazo entra na decisão junto com a taxa.

Incide IOF se eu resgatar antes de 30 dias?

Existe cobrança de IOF sobre o rendimento em resgates muito curtos, e eu não publico a alíquota dela aqui.

O motivo é honesto: IOF não aparece em nenhum dos cinco vídeos que sustentam esta página, e não está no meu material de dados. Qualquer número que eu escrevesse seria memória, não fonte.

A alíquota vigente e a contagem de dias estão na norma da Receita Federal, e é lá que você confere antes de resgatar.

O que eu posso te dizer com fonte é o outro custo do resgate curto: o degrau mais alto da tabela regressiva, 22,5% sobre o rendimento nos primeiros seis meses.

O rendimento cai se a Selic cair?

Num pós-fixado, sim. O Copom define a Selic, o CDI anda colado nela e o teu título paga um percentual desse CDI.

Por que o CDI cola? Porque senão o banco ia pegar dinheiro emprestado e emprestar dinheiro para o governo e isso tudo ia ficar atrapalhado. Se o juro cai, a mesma aplicação passa a render menos sem você mexer em nada.

Num prefixado a taxa contratada não muda, mas aí entra o outro lado da moeda, que é a marcação a mercado se você precisar sacar antes do vencimento.

Dá para viver de renda com R$ 1 milhão?

Dá, na taxa de retirada certa. Que se você trabalhar com essa probabilidade de 4%, você tem uma chance de até 30% desse teu plano falhar.

A leitura mais conservadora chega em 2% ao ano, que sobre R$ 1 milhão são R$ 20.000,00 por ano.

A regra de bolso do canal aponta para o mesmo lugar: 500 vezes o valor que você quer por mês.

E o alerta que fecha o assunto é o de sacar cedo demais: você está comendo a semente daquilo que pode gerar um belo jardim para você no futuro. Taxa de retirada não é promessa de renda.

Os números desta página valem para sempre?

Não, e é por isso que eu não escrevi nenhuma taxa vigente aqui. Vou tentar resumir os eventos que a gente está vivendo agora em janeiro de 2026 e a única certeza que eu tenho é que esses eventos eles não serão relevantes em dezembro de 2026, tá?

O que envelhece é a taxa. O que não envelhece é a conta, os quatro degraus do imposto, o teto do fundo garantidor e a régua de retirada.

Pega a taxa contratada do teu papel, roda na calculadora do topo, e você tem o número do teu dia, não o de um artigo escrito meses atrás.

Quem assina

Sou o Hulisses Dias, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC e sujeito à regulação da Comissão de Valores Mobiliários.

Invisto com dinheiro próprio desde 1999, e o credenciamento como analista é bem posterior a isso.

Eu não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros. O que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.

É por isso que aqui cabe dizer que um CDB de banco pequeno paga prêmio de risco e não presente, e que um fundo de renda fixa cobra de meio a um por cento para fazer o que você faria sozinho no Tesouro Selic.

Eu escrevo e gravo sobre investimentos no canal do YouTube com 201 mil inscritos e no Instagram com 964 mil seguidores, e sou autor do livro Investir é Sobre Gente, publicado pela Interminds em 2025.

Nenhum número desta página é promessa de rentabilidade, como manda o art. 14, §1º da Resolução CVM nº 20/2021. E quando eu tiver posição num ativo tratado numa página, eu declaro o conflito ali mesmo.

eu, Hulisses Dias, de camisa preta, olhando para a câmera sobre fundo cinza neutro
Analista CNPI · APIMEC

Hulisses Dias · Analista independente · No mercado desde 1999 como investidor

Declaração de independência nos termos do art. 21, I da Resolução CVM nº 20/2021.

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