Aprender a Investir · Guia

Quais são os tipos de investimentos no Brasil

Duas famílias, três categorias que atravessam as duas e uma tabela com risco, liquidez, imposto e FGC lado a lado. Com o link de cada tipo.

R$ 250 mil · teto do FGC por CPF e por conglomerado atualizado em agosto/2026
Resposta direta

Os investimentos disponíveis para pessoa física no Brasil cabem em duas famílias e três categorias que atravessam as duas: renda fixa, renda variável, fundos, previdência e criptoativos. E o FGC cobre até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro.

Quais são os tipos de investimentos?

A renda fixa é um tipo de classe de ativo aonde você, quando entra no investimento, já sabe qual que vai ser a remuneração — você empresta dinheiro e a regra do pagamento já está combinada na entrada. Entram aí poupança, Tesouro Selic, Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado, CDB, LCI, LCA, CRI, CRA, debêntures comuns e incentivadas.

Na renda variável você vira sócio do risco: ações, fundos imobiliários, ETFs, BDRs, FIAGRO, commodities e a trilha de opções.

Fundos, previdência privada e criptoativos atravessam as duas famílias.

O que separa um tipo do outro na hora de escolher é sempre a mesma coisa: risco, liquidez, prazo, imposto e quem garante.

R$ 250 mil
Teto do FGC por CPF e por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos.
2
Famílias: renda fixa, em que você empresta, e renda variável, em que você vira sócio do risco.
3
Categorias que atravessam as duas famílias: fundos, previdência privada e criptoativos.

Cada tipo abaixo ganha um resumo curto, e os que já têm página própria aqui no site levam o link dela, tá?

Renda fixa ou renda variável?

Renda fixa é emprestar dinheiro; renda variável é virar sócio do risco.

E quando eu falo de investir em renda fixa, essencialmente Eu estou falando de emprestar dinheiro para alguém, essa pessoa jurídica ou pessoa física, me pagar um dinheiro de volta.

Do outro lado, na renda variável você não empresta. Você compra um pedaço de uma empresa, de um fundo imobiliário ou de uma cesta de ativos, e o preço oscila todo dia útil.

Daí saem duas perguntas diferentes:

A pergunta certa

Renda fixa

Em renda fixa, a pergunta é quem é o emissor e o que garante o pagamento.

A pergunta certa

Renda variável

Em renda variável, a pergunta é o que você está comprando e por quanto tempo pretende ficar.

Na renda fixa a ordem do risco segue o emissor: o governo é o mais seguro, depois as instituições financeiras, depois as empresas, tá? Do lado privado é assim porque você empresta para banco, empresta para empresa e eles não tem o poder de imprimir dinheiro, então corre o risco deles não te pagarem.

É com essa fila na cabeça que você lê a tabela logo abaixo.

Risco, liquidez e prazo: o que olhar?

Quatro critérios decidem a escolha, e eles valem para qualquer tipo: risco, liquidez, prazo e perfil.

01

Risco é a chance de o dinheiro voltar diferente do combinado.

02

Liquidez é em quanto tempo você transforma o investimento em dinheiro na conta sem perder valor.

03

Prazo é quanto tempo você consegue ficar sem mexer nele.

04

Perfil não é questão de opinião: antes de a corretora liberar a conta para o primeiro aporte, você vai ter que responder um questionário de suitability que vai falar sobre o teu perfil de risco.

Os três primeiros se movem juntos, e a troca é sempre a mesma: mais retorno esperado custa mais risco ou menos liquidez. Então não cai na armadilha de só pensar em retorno.

Na hora de montar a carteira com esses quatro critérios na mão, os princípios que eu sigo são outros três. Primeiro é a diversificação. O segundo é o baixo custo e o terceiro aqui é a alta liquidez.

Dos quatro, risco e liquidez você lê direto na tabela da próxima seção: cada um tem coluna própria, tipo por tipo.

Prazo e perfil não viram coluna porque não são do produto, são teus: é com os dois na mão que você lê cada linha.

Qual tipo tem FGC, imposto e liquidez?

Quem tem FGC é depósito e título de banco: poupança, CDB, LCI e LCA. Dentro da renda fixa, quem não tem é CRI, CRA e debênture, e o Tesouro Direto não precisa, porque quem paga é o próprio governo.

O FGC é um seguro dos bancos, que é privado, não é algo governamental, e cobre até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos.

O imposto separa a tabela em dois grupos:

  • Renda fixa tributada: tabela regressiva, 22,5% sobre o rendimento até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias.
  • Isentos para pessoa física: LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas.

E quem resgata antes de 30 dias ainda entrega parte do rendimento ao IOF, que começa em 96% no 1º dia e zera no 30º.

Por isso comparar dois títulos pelo número bruto não resolve: lucro bruto é o retorno que te oferecem antes mesmo de você ter que pagar o teu imposto de renda, e a conta só fecha no líquido.

Para os cinco tipos de renda variável da tabela (ação, fundo imobiliário, ETF, BDR e FIAGRO), esta página não publica nem a alíquota nem a cobertura do FGC: cada instrumento segue regra própria, que esta página não detalha.

Nenhuma linha desta tabela é indicação de produto.

Tipos de investimento comparados por família, risco, liquidez, imposto de renda, IOF, cobertura do FGC e página do tipo.
Tipo Família Risco Liquidez Imposto de renda IOF FGC Página do tipo
Poupança Renda fixa Emissor bancário, o degrau mais protegido da fila, e o produto que rende menos da lista Resgate a qualquer dia, com rendimento creditado no aniversário mensal do depósito Isenta para pessoa física Não incide Coberta, até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado Comparar poupança e Tesouro Direto
Tesouro Selic Renda fixa Emissor é o governo, o mais seguro da fila por crédito Recompra do Tesouro Nacional em todo dia útil Tabela regressiva, de 22,5% a 15% conforme o prazo Incide sobre o rendimento no resgate antes de 30 dias Não tem FGC e não precisa: quem paga é o próprio governo Abrir a página do Tesouro Selic
Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado Renda fixa Emissor é o governo, mas o preço oscila até o vencimento por marcação a mercado Recompra diária a preço de mercado; quem segura até o vencimento recebe a taxa contratada Tabela regressiva, de 22,5% a 15% conforme o prazo Incide sobre o rendimento no resgate antes de 30 dias Não tem FGC e não precisa: quem paga é o próprio governo Abrir a página do Tesouro Direto
CDB Renda fixa Banco grande paga menos e é menos arriscado; banco médio paga mais e é mais arriscado Depende do contrato: existe CDB de liquidez diária e existe CDB com carência até o vencimento Tabela regressiva, de 22,5% a 15% conforme o prazo Incide sobre o rendimento no resgate antes de 30 dias Coberto, até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado Abrir a página do CDB
LCI e LCA Renda fixa Emissor bancário, mesma fila do CDB, com o porte do banco decidindo o preço Travam o dinheiro por um prazo de carência e não têm mercado secundário confiável Isentas para pessoa física A carência cobre a janela em que o IOF incidiria Cobertas, até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado Abrir a página da LCI e da LCA
CRI e CRA Renda fixa Emissor é empresa, o degrau mais arriscado da fila, e o produto paga comissão alta para quem distribui Sem mercado secundário confiável: sair antes do vencimento é difícil Isentos para pessoa física A ausência de mercado secundário cobre a janela do IOF Sem cobertura do FGC Abrir a página dos títulos privados
Debênture comum Renda fixa Emissor é empresa, sem a fila de proteção que o banco tem Sem mercado secundário confiável: sair antes do vencimento é difícil Tabela regressiva, de 22,5% a 15% conforme o prazo Incide sobre o rendimento no resgate antes de 30 dias, quando há resgate Sem cobertura do FGC Abrir a página das debêntures
Debênture incentivada Renda fixa Emissor é empresa, sem a fila de proteção que o banco tem Sem mercado secundário confiável: sair antes do vencimento é difícil Isenta para pessoa física A ausência de mercado secundário cobre a janela do IOF Sem cobertura do FGC Abrir a página das debêntures
Ações Renda variável Você vira sócio do risco: o preço oscila todo dia e a posição pode passar anos no vermelho Negociada em bolsa em dia útil, ao preço do dia Fora da tabela regressiva da renda fixa: a alíquota é própria do instrumento, e esta página não publica Fora da regra de resgate antes de 30 dias Esta página não publica a cobertura do FGC deste tipo Abrir a página de ações
Fundo imobiliário Renda variável Cota de imóvel ou de crédito imobiliário negociada em bolsa; oscila e depende do imóvel que está dentro Negociado em bolsa em dia útil, ao preço do dia Fora da tabela regressiva da renda fixa: a alíquota é própria do instrumento, e esta página não publica Fora da regra de resgate antes de 30 dias Esta página não publica a cobertura do FGC deste tipo Abrir a página dos fundos imobiliários
ETF Renda variável Cesta inteira numa cota só, o que dilui a escolha de empresa mas não tira a oscilação da bolsa Fundo de baixo custo e de alta liquidez, negociado em bolsa em dia útil Fora da tabela regressiva da renda fixa: a alíquota é própria do instrumento, e esta página não publica Fora da regra de resgate antes de 30 dias Esta página não publica a cobertura do FGC deste tipo Abrir a página dos ETFs
BDR Renda variável Recibo de empresa de fora negociado aqui: soma a oscilação da empresa à do câmbio Negociado em bolsa em dia útil, ao preço do dia Fora da tabela regressiva da renda fixa: a alíquota é própria do instrumento, e esta página não publica Fora da regra de resgate antes de 30 dias Esta página não publica a cobertura do FGC deste tipo Abrir a página dos BDRs
FIAGRO Renda variável Cota ligada ao crédito e ao ativo do agronegócio, com a oscilação da bolsa por cima Negociado em bolsa em dia útil, ao preço do dia Fora da tabela regressiva da renda fixa: a alíquota é própria do instrumento, e esta página não publica Fora da regra de resgate antes de 30 dias Esta página não publica a cobertura do FGC deste tipo Abrir o hub de Renda Variável
Imposto de renda pela tabela regressiva da Lei 11.033/2004; IOF conforme o Decreto 6.306/2007; cobertura do FGC de até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada período de 4 anos.

Quais são os tipos de renda fixa?

Renda fixa se organiza por quem emite o título.

Do lado público, o Tesouro Direto:

Do lado privado:

  • CDB: você empresta para o banco, e o porte do emissor manda no preço: quanto maior o banco mais seguro ele é, então ele vai te pagar menos rentabilidade; banco médio paga mais porque é mais arriscado. Tem FGC. Abrir a página do CDB
  • LCI e LCA: letra de crédito imobiliário e letra de crédito do agronegócio, isentas de imposto de renda para pessoa física e com FGC. Abrir a página da LCI e da LCA
  • CRI e CRA: certificado de recebível imobiliário e do agronegócio, emitidos por empresa, sem FGC. Abrir a página dos títulos privados
  • Debêntures comuns e incentivadas: quando a gente fala de debêntures, a gente está falando de títulos de dívida que a gente empresta dinheiro para empresas, sociedades anônimas, SA's. A incentivada é isenta para pessoa física, e nenhuma das duas tem FGC. Abrir a página das debêntures
  • Letra de câmbio e letra financeira fecham a lista do lado privado.

E tem a poupança, o produto mais antigo e o que rende menos da lista: 0,67% ao mês para depósitos entre 27/08/2026 e 27/09/2026. Comparar poupança e Tesouro Direto

Ou seja, você acabou de chegar na conclusão que a renda fixa não é tão simples quanto imaginavam, mas ela é muito fácil.

Quais são os tipos de renda variável?

Renda variável começa em ações, e comprar ação é virar sócio da empresa — a renda variável é aonde a gente encontra risco e aonde a gente encontra oportunidade dentro do mercado financeiro. De lá o mapa se abre em fundos imobiliários, ETFs, BDRs, FIAGRO, commodities e a trilha de opções e derivativos.

Opções e derivativos

entram como categoria própria, e com o aviso que ninguém escreve: é onde dá para perder dinheiro mais rápido, e quem entra sem estudar o mecanismo paga a conta.

Abrir a página de opções

Fundos de investimento são um tipo à parte?

Fundo não é uma família à parte. É uma embalagem que pode conter renda fixa, renda variável ou as duas, e o que decide se vale a pena é o custo.

A regra do produto

A taxa de administração é cobrada continuamente e descontada da cota todo dia útil, e não no momento do resgate, como muita página por aí ainda escreve — então você tem que entender se isso é bom ou ruim pra você.

A taxa de performance é uma fatia do que passar do índice de referência: um fundo ativo de ações que cobra 2% de administração e 20% de performance precisa render bastante acima do índice só para empatar com quem comprou o índice direto.

Existe ainda uma terceira camada, o come-cotas, que é a antecipação do imposto de renda em fundos abertos. Esta página não publica periodicidade nem alíquota dela, porque não tem fonte própria para o número.

E eu não quero que você compre nenhum fundo de renda fixa. Pô, tem um monte de fundo aí que estão te cobrando meio por cento, um por cento de taxa de administração pra botar o dinheiro no Tesouro Selic.

E previdência, COE e cripto, entram onde?

Previdência privada, COE e criptoativos entram no mapa, cada um na própria caixa, e nenhum dos três é uma quarta família.

  • Previdência privada: produto que por dentro é fundo, e por isso atravessa as duas famílias em vez de abrir uma terceira. PGBL e VGBL são os dois formatos, e eles diferem no tratamento tributário. Qual é o tratamento de cada um esta página não publica, porque não tem fonte própria para a regra: quem abre isso é a página de previdência privada.
  • COE: Certificado de Operações Estruturadas, um pacote que mistura renda fixa com derivativo e cujo custo vem embutido na estrutura, em vez de cobrado à parte na nota.
  • Criptoativo: não é renda fixa nem renda variável tradicional: não tem emissor, não tem cobertura do FGC e segue regra tributária própria, diferente da tabela regressiva da renda fixa.

Esta página não aprofunda nenhuma das três: cada uma leva a linha de classificação e, quando já existe página própria, o link dela.

O que são CDI, Selic e IPCA?

CDI, Selic e IPCA são as três referências que decidem quanto a renda fixa te paga, e toda etiqueta que aparece na corretora sai de uma delas.

CDI é o certificado de depósito interbancário, que na prática é a taxa pela qual os bancos emprestam dinheiro entre si. Ele anda colado na Selic, que é a meta de juros definida pelo Copom, porque senão o banco ia pegar dinheiro emprestado e emprestar dinheiro para o governo e isso tudo ia ficar atrapalhado. A terceira referência é a variação do IPCA, que é o índice de preço do consumidor amplo, que é a inflação oficial do governo medida pelo IBGE.

A Selic está em 14,00% ao ano, meta vigente em 28/08/2026, e o CDI em 13,90% ao ano, em 27/08/2026.

Daí saem as três etiquetas:

Pós-fixado, prefixado e híbrido: o que rende cada etiqueta, a referência vigente com data e a página do indexador.
Etiqueta O que rende e como ler Referência vigente e data Página do indexador
Pós-fixado (100% do CDI, Selic + 0,1%) Rende o que o indexador render no período; você não sabe o número final na largada, só a regra CDI em 13,90% ao ano em 27/08/2026; Selic em 14,00% ao ano, meta vigente em 28/08/2026 Abrir a página do CDI e a página da Selic
Prefixado Taxa fechada no dia da compra, que não muda até o vencimento; o preço do título é que oscila no meio do caminho Não tem indexador: a referência de mercado é a Selic de 14,00% ao ano, meta vigente em 28/08/2026 Abrir a página do Tesouro Direto
Híbrido (IPCA + 6%) Paga a inflação oficial do período mais um juro real fechado por cima; protege o poder de compra do aporte IPCA acumulado em 12 meses em 4,44% até julho de 2026 Abrir a página do IPCA
Selic (meta definida pelo Copom), CDI (taxa DI anualizada, base 252 dias úteis) e IPCA acumulado em 12 meses: séries 432, 4389 e 13522 do Banco Central, nas datas indicadas em cada linha.

Quanto rende R$ 1.000 em cada tipo?

R$ 1.000 parados por 12 meses terminam em R$ 1.083,43 na poupança, R$ 1.114,68 num CDB de 100% do CDI e R$ 1.115,50 no Tesouro Selic, já descontado o imposto. Uma distância de R$ 32,07 entre o primeiro e o último.

Vamos dizer que a gente deixe esses R$ 1.000 parados com as taxas de referência de agosto de 2026 e resgate o dinheiro em 365 dias. A hipótese é essa, e ela fica na mesa.

R$ 32,07 a distância entre a poupança e o Tesouro Selic em 12 meses, líquido de imposto
R$ 1.000 valor de partida, resgatado em 365 dias
R$ 1.000 em 12 meses, líquido de imposto
Poupança0,67% ao mês com juro composto, isenta de imposto de renda
R$ 1.083,43líquido em 12 meses
CDB de 100% do CDI13,90% ao ano; menos 17,5% da faixa de 361 a 720 dias sobre o rendimento bruto de R$ 139,00
R$ 1.114,68líquido em 12 meses
Tesouro Selic14,00% ao ano; menos 17,5% sobre o rendimento bruto de R$ 140,00, sem taxa de custódia no estoque de até R$ 10 mil
R$ 1.115,50líquido em 12 meses
As barras comparam o rendimento líquido de cada linha — R$ 83,43, R$ 114,68 e R$ 115,50 sobre R$ 1.000. Premissa: poupança a 0,67% ao mês para depósitos de 27/08/2026 a 27/09/2026, CDI em 13,90% ao ano em 27/08/2026 e Selic em 14,00% ao ano, meta vigente em 28/08/2026 (séries 195, 4389 e 432 do Banco Central), com resgate em 365 dias. Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.

Isso é exemplo com premissa declarada. Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade — e você tem que entender sempre o retorno depois de pagar os impostos, beleza?

O valor da tua conta você refaz na calculadora.

Onde cada tipo pode te machucar?

Cada tipo machuca de um jeito próprio: a LCI trava o dinheiro, o Tesouro Prefixado pode valer menos se você vender antes, o CRI não tem FGC e o fundo desconta taxa da cota todo dia útil.

Na verdade, renda fixa é mais difícil, porque renda fixa é um contrato. Tem várias letras miúdas lá.

As letras miúdas, por tipo:

01

LCI e LCA: travam o dinheiro por um prazo de carência e não têm mercado secundário confiável.

02

Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado: sofrem marcação a mercado, que é o ajuste do preço de um ativo a um novo ambiente de risco, e podem valer menos do que você pagou se você vender antes do vencimento. Quem segura até o final recebe o combinado.

03

CDB de banco pequeno: paga mais porque o risco é maior, e o FGC resolve até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro.

04

CRI, CRA e debênture incentivada: não têm FGC e pagam comissão alta para quem distribui. Então, eu nunca teria nem cri, nem cra na minha carteira.

05

Ação e fundo imobiliário: oscilam e podem passar anos no vermelho.

E eu quero desfazer uma confusão aqui: o Tesouro Direto pode, sim, ser resgatado antes do vencimento. O Tesouro Nacional recompra em todo dia útil, ao preço do dia.

Declaração de independência

Não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros.

Por onde começar a investir?

A ordem importa mais do que o produto, e ela tem cinco degraus.

  1. Sair da dívida cara. Rotativo do cartão e cheque especial cobram mais do que qualquer tipo desta página paga: os R$ 32,07 de diferença entre poupança e Tesouro Selic, na mesma conta de R$ 1.000 em 12 meses que eu fiz mais acima, desaparecem diante do custo de uma fatura parcelada. Abrir a página de sair das dívidas
  2. Montar a reserva de emergência em algo com liquidez diária. E quando a gente fala de renda fixa no Brasil, o ativo mais seguro aquele que eu sugiro que você comece é o Tesouro Selic. Abrir a página da reserva de emergência
  3. O resto da renda fixa, escolhendo por indexador e prazo em vez de por nome de banco. Abrir o guia de renda fixa
  4. Renda variável, começando por ETF, que resolve diversificação e custo de uma vez. Mesmo depois desse degrau, você sempre tem que ter um pouco de renda fixa na tua carteira. Abrir o guia de renda variável
  5. O que exige estudo próprio: ações escolhidas uma a uma, fundos imobiliários, opções. Abrir a página de opções

Isso é escada de aprendizado, não recomendação de carteira: quem decide o teu caso é você, com o teu perfil na mão.

FAQ: Perguntas frequentes sobre tipos de investimentos

Qual é o investimento mais seguro?

Na renda fixa a segurança vem de quem emite: o governo é o emissor mais seguro, depois as instituições financeiras, depois as empresas. Por isso o Tesouro Selic é o título com menor risco de crédito disponível para pessoa física no Brasil.

Só que segurança de crédito não é a mesma coisa que ausência de oscilação: Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ sofrem marcação a mercado e podem valer menos do que você pagou se você vender antes do vencimento.

O que o FGC cobre e o que ele não cobre?

O FGC garante até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada período de 4 anos.

  • Cobre: poupança, CDB, LCI e LCA.
  • Não cobre: CRI, CRA, debênture e fundo de investimento.
  • Não precisa cobrir: Tesouro Direto, porque quem paga o título é o próprio governo.

Para os tipos de renda variável (ação, fundo imobiliário, ETF, BDR e FIAGRO), esta página não publica a cobertura do FGC: cada instrumento segue regra própria, que esta página não detalha.

LCI e LCA pagam imposto de renda?

Não, para pessoa física. LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas são isentas de imposto de renda para pessoa física.

CDB, Tesouro Direto e debênture comum seguem a tabela regressiva: 22,5% sobre o rendimento até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias.

É por isso que comparar dois títulos pelo número bruto não resolve: a conta só fecha no líquido.

Tesouro Direto tem liquidez diária?

Tem. O Tesouro Nacional recompra os títulos em todo dia útil, a preço de mercado.

O que não existe é garantia de que o preço de recompra seja o que você pagou: se o título for prefixado ou IPCA+ e você vender antes do vencimento, pode receber mais ou menos que o combinado. Quem segura até o vencimento recebe exatamente a taxa contratada.

Qual a diferença entre renda fixa e renda variável?

Em renda fixa você empresta dinheiro e já sabe a regra da remuneração na hora de entrar: se eu vou comprar um CDB e eu tenho esse CDB rendendo CDI, eu não sei quanto vai ser o CDI, mas eu sei que vai ser pelo CDI essa remuneração. Em renda variável você compra um pedaço de alguma coisa (empresa, imóvel, cesta de ativos) e vira sócio do risco, sem regra de remuneração combinada.

A primeira família te dá previsibilidade. A segunda te dá um retorno que ninguém combinou de antemão e que pode ser negativo.

Quanto dinheiro eu preciso para começar a investir?

O valor de entrada muda todos os dias, e esta página não publica um número, porque não existe fonte própria para ele.

O Tesouro Direto é vendido em fração de título, e o valor exato acompanha o preço do título, publicado na página do Tesouro Nacional. CDB, ETF e ação são comprados por unidade ou por cota, e o mínimo aparece na tela da própria corretora no momento da compra. É lá que você confere antes de aportar.

Fundo de investimento entra em qual família?

Nas duas, e é isso que confunde. Fundo é embalagem, não família: um fundo de renda fixa carrega título de renda fixa, um fundo de ações carrega renda variável e um multimercado carrega as duas.

Por isso a pergunta útil sobre fundo não é em que família ele entra, é quanto ele cobra:

  • taxa de administração, descontada da cota todo dia útil;
  • taxa de performance, sobre o que passar do índice;
  • come-cotas, por cima das duas.

Quem assina esta página sou eu

eu, em retrato de estúdio recortado em círculo sobre fundo cinza — a assinatura desta página
Analista CNPI · APIMEC

Hulisses Dias · Analista de valores mobiliários credenciado, no mercado desde 1999 como investidor

No mercado desde 1999 como investidor, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC desde 2020 e sujeito à regulação da CVM. