Fundos Imobiliários · Artigo

O que é o IFIX, o índice dos fundos imobiliários

A pontuação do IFIX não é preço, é ponto — e o índice soma os rendimentos distribuídos pelos fundos. Entenda o que isso muda na tua conta.

Atualizado em agosto/2026

O que é o IFIX?

Resposta direta

O IFIX é o índice que mede o desempenho médio das cotas dos fundos imobiliários listados na B3, e quem monta e calcula a carteira teórica é a própria B3.

Ele é índice de retorno total: soma a variação das cotas e os rendimentos distribuídos pelos fundos.

A pontuação não é preço, é ponto. É número-índice, e ele só informa alguma coisa quando você compara duas datas.

A carteira é teórica e revisada em ciclos definidos pela B3. Ou seja, a lista de fundos de hoje não é a de daqui a um ano.

Quem chegou só para ver o número de hoje sai pelo caminho da série oficial da B3, na seção sobre a pontuação.

Quem quer entender o índice fica: as próximas seções mostram como a carteira é montada, como o rendimento entra na conta e por que comparar a pontuação com a cotação de um fundo dá conta errada.

Esta página não é terminal de cotação, tá?

atualizado em agosto/2026

IFIX é o Ibovespa dos FIIs?

O IFIX é para os fundos imobiliários o que o Ibovespa é para as ações, e a analogia para aí.

Os dois são carteiras teóricas da B3 e os dois medem o desempenho médio de um grupo de ativos. Só que medem grupos diferentes e contam o retorno de forma diferente.

O Ibovespa reúne ações de empresas. O IFIX reúne cotas de fundos imobiliários listados em bolsa e balcão organizado.

Vídeo: o IFIX ao lado do Ibovespa
Vídeo do canal, 30/03/2021 — o IFIX ao lado do Ibovespa, na apresentação do ETF que replica o índice.

E tem uma diferença que muda a régua da comparação: o IFIX é índice de retorno total. Os rendimentos distribuídos pelos fundos entram na conta dele.

É aí que a comparação entre os dois sai errada: um lado joga com o rendimento e o outro não, tá?

Por que a confusão pega tanto? Porque nome parecido dá a impressão de que os dois números se comparam linha a linha, e o que cada um mede é outro mercado.

Quem ainda não sabe o que é um fundo imobiliário lê primeiro a página-mãe do sub-pilar, a página que explica FII do zero. Aqui a gente fica no índice.

O que a pontuação do IFIX significa?

A pontuação do IFIX é um número-índice, não um preço em reais.

O índice partiu de uma base fixada pela B3. Cada ponto mede quanto a carteira teórica se afastou dessa base desde então, e essa conta soma variação de cota e rendimento distribuído.

Ler a pontuação de um dia sozinha não diz nada. O que informa é a variação entre duas datas, e por isso todo número de índice só serve com a data de fechamento e a fonte ao lado.

Onde ler a pontuação

Os portais de dado erram nos dois lados: o Status Invest exibe "R$" e seletor de moeda para um índice que é medido em pontos; o Investidor10 publica "5,21%" em 12 meses sem dizer até que dia.

O número vivo fica na B3. As estatísticas históricas do índice são o lugar de conferir a pontuação de hoje e o fechamento de cada janela.

Quais fundos entram na carteira do IFIX?

A carteira teórica do IFIX reúne cotas de fundos imobiliários listados na B3, cada uma com um peso próprio, e quem entra entra por elegibilidade e liquidez, não por qualidade.

O índice retrata o mercado como ele é, inclusive a parte ruim dele.

Eu já expliquei isso no canal falando de um índice derivado: Eles fizeram um índice baseado no IFIX, mas tirando as tranqueiras, as porcarias lá que eles achavam.

Ou seja, o índice cheio carrega o que o índice filtrado tirou. E é por isso que comprar o índice não é comprar uma carteira escolhida.

São três coisas que decidem a composição:

  • elegibilidadeque tipo de cota pode entrar
  • liquidezque presença em negociação essa cota precisa ter
  • pesoquanto cada cota representa dentro da carteira

A quantidade de fundos da carteira vigente, os maiores pesos e a divisão entre papel, tijolo e misto mudam a cada revisão da carteira. Esta página não publica nenhum desses números: eles estão na composição oficial do índice, na B3, com a data da carteira ao lado.

