O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,44% até julho de 2026.
O IPCA, que é o Índice de Preços do Consumidor Amplo, ele é a inflação oficial do governo, é medido pelo IBGE — e a cesta que ele mede é a das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.
Quanto o IPCA acumulou em 12 meses?
Esse é o único acumulado vigente desta página, atualizado em agosto/2026, e o período vem escrito ao lado do valor em toda aparição.
O mesmo índice corrige o valor de um Tesouro IPCA+ e de um CDB IPCA+, e é o número que o Banco Central compara com a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional.
Um resultado mensal negativo reduz o acumulado de 12 meses sem torná-lo negativo, porque o acumulado carrega os outros onze meses junto.
O conceito de inflação e o efeito dela no teu bolso ficam em /blog/aprender/inflacao, tá?
O que é o IPCA e quem calcula?
O IPCA é o índice de preços do consumidor amplo. É a inflação oficial do Brasil.
Quem calcula é o IBGE, e ele calcula dois índices irmãos: o IPCA, para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, e o INPC, para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos.
A diferença entre os dois cabe em três linhas:
- A coleta é a mesma: os preços são levantados do mesmo jeito nos dois índices; o que muda é o público da cesta e, com ele, o peso de cada item no resultado.
- O IPCA é o índice da meta: é ele que a meta de inflação usa como referência, não o INPC.
- O IPCA é o que corrige título público: é o IPCA, não o INPC, que corrige o valor de um título público indexado à inflação.
Ou seja, quando você vê IPCA+ na tela da corretora, é esse índice, o da cesta de 1 a 40 salários mínimos, que vai entrar na tua remuneração. E é uma cesta média, de muita gente junto: não é a inflação que a gente vive no nosso dia a dia.
Daí a pergunta que eu deixo aqui: o quão importante é o IPCA na tua vida? Você tem que aprender a calcular a inflação do teu estilo de vida.
O conceito de inflação, o que ela é e como ela come o poder de compra, fica em /blog/aprender/inflacao.
Como o IBGE calcula o IPCA?
O IPCA sai de uma média ponderada de variações de preço, e o peso de cada item vem da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE.
Para montar essa média, o IBGE coleta cerca de 430 mil preços em 30 mil locais, em 13 áreas urbanas, todo mês.
Olha só como o número se forma, do começo ao fim:
- A POF define a cesta e o peso de cada item no orçamento das famílias.
- Os preços são coletados mês a mês, sempre nos mesmos locais.
- O preço de cada item é comparado com o do mês anterior, e a variação entra ponderada pelo peso.
- O resultado vira um número-índice.
É desse número-índice que saem as duas leituras que aparecem no noticiário: o resultado do mês e o acumulado de 12 meses.
E é ele também que entra na conta de correção monetária da seção "Como corrigir um valor pelo IPCA?", tá?
Quais grupos formam a cesta do IPCA?
A cesta do IPCA tem nove grupos:
- alimentação e bebidas
- habitação
- artigos de residência
- vestuário
- transportes
- saúde e cuidados pessoais
- despesas pessoais
- educação
- comunicação
O peso de cada grupo vem da POF, e é esse peso que decide quanto a alta de um item mexe no índice inteiro.
Em março de 2021 eu mostrei isso com preço na mesa. É ilustração histórica, nunca valor de hoje: Trouxe aqui alguns destaques dos componentes que fizeram o IPCA subir 5,2%. Eu trouxe aqui, o arroz subiu 69%.
Um item de peso pequeno pode subir muito e mexer pouco no índice. Um item de peso grande sobe menos e desloca o resultado inteiro.
O peso vigente de cada grupo e a contribuição de cada item no último resultado você lê na tabela do SIDRA, do IBGE, com o período de referência ao lado.
Quando sai o IPCA e o IPCA-15?
O IBGE divulga o IPCA de um mês por volta dos dias 8 a 11 do mês seguinte. A prévia, o IPCA-15, sai antes do índice fechado.
As três variantes, uma ao lado da outra:
IPCA
coleta o mês de referência inteiro, sai por volta dos dias 8 a 11 do mês seguinte, e é o índice oficial que corrige contrato e título indexado.
IPCA-15
é o IPCA com a coleta deslocada em meio mês. Vai da segunda metade de um mês à primeira metade do seguinte, com a mesma metodologia. Sai antes, e serve de prévia.
IPCA-E
é o IPCA-15 acumulado a cada trimestre.
