O que é EBITDA, em uma frase?
EBITDA é o lucro da operação antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Em português, LAJIDA. Na DRE a conta chega pelo outro lado. É lucro operacional mais a depreciação e mais a amortização.
Ele é medida não contábil: a própria companhia monta o número e é obrigada a conciliá-lo com as demonstrações auditadas, como manda a Resolução CVM nº 156/2022.
Ou seja, é o resultado que a empresa tirou de vender aquilo que ela vende, sem a conta do banco, sem a do imposto e sem os dois ajustes contábeis que não saem do caixa no mês.
Quando um release diz que o EBITDA ajustado cresceu dois dígitos e o lucro do mesmo trimestre caiu, os dois números podem estar certos. Eles medem andares diferentes da demonstração de resultado, e esta página mostra qual andar é qual.
Daqui até o fim eu trato o indicador inteiro: a conta a partir da DRE, a margem EBITDA, onde achar o número no release da companhia, e os dois múltiplos que o mercado deriva dele para comparar ações, o EV/EBITDA e a dívida líquida sobre EBITDA.
Nada aqui é recomendação de compra ou venda. Conteúdo atualizado em agosto/2026.
Por que tirar juros, impostos e depreciação?
Cada letra da sigla remove do resultado uma linha que não fala da operação.
A depreciação é um ajuste contábil que diminui o lucro, mas ele não significa que houve uma saída de caixa: a máquina foi paga uma vez, lá atrás, e a contabilidade vai descontando um pedaço dela do lucro a cada ano.
A amortização faz o mesmo com o que não se pega na mão, como marca e software.
Juros e imposto saem por outro motivo. Juros dependem de quanto a empresa pegou emprestado e a que taxa, e imposto depende do regime tributário. Duas empresas que vendem a mesma coisa, com a mesma eficiência, podem ter lucros líquidos muito diferentes só por causa dessas duas linhas.
As quatro exclusões, uma a uma. Nas duas primeiras, a linha sai da conta; nas duas últimas, o efeito sai justamente porque a linha é devolvida ao resultado:
- Juros (I, de interest):saem porque medem a estrutura de dívida da empresa, e não o que a operação produziu.
- Impostos (T, de taxes):saem porque dependem do regime tributário, que muda sem a operação mudar.
- Depreciação (D):ela tinha diminuído o lucro sem tirar dinheiro do caixa naquele mês, então devolvê-la ao resultado é o jeito de tirar esse efeito do número.
- Amortização (A):mesma mecânica, aplicada ao que não se pega na mão: marca, software, direito de uso. Devolve ao resultado, e o efeito dela sai da conta.
Repara que o ponto de partida de tudo isso é o lucro operacional, e o lucro operacional é o resultado que remunera todo o capital da empresa: o do sócio e o do credor.
Tirando as quatro, sobra a pergunta que o EBITDA responde: a operação, sozinha, gera resultado?
Como calcular o EBITDA e a margem?
A conta tem uma linha: EBITDA = lucro operacional (EBIT) + depreciação + amortização do período. A margem EBITDA é o EBITDA dividido pela receita líquida, vezes 100: quanto de cada 100 reais vendidos sobrou na operação.
O exemplo abaixo começa na receita líquida, e não na bruta: a gente pega a receita bruta de vendas, depois a gente faz as deduções, e o que sobra é a primeira linha da tabela.
Vamos dizer que uma empresa tenha receita líquida de 1.000, custo dos produtos de 600 e despesas operacionais de 250, com 80 de depreciação dentro delas. O lucro operacional fica em 150, o EBITDA em 230 e a margem em 23%.
| linha da DRE | valor do exemplo | o que a linha faz |
|---|---|---|
| Receita líquida | 1.000 | o que entrou de venda, já sem impostos sobre venda e devoluções |
| (−) Custo dos produtos vendidos | 600 | o que custou produzir ou comprar o que foi vendido |
| (=) Lucro bruto | 400 | o que sobra da venda antes das despesas de operar |
| (−) Despesas operacionais (inclui 80 de depreciação) | 250 | vender, administrar e o desgaste contábil do ativo |
| (=) Lucro operacional (EBIT) | 150 | o resultado da operação, antes de credor e imposto |
| (+) Depreciação e amortização do período | 80 | devolve ao resultado o ajuste que não saiu do caixa |
| (=) EBITDA | 230 | o resultado da operação sem os dois ajustes contábeis |
| Margem EBITDA (EBITDA ÷ receita líquida × 100) | 23% | quanto de cada 100 vendidos sobrou na operação |
São números redondos, hipótese declarada para a conta andar na tela. Não é dado de companhia nenhuma.
Dois cuidados derrubam a conta de quem copia fórmula da internet:
o ponto de partida é o lucro operacional, não o lucro antes do imposto: se a linha que você usou já descontou despesa financeira, devolva os juros antes de somar; a depreciação a somar é a do período, que está no fluxo de caixa ou na nota explicativa, não a depreciação acumulada do balanço.
Refaça a conta com o release da tua empresa na tela: a próxima seção mostra em que documento ele está.
EBITDA, EBIT ou lucro líquido?
Os três números nascem em degraus diferentes da mesma demonstração, e o degrau decide o que cada um responde. A demonstração segue sempre a mesma ordem. Ela vai ter receita líquida menos custos, vai ter o lucro bruto, vai deduzir as despesas e vai ter o lucro operacional, que é o EBIT, Earnings Before Interest and Taxes. Depois disso vai ter o resultado financeiro, os impostos a pagar e o lucro líquido.
O credor vem na frente do acionista, então o acionista, ele só recebe a remuneração dele se sobrar para todo mundo. Essa fila explica os três: o lucro operacional, o EBIT, é o que a operação entregou e ainda não foi dividido com ninguém; o EBITDA é o EBIT com a depreciação e a amortização devolvidas, para olhar a operação sem o peso de decisões de investimento antigas; o lucro líquido é o que restou depois do resultado financeiro e depois do imposto, e é a única linha que pertence de fato ao sócio.
| qual número | em que linha da DRE nasce | o que já foi descontado | a quem o número responde |
|---|---|---|---|
| EBITDA | lucro operacional com depreciação e amortização devolvidas | custo e despesa de operar, sem os dois ajustes contábeis | a quem quer medir só a operação |
| EBIT (lucro operacional) | logo depois das despesas operacionais | custo, despesa e o desgaste contábil do ativo | a quem quer o resultado que remunera credor e sócio |
| Lucro líquido | última linha, depois do resultado financeiro e do imposto | tudo, inclusive juros da dívida e imposto | ao sócio, que recebe o que sobrou |
Um EBITDA em alta com lucro em queda quase sempre é essa fila: a operação melhorou e a dívida, o câmbio ou o imposto comeram a melhora antes do fim.
Nenhum dos três é o número certo em absoluto; certo é o que responde à tua pergunta.
Onde achar o EBITDA no release?
O EBITDA divulgado mora em três documentos, e os três são públicos e de graça.
- Release de resultados, no site de relações com investidores: traz o número já calculado pela companhia e quase sempre a tabela de reconciliação, que mostra o caminho do lucro até ele. Comece por essa tabela, porque é nela que a empresa mostra o que somou.
- ITR e DFP, no sistema da CVM: trazem a demonstração completa e as notas explicativas, que é onde os critérios de cada linha estão escritos.
- Fluxo de caixa: o EBITDA que você mesmo quer calcular precisa da depreciação e da amortização do período, e elas não estão na DRE. Abra o fluxo de caixa e vá na primeira linha de ajustes depois do lucro: é aqui que você encontra a depreciação e amortização.
Eu percorro esse caminho em aula com o relatório do RI aberto na tela. As empresas, elas abrem o percentual de vendas de cada unidade nesse mesmo relatório, e é dali que sai a noção de onde vem o resultado.
Base de dados paga ajuda, e eu uso uma, mas nada aqui exige uma: o documento da companhia basta.
Por que o EBITDA ajustado não bate?
O EBITDA ajustado não bate porque ele não é uma linha da contabilidade: é medida não contábil, montada pela própria companhia a partir das demonstrações.
No Brasil a divulgação segue a Resolução CVM nº 156/2022, que substituiu a Instrução CVM nº 527/2012 e exige conciliar o valor divulgado com as demonstrações auditadas e explicar cada ajuste.
O ajustado exclui itens que a empresa considera não recorrentes: impairment, reestruturação, provisão jurídica, venda de ativo. Todo exercício, a empresa, ela tem que fazer um teste de impairment, e é desse teste que sai a baixa contábil que abre essa lista.
Ao lado de cada um, o teste que vale:
- Impairment:a baixa contábil do valor de um ativo; olhe se ela aparece uma vez ou se volta em exercícios seguidos.
- Reestruturação:custo de fechar, cortar ou reorganizar operação; mesma pergunta, uma vez ou todo ano?
- Provisão jurídica:o que a empresa reserva para processos; em companhia que responde a processo o tempo todo, isso é rotina, não evento.
- Venda de ativo:resultado que não vem de vender o que a empresa vende; a nota de reconciliação mostra se ele foi somado ou excluído.
O critério é durável: item que consta de quatro trimestres seguidos não é extraordinário.
Há ainda um efeito que desloca a série inteira. Com o IFRS 16 (CPC 06 R2), em vigor desde 1º de janeiro de 2019, o aluguel saiu da linha operacional e virou depreciação mais juros, o que elevou o EBITDA de quem opera com muitas lojas ou muita frota sem que nada mudasse no negócio.
Comparar EBITDA ajustado entre duas empresas, ou antes e depois de 2019, exige ler a nota de reconciliação de cada uma.
Como comparar ações por EV/EBITDA?
EV/EBITDA responde em quantos anos de resultado operacional a compra do negócio inteiro se pagaria, dívida incluída.
Uma firma, ela é composta por capital dos acionistas e capital dos credores, e comprar o negócio inteiro significa pagar os dois: o enterprise value, o valor da firma, que são sinônimos, são referentes ao valor de mercado dessa empresa mais a dívida líquida que ela tem.
Por que a gente vai pegar o lucro operacional? Porque o enterprise value, ele vai estar pagando o lucro do acionista mais o lucro do credor, que são os juros. Ou seja: numerador e denominador precisam falar da mesma turma de donos, e é por isso que o múltiplo pede EBITDA, não lucro líquido.
E o múltiplo só significa alguma coisa dentro de um par comparável. Rede de farmácia com rede de farmácia, elétrica com elétrica. Faixa de valuation de empresa pequena não é régua para companhia listada.
Num vídeo de maio de 2023 eu ranqueei ações por EV/EBIT, a variação que usa o lucro operacional sem devolver a depreciação, e a carteira final ficou em 3,7.
Exemplo de método, não recomendação.
Quanta dívida a empresa aguenta?
Dívida líquida sobre EBITDA responde uma pergunta em anos: quantos anos de resultado operacional a empresa gastaria para zerar a dívida de hoje.
A dívida líquida é a dívida bruta menos caixa e aplicações, e é essa subtração que eu faço na conta de padeiro do balanço em aula.
Na mesma conta entra o patrimônio líquido da companhia — e o patrimônio líquido é uma obrigação que a empresa tem com o acionista, o que sobra do ativo depois de descontada toda a dívida: 18 bilhões, com dados do 3º trimestre de 2020.
Aí vem a pergunta que muda o número: e se o ágio que está no intangível não valer o que está escrito? Quem responde é o teste de impairment.
Vamos dizer que a companhia reconheça ali uma baixa de 10 bilhões, hipótese declarada, não previsão. Esses 10 bilhões derrubam o patrimônio líquido na mesma medida. E esse patrimônio líquido, ele vai para 8 bilhões nessa conta de padeiro que a gente está fazendo aqui, tá?
Naquela aula a régua é o patrimônio, não o EBITDA: a relação de dívida sobre patrimônio lida na tela é de 67%, em leitura de 9 de março de 2021.
Desde o IFRS 16 o aluguel de longo prazo virou dívida no balanço, e a dívida líquida engordou por causa disso. Porque as empresas tiveram que reconhecer no seu balanço patrimonial grande parte dessas obrigações que vão acontecer no futuro: na mesma companhia, são R$ 166 milhões no curto prazo e cerca de R$ 4 bilhões no longo, com dados de 2020.
Faixa sem setor, fonte e data ao lado não serve de régua, e é assim que os números que circulam por aí aparecem. Elétrica e saneamento operam alavancadas por contrato, e banco não entra nessa conta.
Covenant é a cláusula de contrato que fixa um teto para o indicador; rompido, ele pode acelerar o vencimento ou encarecer a dívida.
EBITDA é dinheiro em caixa?
Não. EBITDA é resultado contábil da operação, não saldo em conta.
Então, em algum momento, a depreciação vai ter que equivaler ao CAPEX, que é a sigla que a gente usa para falar de investimentos em capital: a máquina que a depreciação desconta no papel vai ser trocada de verdade, com dinheiro de verdade.
Três coisas o EBITDA ignora e o caixa não perdoa: o investimento para manter a operação de pé, o juro da dívida e o imposto.
Tem uma quarta, mais silenciosa. A DRE segue o regime de competência, então a venda entra na receita quando é feita, não quando é paga. Eu explico isso com o curso vendido em 100 parcelas, em que o resultado aparece hoje e o dinheiro pinga por anos.
| o que a linha subtrai | EBITDA | fluxo de caixa operacional | fluxo de caixa livre |
|---|---|---|---|
| Juro da dívida | não subtrai | subtrai | subtrai |
| Imposto sobre o lucro | não subtrai | subtrai | subtrai |
| Investimento para manter a operação de pé (CAPEX) | não subtrai | não subtrai | subtrai |
| Venda feita e ainda não recebida (capital de giro) | não subtrai | subtrai | subtrai |
Naquela mesma hipótese de números redondos do cálculo, com um CAPEX de manutenção de 90 como única premissa nova, 90 dos 230 de EBITDA já estão comprometidos antes de qualquer juro ou imposto.
É por isso que a mesma empresa pode ter EBITDA crescente e fluxo de caixa livre negativo no mesmo trimestre.
O que um EBITDA negativo diz?
EBITDA negativo quer dizer que a operação não paga os próprios custos e despesas, mesmo antes de juros, imposto e depreciação.
É um diagnóstico duro porque sobra pouca desculpa contábil: sem a dívida na conta e sem o desgaste do ativo na conta, a empresa ainda fica no vermelho.
Em empresa jovem, em expansão agressiva ou em setor com a margem comprimida por um choque, isso pode ser fase. Em companhia madura, é sinal de que o negócio perdeu preço, escala ou controle de custo.
O que muda a leitura é o caminho até lá:
- a série de trimestres, que diz se é ponto fora da curva ou tendência;
- a margem bruta, que mostra se o aperto nasce no custo do produto;
- o que a companhia informa sobre volume e preço.
Num caso que eu destrinchei em aula, com valores em reais, a leitura dos últimos 12 meses até 9 de março de 2021 é essa. A gente tem um resultado operacional de 111 milhões negativo, beleza? No passado era 1 bilhão positivo. Ali o indicador é o EBIT, não o EBITDA.
Exemplo de leitura de indicador, não recomendação.
Por que banco não usa EBITDA?
Em banco o juro é a receita, não uma despesa a excluir, e é por isso que o EBITDA não aparece na análise do setor. Retirar juros do resultado de um banco apaga justamente a operação que se queria medir.
A estrutura de resultado reforça o ponto:
- instituições financeiras seguem plano contábil próprio, sem uma linha de lucro operacional industrial;
- o ativo delas é crédito, não máquina, então depreciação e amortização pesam pouco no total;
- em seguradora vale o mesmo raciocínio, com prêmio e sinistro no lugar de receita e custo.
A comparação entre bancos usa margem financeira, índice de eficiência, retorno sobre patrimônio e índice de Basileia; entre seguradoras, o índice combinado.
O EBITDA rende mais onde o ativo é pesado e a depreciação é grande: varejo, energia e saneamento, telecomunicações, commodities e indústria de transformação.
São setores em que duas empresas parecidas podem ter dívidas e regimes de imposto muito diferentes, e a operação só fica comparável depois de tirar essas duas linhas.
Depois do EBITDA, o que olhar?
EBITDA responde uma pergunta só: como vai a operação. Preço, retorno do capital e patrimônio são outras três perguntas, e cada uma tem o seu indicador.
O caminho natural depois desta página:
Indicadores fundamentalistas para ações: a página que responde quanto você está pagando pela empresa e quanto ela devolve sobre o capital, com P/L, P/VP e as outras razões explicadas uma a uma.
Eu não repito nenhuma delas aqui de propósito, para você não ler a mesma coisa duas vezes. Na aula de contabilidade eu anuncio essa mesma sequência no fim: a gente vai fazer ali relação do valor de mercado com lucro líquido, do valor de mercado com patrimônio líquido — que são, com outros nomes, o P/L e o P/VP daquela página.
O jeito de usar isso é simples: cada indicador responde uma pergunta, e trocar a pergunta troca o indicador. Guarde o EBITDA para a pergunta da operação e use o próximo para a pergunta seguinte, tá?
FAQ: Perguntas frequentes sobre EBITDA
O que é EBITDA em poucas palavras?
EBITDA é o lucro da operação antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Em português a sigla vira LAJIDA.
Ele mede o que a empresa tirou de vender aquilo que vende, sem a conta do banco, sem a do imposto e sem os dois ajustes contábeis que não saem do caixa no mês. Serve para olhar a operação sozinha, e é por isso que ele costuma aparecer no release antes de qualquer outra linha comentada.
Como se calcula o EBITDA a partir da DRE?
Pegue o lucro operacional, o EBIT, e some a depreciação e a amortização do período.
O cuidado está no ponto de partida e na linha que você soma: se a linha que você usou já descontou despesa financeira, devolva os juros antes de somar; a depreciação a somar é a do período, que fica no fluxo de caixa ou na nota explicativa, não a depreciação acumulada do balanço.
A margem EBITDA sai dividindo o EBITDA pela receita líquida e multiplicando por 100.
Por que o EBITDA da empresa subiu e o lucro caiu?
Porque os dois números nascem em degraus diferentes da demonstração. O EBITDA olha a operação; o lucro líquido vem depois do credor, do câmbio e do imposto.
Operação melhorando com dívida caríssima produz exatamente esse par de números, e os dois estão certos. O credor vem na frente do acionista, então o acionista, ele só recebe a remuneração dele se sobrar para todo mundo.
Quando isso aparece no release, o que eu olho em seguida é o resultado financeiro.
Qual dívida líquida sobre EBITDA é alta?
Depende do setor, e essa é a parte que costuma ser omitida.
Faixa sem setor, fonte e data ao lado não é régua: elétrica e saneamento operam alavancadas por contrato de longo prazo, e banco não entra nessa conta. O que serve é a leitura em anos (quantos anos de resultado operacional a empresa gastaria para zerar a dívida), comparada com empresas do mesmo setor e com a própria série da companhia.
Esta página não publica tabela de faixas porque nenhuma delas tem fonte alcançável.
EBITDA é a mesma coisa que fluxo de caixa?
Não. O EBITDA ignora o investimento necessário para manter a operação de pé, o juro da dívida e o imposto.
Ele ainda segue o regime de competência, em que a venda entra na receita quando é feita, não quando é paga. Por isso é comum a mesma empresa ter EBITDA crescente e fluxo de caixa livre negativo no mesmo trimestre.
E em algum momento esse desconto contábil vira desembolso: a máquina que a depreciação baixa no papel é trocada de verdade, com dinheiro de verdade.
Por que o EBITDA não serve para analisar banco?
Porque em banco o juro é a receita, não uma despesa a excluir: tirar juros do resultado apaga a própria operação que se queria medir.
O setor também segue plano contábil próprio, sem uma linha de lucro operacional industrial, e tem crédito no lugar de máquina, então depreciação e amortização pesam pouco.
A comparação entre bancos usa margem financeira, índice de eficiência, retorno sobre patrimônio e índice de Basileia; em seguradora, o índice combinado.
Como interpretar a margem EBITDA?
Margem EBITDA é o EBITDA dividido pela receita líquida, vezes 100: quanto de cada 100 reais vendidos sobrou na operação. Na hipótese de números redondos da seção do cálculo, 230 de EBITDA sobre 1.000 de receita líquida dão 23%.
A leitura só faz sentido dentro do setor: indústria pesada e software convivem com margens muito diferentes sem que uma seja melhor que a outra.
E a série da própria companhia diz mais do que o número isolado: margem caindo com receita subindo é sinal de custo ou desconto comendo a operação. Esta página não publica "margem ideal", que não tem fonte alcançável.
Sobre mim e a minha credencial
Sou o Hulisses Dias, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC e sujeito à regulação da CVM.
Estou no mercado desde 1999 como investidor, e o credenciamento de analista é de 2020. As duas datas não se misturam.
Eu não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros, o que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la. Essa é a declaração de independência que a regra do analista exige, e ela vale para cada linha acima.
Em 2025 escrevi o livro Investir é Sobre Gente, pela Interminds.
O que a credencial autoriza é relatório de análise, não conselho individual: nada aqui é recomendação de compra ou venda, nem consultoria.