Quem quer saber como escolher fundo segue para a página-mãe de FIIs.

Como a B3 calcula e revisa o índice?

A B3 monta a carteira do IFIX por critério público e a revisa em ciclo definido, e o documento que fixa os três é o Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3.

São três dimensões:

01

Quem é elegível

que tipo de ativo pode entrar na carteira e que presença em negociação ele precisa ter. O limiar que vale hoje está escrito no manual.

02

Como o peso é calculado

quanto cada cota representa dentro da carteira teórica. A regra de ponderação está no manual.

03

De quanto em quanto tempo a carteira é reavaliada

o ciclo de revisão, com o prazo vigente, também está no manual.

Esta página não afirma os limiares de cada uma dessas dimensões: o percentual mínimo de pregões, o volume e o prazo do ciclo.

Por quê? Porque o portal que publica esses números hoje não cita a metodologia nem a data: "presença mínima em 60% dos pregões" e "revisada a cada quatro meses" aparecem sem fonte, e "média ponderada" aparece sem dizer do quê.

O número vigente de cada limiar está escrito no Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3, e é lá que você confere.

O IFIX considera os rendimentos pagos?

Sim: o IFIX é índice de retorno total, então os rendimentos distribuídos pelos fundos entram no cálculo, somados à variação das cotas.

Na prática isso muda a conta de quem compara.

Na prática

Vamos dizer que a cota de um fundo fique parada no ano e ele distribua rendimento todo mês: a cotação dele não se move, e o índice, que conta aquela distribuição, sobe.

É hipótese para explicar a mecânica. Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.

Ou seja, comparar a pontuação do IFIX com a cotação de um fundo, ou com o dividend yield dele, é comparar duas grandezas diferentes.

E a distribuição existe porque a regra obriga: Os fundos imobiliários são obrigados a pagar 95% do seu lucro caixa semestral em forma de dividendos para os seus cotistas.

95%
do lucro caixa semestral, o mínimo que a regra manda o fundo imobiliário distribuir aos cotistas · como eu expliquei em outubro de 2020

Essa é a regra como eu a expliquei em outubro de 2020, e a norma vigente é o que vale na data em que você lê, tá?

Como comparar a tua carteira com o IFIX?

Para comparar a tua carteira de FIIs com o IFIX você precisa acertar três coisas: a mesma janela de datas nos dois lados, o rendimento recebido somado ao resultado da carteira, e o aporte tratado como aporte e não como ganho.

Acertadas as três, o passo a passo é mecânico:

  1. Pegue o valor da carteira na data de abertura da janela.
  2. Some os rendimentos recebidos no período.
  3. Abata os aportes e os resgates feitos no meio do caminho.
  4. Chegue no valor final na data de fechamento.
  5. Leia a pontuação do IFIX nessas mesmas duas datas.

Vamos dizer que a carteira abra a janela em R$ 100 mil e receba rendimento todo mês: a gente soma esse rendimento ao valor final antes de dividir, senão a conta engole ele. Os números são redondos e a premissa está declarada. É aritmética de hipótese, não projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.

O que sai é um percentual contra outro percentual, na mesma régua.

Cotação contra retorno total

O erro comum é comparar a variação da cota com a pontuação do índice. Isso dá vantagem artificial ao índice. Um lado joga com o rendimento e o outro não, tá?

O IFIX rendeu mais que o CDI?

A comparação entre o IFIX e o CDI só fecha quando você usa a mesma janela nos dois lados, e esta página não publica a coluna do IFIX.

O motivo é de fonte.

O número do índice por período não existe no material desta página, e as três fontes da busca não fecham entre si: o Status Invest publica "-0,90%" no ano e "21,08%" em 2025, o Investidor10 publica "5,21%" em 12 meses sem dizer até que dia, e a ficha da B3 não publica número nenhum.

Então a tabela desta seção é a régua contra a qual você vai comparar:

Indicador Valor e data da linha O que este número mede
CDI 13,90% ao ano em 27/08/2026 taxa DI anualizada, base 252 dias úteis
IPCA 4,44% acumulado em 12 meses até julho de 2026 inflação oficial acumulada em 12 meses
Selic 14,00% ao ano, meta vigente em 28/08/2026 meta de juro definida pelo Copom

Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.