Na prática, a escolha é simples: para acompanhar o mês antes do número oficial, você olha o IPCA-15; para corrigir contrato ou ler a taxa de um título indexado, você usa o IPCA fechado, tá?
A data exata da divulgação de cada mês está no calendário oficial de divulgação do IBGE.
Como ler a série do IPCA?
O IPCA acumulado em 12 meses soma o efeito dos últimos doze resultados mensais do índice, então cada mês entra na conta só na medida do próprio peso.
O acumulado vigente desta página é de 4,44% até julho de 2026, e o período acompanha o valor toda vez que ele aparece.
Daí saem três regras de leitura que evitam quase todo mal-entendido com a série.
Um IPCA mensal negativo reduz o acumulado de 12 meses, e não o torna negativo quando os outros onze meses são positivos.
O IPCA de um mês isolado não descreve o ano, porque um mês é um doze avos da conta.
E comparar dois acumulados do IPCA só faz sentido com o mesmo mês de referência nos dois: acumulado até julho se compara com acumulado até julho.
Nada disso é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade: é a aritmética do próprio índice.
A série do IPCA completa, mês a mês e ano a ano, está na tabela do SIDRA e nas séries históricas do IBGE. Esse número muda todo mês, e é lá que você confere o ano fechado.
Como corrigir um valor pelo IPCA?
Para corrigir um valor pelo IPCA, você divide o número-índice do mês final pelo número-índice do mês anterior ao inicial e multiplica o teu valor por esse fator.
No exemplo do próprio IBGE, com os números na mesa: R$ 1.000 corrigidos de setembro de 2012 a março de 2020 usam o fator 5.348,49 ÷ 3.512,04 = 1,5229, e viram R$ 1.522,90.
Os três passos da conta:
- Pegue os dois números-índice na tabela 1737 do SIDRA.
- Divida o do mês final pelo do mês anterior ao inicial: o resultado é o fator.
- Multiplique o valor original pelo fator.
O mês anterior ao inicial não é pegadinha: é ele que marca o preço de partida, antes de a correção começar a contar.
E se você não quiser fazer a conta na mão, a calculadora de correção do IBGE faz isso de graça, sem cadastro: abra a calculadora do IPCA no IBGE, informe o valor e as duas datas, tá?
Como a meta de inflação usa o IPCA?
O IPCA acumulado em 12 meses é o número que o Banco Central compara com a meta de inflação e com o intervalo de tolerância definidos pelo Conselho Monetário Nacional.
Os dois números que essa régua usa, com data: o acumulado está em 4,44% até julho de 2026, e a Selic está em 14,00% ao ano, meta vigente em 28/08/2026.
A meta é o que ancora o resto. Toda expectativa do mercado é baseada naquela meta de inflação. Esse processo ajuda também porque fica mais transparente a atuação do Banco Central na economia e ajuda o mercado a prever esses movimentos com mais tranquilidade.
O mecanismo é esse: quando o IPCA fica acima da meta, o Copom usa a Selic para puxar a inflação de volta.
A meta e a banda vigentes são fixadas por resolução do CMN e revistas periodicamente, e esta página não publica os dois valores porque eles não estão no material de referência daqui.
Você os consulta na resolução do CMN e na página de metas do Banco Central.
Como funciona um título atrelado ao IPCA?
Tesouro IPCA+, é um título onde você empresta dinheiro para o governo, mas ele vai te pagar a remuneração fixa, mais a variação do IPCA no período.
E esse é um título híbrido, na minha opinião. Então, porque ele mistura um pouco de pós-fixado com prêmio pré-fixado.
A taxa que aparece no app, aquele IPCA + X%, é o juro real contratado no dia da compra. O IPCA entra por cima dela, mês a mês.
O que separa os dois papéis é o fluxo. O Tesouro IPCA+ paga tudo de uma vez, no vencimento. O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais devolve parte da remuneração a cada seis meses, e recolhe imposto de renda em cada pagamento, pela tabela regressiva de 22,5% a 15% conforme o prazo.
Vídeo do canal: guia definitivo de renda fixa.
Ou seja, a remuneração contratada é a mesma; o que muda é quando o dinheiro chega na tua mão e quando o imposto sai. A tabela abaixo põe os dois lado a lado.
| Título | Fluxo de pagamento | Quando incide o imposto de renda | Para quem o fluxo serve |
|---|---|---|---|
| Tesouro IPCA+ | Paga o juro real contratado mais a variação do IPCA de uma vez, no vencimento | Uma vez, no resgate ou no vencimento, pela tabela regressiva: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360, 17,5% de 361 a 720 e 15% acima de 720 dias (fonte: Lei 11.033/2004, art. 1º) | Quem consegue deixar o papel até o vencimento e quer a remuneração somada de uma vez |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | Devolve parte da remuneração a cada seis meses e o restante no vencimento | Em cada pagamento semestral, pela mesma tabela regressiva, e de novo no resgate final | Quem quer receber o fluxo no caminho e aceita pagar o imposto a cada semestre |
IPCA + 7% é muito ou pouco?
IPCA + 7% quer dizer 7% de juro real por ano, por cima da variação do índice no período. Os 7% são contratados no dia da compra.
Quando o Tesouro Direto oferece um título para a gente, ele está dando a rentabilidade nominal. Só que isso não paga Coca-Cola no longo prazo, não paga hambúrguer no longo prazo. O que paga Coca-Cola e hambúrguer, o que dá poder de compra para o investidor é justamente o retorno real — e é esse retorno real que os 7% contratados representam.
Vamos dizer que a gente aplica R$ 10.000 a IPCA + 7% e que o IPCA do ano seja 4%. Esse 4% é premissa da conta, hipótese para a aritmética ficar visível:
- A gente multiplica os dois fatores: 1,07 × 1,04 = 1,1128.
- Chega a R$ 11.128 brutos em um ano, 11,28% nominais, dos quais 7% são ganho real.
- Do rendimento bruto sai imposto de renda de 22,5% a 15%, conforme o prazo.
- E sai também a taxa de custódia do Tesouro Direto, de 0,20% ao ano.
Os R$ 11.128 da conta são bruto, e lucro bruto é o retorno que te oferecem antes mesmo de você ter que pagar o teu imposto de renda.
Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade: é uma conta com premissa declarada.
E o 4% é premissa, não valor vigente: o acumulado está em 4,44% até julho de 2026. O efeito da inflação no teu poder de compra fica em /blog/aprender/inflacao.
Onde mais o IPCA aparece na renda fixa?
Além do Tesouro IPCA+, o IPCA indexa CDB, LCI, LCA e debênture, e serve de base para ETF que segue índice de títulos públicos atrelados à inflação.
Muita gente confunde que renda fixa é mais fácil. Na verdade, renda fixa é mais difícil, porque renda fixa é um contrato — e é no contrato de cada um desses papéis que estão a garantia, o prazo e o imposto.
No CDB, na LCI e na LCA, a garantia é uma coisa chamada fundo garantidor de crédito, que é um seguro dos bancos, que é privado, não é algo governamental, que segura até 250 mil reais por CPF — por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos. Debênture não tem FGC nenhum.
Cada produto propõe uma troca. A debênture incentivada troca tratamento tributário por liquidez menor, porque vender antes do vencimento depende do mercado secundário. O que é essa liquidez no mercado secundário? É a capacidade da gente transformar aquele nosso título em dinheiro, e quando não aparece comprador, o valor fica preso no papel até o vencimento.
E o tratamento tributário de LCI, LCA e debênture incentivada para pessoa física está na Lei 11.033/2004, sem número por produto nesta página.
A tabela abaixo é índice de navegação: nenhuma linha dela é indicação de produto.
| Produto | Emissor | Garantia do FGC | Liquidez antes do vencimento |
|---|---|---|---|
| Tesouro IPCA+ | Governo federal, via Tesouro Direto — é empréstimo ao governo | Não tem FGC: o FGC cobre depósito em instituição financeira, não título público | Tem recompra, e o preço do dia acompanha a taxa de juros do momento |
| CDB IPCA+ | Banco | Até R$ 250 mil por CPF, por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos (fonte: FGC) | O prazo de resgate está escrito na emissão do papel; a comparação por produto fica em /blog/renda-fixa/liquidez |
| LCI e LCA IPCA+ | Banco, com lastro em crédito imobiliário ou do agronegócio | Até R$ 250 mil por CPF, por conglomerado financeiro, no mesmo teto (fonte: FGC) | Carência mínima escrita na emissão; a comparação por produto fica em /blog/renda-fixa/liquidez |
| Debênture incentivada IPCA+ | Empresa, em projeto de infraestrutura | Não tem FGC: dívida de empresa não é depósito em banco | Vender antes do vencimento depende de achar comprador no mercado secundário |
E a posição declarada, que é o que sustenta uma tabela assim: eu não distribuo nenhum desses produtos, não recebo corretagem e não custodio dinheiro de cliente, então nada aqui muda de acordo com o que você decidir depois de ler.
