O que é o IFIX?
O IFIX é o índice que mede o desempenho médio das cotas dos fundos imobiliários listados na B3, e quem monta e calcula a carteira teórica é a própria B3.
Ele é índice de retorno total: soma a variação das cotas e os rendimentos distribuídos pelos fundos.
A pontuação não é preço, é ponto. É número-índice, e ele só informa alguma coisa quando você compara duas datas.
A carteira é teórica e revisada em ciclos definidos pela B3. Ou seja, a lista de fundos de hoje não é a de daqui a um ano.
Quem chegou só para ver o número de hoje sai pelo caminho da série oficial da B3, na seção sobre a pontuação.
Quem quer entender o índice fica: as próximas seções mostram como a carteira é montada, como o rendimento entra na conta e por que comparar a pontuação com a cotação de um fundo dá conta errada.
Esta página não é terminal de cotação, tá?
atualizado em agosto/2026
IFIX é o Ibovespa dos FIIs?
O IFIX é para os fundos imobiliários o que o Ibovespa é para as ações, e a analogia para aí.
Os dois são carteiras teóricas da B3 e os dois medem o desempenho médio de um grupo de ativos. Só que medem grupos diferentes e contam o retorno de forma diferente.
O Ibovespa reúne ações de empresas. O IFIX reúne cotas de fundos imobiliários listados em bolsa e balcão organizado.
E tem uma diferença que muda a régua da comparação: o IFIX é índice de retorno total. Os rendimentos distribuídos pelos fundos entram na conta dele.
É aí que a comparação entre os dois sai errada: um lado joga com o rendimento e o outro não, tá?
Por que a confusão pega tanto? Porque nome parecido dá a impressão de que os dois números se comparam linha a linha, e o que cada um mede é outro mercado.
Quem ainda não sabe o que é um fundo imobiliário lê primeiro a página-mãe do sub-pilar, a página que explica FII do zero. Aqui a gente fica no índice.
O que a pontuação do IFIX significa?
A pontuação do IFIX é um número-índice, não um preço em reais.
O índice partiu de uma base fixada pela B3. Cada ponto mede quanto a carteira teórica se afastou dessa base desde então, e essa conta soma variação de cota e rendimento distribuído.
Ler a pontuação de um dia sozinha não diz nada. O que informa é a variação entre duas datas, e por isso todo número de índice só serve com a data de fechamento e a fonte ao lado.
Os portais de dado erram nos dois lados: o Status Invest exibe "R$" e seletor de moeda para um índice que é medido em pontos; o Investidor10 publica "5,21%" em 12 meses sem dizer até que dia.
O número vivo fica na B3. As estatísticas históricas do índice são o lugar de conferir a pontuação de hoje e o fechamento de cada janela.
Quais fundos entram na carteira do IFIX?
A carteira teórica do IFIX reúne cotas de fundos imobiliários listados na B3, cada uma com um peso próprio, e quem entra entra por elegibilidade e liquidez, não por qualidade.
O índice retrata o mercado como ele é, inclusive a parte ruim dele.
Eu já expliquei isso no canal falando de um índice derivado: Eles fizeram um índice baseado no IFIX, mas tirando as tranqueiras, as porcarias lá que eles achavam.
Ou seja, o índice cheio carrega o que o índice filtrado tirou. E é por isso que comprar o índice não é comprar uma carteira escolhida.
São três coisas que decidem a composição:
- elegibilidadeque tipo de cota pode entrar
- liquidezque presença em negociação essa cota precisa ter
- pesoquanto cada cota representa dentro da carteira
A quantidade de fundos da carteira vigente, os maiores pesos e a divisão entre papel, tijolo e misto mudam a cada revisão da carteira. Esta página não publica nenhum desses números: eles estão na composição oficial do índice, na B3, com a data da carteira ao lado.
Quem quer saber como escolher fundo segue para a página-mãe de FIIs.
Como a B3 calcula e revisa o índice?
A B3 monta a carteira do IFIX por critério público e a revisa em ciclo definido, e o documento que fixa os três é o Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3.
São três dimensões:
Quem é elegível
que tipo de ativo pode entrar na carteira e que presença em negociação ele precisa ter. O limiar que vale hoje está escrito no manual.
Como o peso é calculado
quanto cada cota representa dentro da carteira teórica. A regra de ponderação está no manual.
De quanto em quanto tempo a carteira é reavaliada
o ciclo de revisão, com o prazo vigente, também está no manual.
Esta página não afirma os limiares de cada uma dessas dimensões: o percentual mínimo de pregões, o volume e o prazo do ciclo.
Por quê? Porque o portal que publica esses números hoje não cita a metodologia nem a data: "presença mínima em 60% dos pregões" e "revisada a cada quatro meses" aparecem sem fonte, e "média ponderada" aparece sem dizer do quê.
O número vigente de cada limiar está escrito no Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3, e é lá que você confere.
O IFIX considera os rendimentos pagos?
Sim: o IFIX é índice de retorno total, então os rendimentos distribuídos pelos fundos entram no cálculo, somados à variação das cotas.
Na prática isso muda a conta de quem compara.