O desempenho do IFIX por janela, com a data de fechamento, está nas estatísticas históricas do índice na B3. É lá que você lê a outra metade da conta.

Como ler o dividend yield do índice?

O dividend yield médio do IFIX e o desconto do índice sobre o valor patrimonial são dois termômetros do mercado de fundos imobiliários, e cada um tem um ponto cego.

Vídeo: o que é dividend yield e o risco do fundo monoativo
Vídeo do canal, 01/10/2020 — a conta do dividend yield e o risco que se esconde atrás do yield alto no fundo monoativo.

Começo pela conta. Pra quem não sabe o que é dividend yield, é os dividendos pagos nos últimos 12 meses sobre a cotação do último dia disponível.

Ou seja, a conta olha para trás. Yield alto pode significar distribuição boa ou cotação caindo, e o numerador é sempre passado.

O caso extremo é o fundo com um imóvel só. Para mim o grande perigo é você pegar um monoativo, um mono inquilino e um mono contrato.

E o termômetro engana justamente aí. Pro teu bolso, você vai estar assumindo muito mais risco. Normalmente, esse tipo de fundo, ele vai ter um dividend yield muito alto.

O desconto sobre patrimônio diz quanto o mercado paga por cada real de imóvel e de papel que está na carteira, e também não diz nada sozinho.

O que estes dois números não dizem

o numerador do yield é passado, então ele não fala do que vem depois;

yield alto pode ser cotação em queda, não distribuição melhor.

Os dois mudam com cotação e com distribuição, e esta página não publica nenhum deles. Você lê o dividend yield médio e o desconto do índice nas estatísticas do índice na B3 e nos portais de dado, com a data do fechamento ao lado.

Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.

O que os juros fazem com o IFIX?

A taxa de juro entra na conta de fundo imobiliário por dois caminhos mecânicos, e nenhum dos dois autoriza dizer para onde o índice vai.

14,00%
ao ano, meta da Selic vigente em 28/08/2026 — o juro contra o qual o fundo de tijolo disputa o teu dinheiro
Mecanismo 1

Comparação de alternativa

Com a meta da Selic em 14,00% ao ano, vigente em 28/08/2026, um título público sem risco de crédito disputa o mesmo dinheiro que um fundo de tijolo, e o preço da cota se ajusta a essa disputa.

Mecanismo 2

Indexação de recebível

Parte dos fundos de papel carrega recebível indexado a CDI ou a IPCA, então a receita deles se move com esses índices: CDI a 13,90% ao ano em 27/08/2026 e IPCA de 4,44% acumulado em 12 meses até julho de 2026.

Mecanismo não é previsão. Esta seção não diz para onde a pontuação vai, não desenha cenário e não sugere relação garantida entre juro e índice.

A série oficial da Selic fica no Banco Central, e é lá que você confere o número vigente.

Como investir no índice pelo ETF?

Dá para ter o índice de duas maneiras: comprando um ETF que replica o IFIX, numa ordem só, ou montando a carteira de fundos por conta própria.

Vídeo: o que é um ETF, a taxa de administração e a liquidez na bolsa
Vídeo do canal, 28/01/2021 — o que é um ETF, a taxa de administração e a liquidez na bolsa.

O que mais muda entre as duas é o rendimento, e eu expliquei a mecânica em março de 2021: A diferença é o seguinte, o IFIX, ele não distribui o dividendo. Ele reinveste na própria cota.

Nessa fala, o nome IFIX está no lugar do ETF que replica o índice, e não do índice. É a troca de nome que eu mesmo fiz na época e que vale desfazer aqui.

E aí, os dividendos, por enquanto, enquanto eu faço esse vídeo aqui, no Brasil, eles são isentos de imposto de renda. Então é uma vantagem que a gente deixa de ter.

Essa fala é de 2021 e é auto-datada.

A taxa de administração do ETF e a regra tributária do rendimento mudam, e esta página não publica nem uma nem outra: a taxa vigente está na lâmina do produto e a tributação, na norma em vigor na data em que você lê.

Declaração de independência

E declaro a minha posição antes de você decidir: sou analista credenciado, não recebo corretagem, não distribuo produto de terceiros e nada aqui muda conforme o que você fizer depois de ler.

Quem vai montar a carteira à mão continua em a página-mãe de FIIs.

FAQ: Perguntas frequentes sobre o IFIX

O que é o IFIX?

O IFIX é o índice que mede o desempenho médio das cotas dos fundos imobiliários listados na B3, e quem monta, calcula e revisa a carteira teórica é a própria B3.

Ele é de retorno total: soma a variação das cotas e os rendimentos distribuídos pelos fundos. Ou seja, é o retrato médio do mercado de FIIs, e nada mais que isso. A pontuação dele é número-índice, não preço em reais.

O IFIX inclui os rendimentos distribuídos pelos fundos?

Inclui. O IFIX é índice de retorno total, então os rendimentos entram no cálculo somados à variação das cotas.

Por isso a pontuação do índice não se compara à cotação de um fundo nem ao dividend yield dele: o índice joga com o rendimento, e a cotação isolada, não. É a distinção que decide se a tua comparação com o CDI está certa ou errada, tá?

Qual a diferença entre o IFIX e o Ibovespa?

Os dois são carteiras teóricas da B3, e aí a semelhança acaba. O Ibovespa mede ações de empresas; o IFIX mede cotas de fundos imobiliários listados em bolsa e balcão organizado.

E o IFIX é de retorno total, o que muda a régua da comparação entre os dois. Quem ainda não sabe o que é um fundo imobiliário lê primeiro a página-mãe de FIIs.

De quanto em quanto tempo a carteira do IFIX muda?

A carteira é reavaliada em ciclo definido na metodologia da B3, e esta página não afirma o prazo: o ciclo vigente está no Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3, e é lá que você lê o número que vale hoje.

Por que o prazo não entra aqui? Porque o portal que o publica não cita a metodologia nem a data da informação, e número sem fonte não entra.

Como eu comparo a minha carteira de FIIs com o IFIX?

Acerte três coisas: a mesma janela de datas nos dois lados, o rendimento recebido somado ao teu resultado, e os aportes tratados como aporte e não como ganho.

Com as três acertadas, você compara percentual contra percentual, na mesma régua. O passo a passo, com o exemplo declarado como hipótese, está na seção sobre comparar a carteira com o índice.

Como investir no IFIX?

Dá para comprar um ETF que replica o índice, numa ordem só, ou montar a carteira de fundos por conta própria.

O ETF cobra taxa de administração e trata o rendimento de forma diferente de quem tem o fundo direto. Eu só te recomendo que você analise a taxa de administração e a liquidez que esse ETF tem na bolsa, ok? Pra mim a liquidez é o mais importante.

Taxa vigente e regra tributária mudam: a primeira está na lâmina do produto, a segunda na norma em vigor na data da tua leitura. A comparação entre as duas formas está na seção sobre investir pelo ETF.

O IFIX é o mesmo que o ETF que replica o índice?

Não. O IFIX é o índice, uma carteira teórica calculada pela B3; o ETF é um fundo negociado em bolsa que tenta replicar esse índice e cobra taxa para isso.

A confusão é comum, e eu mesmo já usei o nome IFIX querendo dizer o ETF, num vídeo de 2021. Então vale a régua: índice é medida, ETF é produto. Quem compra o ETF compra o produto, com a taxa e a tributação dele.

A pontuação do IFIX é em reais?

Não. A pontuação do IFIX é ponto, não real: é número-índice, medido contra uma base fixada pela B3, e o que informa é a variação entre duas datas.

Um portal de dado chega a exibir "R$" e seletor de moeda para o índice, e isso é erro de unidade. O valor em reais que existe na tua vida é o da cota do fundo ou do ETF, não o do índice.

eu, em retrato de estúdio
Analista CNPI · APIMEC
Quem assina

Hulisses Dias

No mercado desde 1999 como investidor, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC desde 2020 e sujeito à regulação da CVM. Não custodia dinheiro de cliente, não recebe corretagem e não distribui produto de terceiros, o que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.

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