Por que um IPCA+ cai antes do vencimento?
Um Tesouro IPCA+ muda de preço todo dia porque o mercado reprecifica o título pela taxa de juros do momento, e não só pela inflação.
Quando o ambiente de risco muda, é a taxa que muda junto, porque risco é o preço do dinheiro. Quanto maior o risco, maior o preço do dinheiro. E o preço do dinheiro chama-se taxa de juros.
O resto é consequência dessa reprecificação.
Quando a taxa de mercado sobe depois da tua compra, o preço do título cai, porque quem for comprar agora quer a taxa nova — mas isso não significa que você perdeu dinheiro, foi só uma variação desse preço até o vencimento. Quando a taxa cede, o preço sobe do mesmo jeito.
E quanto mais longo for o vencimento desse título, maior a sensibilidade dele a essas mudanças das taxas de juros e das expectativas do mercado: são mais anos de remuneração sendo reprecificados de uma vez. Às vezes esses títulos eles variam tanto quanto ações da Bolsa de Valores.
A taxa contratada, quem captura é quem fica até o fim: se você levar até o vencimento esse título, você vai ter aquela rentabilidade contratada. E aí, é aquilo que você comprou. Vender antes significa aceitar o preço do dia, para cima ou para baixo, tá?
Nada disso é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.
Perguntas frequentes sobre o IPCA
Qual é o IPCA acumulado em 12 meses?
O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,44% até julho de 2026. Esse número muda todo mês, então confira sempre o período escrito ao lado do valor, tá?
Qual a diferença entre IPCA e INPC?
O IPCA mede a cesta de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, e o INPC mede a de famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos.
Os dois são calculados pelo IBGE com a mesma coleta: o que muda é o público da cesta e, com ele, o peso de cada item. Em título público indexado à inflação, quem entra é o IPCA.
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é a prévia do IPCA: mesma metodologia, com a coleta deslocada em meio mês. Ele sai antes do índice fechado, por isso serve para acompanhar o mês em andamento. O IPCA-E é esse mesmo IPCA-15 acumulado a cada trimestre.
O que significa "IPCA + 7%" num título?
Significa 7% de juro real por ano, mais a variação do IPCA no período.
Os 7% são contratados no dia da compra, e o IPCA entra por cima, mês a mês. A conta completa, com premissa hipotética, está na seção "IPCA + 7% é muito ou pouco?".
Por que o meu Tesouro IPCA+ caiu se a inflação subiu?
Porque o preço do título se ajusta à taxa de juros do mercado, não só à inflação.
Se a taxa de mercado sobe depois da tua compra, o preço cai, e quanto mais longo o vencimento, maior o ajuste. A taxa contratada só é capturada por quem leva o título até o vencimento.
Como corrijo um valor pelo IPCA?
Você divide o número-índice do mês final pelo número-índice do mês anterior ao inicial e multiplica o teu valor por esse fator.
No exemplo do próprio IBGE, R$ 1.000 de setembro de 2012 a março de 2020 usam o fator 5.348,49 ÷ 3.512,04 = 1,5229 e viram R$ 1.522,90. A calculadora do IBGE faz essa conta de graça, sem cadastro.
Um mês de IPCA negativo derruba o acumulado?
Não. Um mês negativo reduz o acumulado de 12 meses na medida do próprio peso, e não o torna negativo quando os outros onze meses são positivos. O acumulado vigente desta página é de 4,44% até julho de 2026.
Onde eu consulto a série histórica do IPCA?
Na tabela do SIDRA do IBGE e nas páginas de séries históricas do próprio IBGE, que trazem o índice mês a mês e o acumulado de cada ano com o período de referência.
Esta página não reproduz a série: o número que ela mantém vigente é o acumulado de 12 meses do topo, com data.
Hulisses Dias
Analista independente · No mercado desde 1999 como investidor
No mercado desde 1999 como investidor, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC desde 2020 e sujeito à regulação da CVM. Não custodia dinheiro de cliente, não recebe corretagem e não distribui produto de terceiros, o que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.
- Credenciamento: analista de valores mobiliários credenciado e ativo pela APIMEC desde 2020.
- Órgão regulador: Comissão de Valores Mobiliários — atividade regida pela Resolução CVM nº 20, de 25/02/2021.