Vamos dizer que a cota de um fundo fique parada no ano e ele distribua rendimento todo mês: a cotação dele não se move, e o índice, que conta aquela distribuição, sobe.
É hipótese para explicar a mecânica. Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.
Ou seja, comparar a pontuação do IFIX com a cotação de um fundo, ou com o dividend yield dele, é comparar duas grandezas diferentes.
E a distribuição existe porque a regra obriga: Os fundos imobiliários são obrigados a pagar 95% do seu lucro caixa semestral em forma de dividendos para os seus cotistas.
Essa é a regra como eu a expliquei em outubro de 2020, e a norma vigente é o que vale na data em que você lê, tá?
Como comparar a tua carteira com o IFIX?
Para comparar a tua carteira de FIIs com o IFIX você precisa acertar três coisas: a mesma janela de datas nos dois lados, o rendimento recebido somado ao resultado da carteira, e o aporte tratado como aporte e não como ganho.
Acertadas as três, o passo a passo é mecânico:
- Pegue o valor da carteira na data de abertura da janela.
- Some os rendimentos recebidos no período.
- Abata os aportes e os resgates feitos no meio do caminho.
- Chegue no valor final na data de fechamento.
- Leia a pontuação do IFIX nessas mesmas duas datas.
Vamos dizer que a carteira abra a janela em R$ 100 mil e receba rendimento todo mês: a gente soma esse rendimento ao valor final antes de dividir, senão a conta engole ele. Os números são redondos e a premissa está declarada. É aritmética de hipótese, não projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.
O que sai é um percentual contra outro percentual, na mesma régua.
Cotação contra retorno total
O erro comum é comparar a variação da cota com a pontuação do índice. Isso dá vantagem artificial ao índice. Um lado joga com o rendimento e o outro não, tá?
O IFIX rendeu mais que o CDI?
A comparação entre o IFIX e o CDI só fecha quando você usa a mesma janela nos dois lados, e esta página não publica a coluna do IFIX.
O motivo é de fonte.
O número do índice por período não existe no material desta página, e as três fontes da busca não fecham entre si: o Status Invest publica "-0,90%" no ano e "21,08%" em 2025, o Investidor10 publica "5,21%" em 12 meses sem dizer até que dia, e a ficha da B3 não publica número nenhum.
Então a tabela desta seção é a régua contra a qual você vai comparar:
| Indicador | Valor e data da linha | O que este número mede |
|---|---|---|
| CDI | 13,90% ao ano em 27/08/2026 | taxa DI anualizada, base 252 dias úteis |
| IPCA | 4,44% acumulado em 12 meses até julho de 2026 | inflação oficial acumulada em 12 meses |
| Selic | 14,00% ao ano, meta vigente em 28/08/2026 | meta de juro definida pelo Copom |
Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.
O desempenho do IFIX por janela, com a data de fechamento, está nas estatísticas históricas do índice na B3. É lá que você lê a outra metade da conta.
Como ler o dividend yield do índice?
O dividend yield médio do IFIX e o desconto do índice sobre o valor patrimonial são dois termômetros do mercado de fundos imobiliários, e cada um tem um ponto cego.
Começo pela conta. Pra quem não sabe o que é dividend yield, é os dividendos pagos nos últimos 12 meses sobre a cotação do último dia disponível.
Ou seja, a conta olha para trás. Yield alto pode significar distribuição boa ou cotação caindo, e o numerador é sempre passado.
O caso extremo é o fundo com um imóvel só. Para mim o grande perigo é você pegar um monoativo, um mono inquilino e um mono contrato.
E o termômetro engana justamente aí. Pro teu bolso, você vai estar assumindo muito mais risco. Normalmente, esse tipo de fundo, ele vai ter um dividend yield muito alto.
O desconto sobre patrimônio diz quanto o mercado paga por cada real de imóvel e de papel que está na carteira, e também não diz nada sozinho.
O que estes dois números não dizem
o numerador do yield é passado, então ele não fala do que vem depois;
yield alto pode ser cotação em queda, não distribuição melhor.
Os dois mudam com cotação e com distribuição, e esta página não publica nenhum deles. Você lê o dividend yield médio e o desconto do índice nas estatísticas do índice na B3 e nos portais de dado, com a data do fechamento ao lado.
Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.
O que os juros fazem com o IFIX?
A taxa de juro entra na conta de fundo imobiliário por dois caminhos mecânicos, e nenhum dos dois autoriza dizer para onde o índice vai.
Comparação de alternativa
Com a meta da Selic em 14,00% ao ano, vigente em 28/08/2026, um título público sem risco de crédito disputa o mesmo dinheiro que um fundo de tijolo, e o preço da cota se ajusta a essa disputa.
Indexação de recebível
Parte dos fundos de papel carrega recebível indexado a CDI ou a IPCA, então a receita deles se move com esses índices: CDI a 13,90% ao ano em 27/08/2026 e IPCA de 4,44% acumulado em 12 meses até julho de 2026.
Mecanismo não é previsão. Esta seção não diz para onde a pontuação vai, não desenha cenário e não sugere relação garantida entre juro e índice.
A série oficial da Selic fica no Banco Central, e é lá que você confere o número vigente.
Como investir no índice pelo ETF?
Dá para ter o índice de duas maneiras: comprando um ETF que replica o IFIX, numa ordem só, ou montando a carteira de fundos por conta própria.
O que mais muda entre as duas é o rendimento, e eu expliquei a mecânica em março de 2021: A diferença é o seguinte, o IFIX, ele não distribui o dividendo. Ele reinveste na própria cota.
Nessa fala, o nome IFIX está no lugar do ETF que replica o índice, e não do índice. É a troca de nome que eu mesmo fiz na época e que vale desfazer aqui.
E aí, os dividendos, por enquanto, enquanto eu faço esse vídeo aqui, no Brasil, eles são isentos de imposto de renda. Então é uma vantagem que a gente deixa de ter.
Essa fala é de 2021 e é auto-datada.
A taxa de administração do ETF e a regra tributária do rendimento mudam, e esta página não publica nem uma nem outra: a taxa vigente está na lâmina do produto e a tributação, na norma em vigor na data em que você lê.
E declaro a minha posição antes de você decidir: sou analista credenciado, não recebo corretagem, não distribuo produto de terceiros e nada aqui muda conforme o que você fizer depois de ler.
Quem vai montar a carteira à mão continua em a página-mãe de FIIs.
FAQ: Perguntas frequentes sobre o IFIX
O que é o IFIX?
O IFIX é o índice que mede o desempenho médio das cotas dos fundos imobiliários listados na B3, e quem monta, calcula e revisa a carteira teórica é a própria B3.
Ele é de retorno total: soma a variação das cotas e os rendimentos distribuídos pelos fundos. Ou seja, é o retrato médio do mercado de FIIs, e nada mais que isso. A pontuação dele é número-índice, não preço em reais.
O IFIX inclui os rendimentos distribuídos pelos fundos?
Inclui. O IFIX é índice de retorno total, então os rendimentos entram no cálculo somados à variação das cotas.
Por isso a pontuação do índice não se compara à cotação de um fundo nem ao dividend yield dele: o índice joga com o rendimento, e a cotação isolada, não. É a distinção que decide se a tua comparação com o CDI está certa ou errada, tá?
Qual a diferença entre o IFIX e o Ibovespa?
Os dois são carteiras teóricas da B3, e aí a semelhança acaba. O Ibovespa mede ações de empresas; o IFIX mede cotas de fundos imobiliários listados em bolsa e balcão organizado.
E o IFIX é de retorno total, o que muda a régua da comparação entre os dois. Quem ainda não sabe o que é um fundo imobiliário lê primeiro a página-mãe de FIIs.
De quanto em quanto tempo a carteira do IFIX muda?
A carteira é reavaliada em ciclo definido na metodologia da B3, e esta página não afirma o prazo: o ciclo vigente está no Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3, e é lá que você lê o número que vale hoje.
Por que o prazo não entra aqui? Porque o portal que o publica não cita a metodologia nem a data da informação, e número sem fonte não entra.
Como eu comparo a minha carteira de FIIs com o IFIX?
Acerte três coisas: a mesma janela de datas nos dois lados, o rendimento recebido somado ao teu resultado, e os aportes tratados como aporte e não como ganho.
Com as três acertadas, você compara percentual contra percentual, na mesma régua. O passo a passo, com o exemplo declarado como hipótese, está na seção sobre comparar a carteira com o índice.
Como investir no IFIX?
Dá para comprar um ETF que replica o índice, numa ordem só, ou montar a carteira de fundos por conta própria.
O ETF cobra taxa de administração e trata o rendimento de forma diferente de quem tem o fundo direto. Eu só te recomendo que você analise a taxa de administração e a liquidez que esse ETF tem na bolsa, ok? Pra mim a liquidez é o mais importante.
Taxa vigente e regra tributária mudam: a primeira está na lâmina do produto, a segunda na norma em vigor na data da tua leitura. A comparação entre as duas formas está na seção sobre investir pelo ETF.
O IFIX é o mesmo que o ETF que replica o índice?
Não. O IFIX é o índice, uma carteira teórica calculada pela B3; o ETF é um fundo negociado em bolsa que tenta replicar esse índice e cobra taxa para isso.
A confusão é comum, e eu mesmo já usei o nome IFIX querendo dizer o ETF, num vídeo de 2021. Então vale a régua: índice é medida, ETF é produto. Quem compra o ETF compra o produto, com a taxa e a tributação dele.
A pontuação do IFIX é em reais?
Não. A pontuação do IFIX é ponto, não real: é número-índice, medido contra uma base fixada pela B3, e o que informa é a variação entre duas datas.
Um portal de dado chega a exibir "R$" e seletor de moeda para o índice, e isso é erro de unidade. O valor em reais que existe na tua vida é o da cota do fundo ou do ETF, não o do índice.
Hulisses Dias
No mercado desde 1999 como investidor, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC desde 2020 e sujeito à regulação da CVM. Não custodia dinheiro de cliente, não recebe corretagem e não distribui produto de terceiros, o que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.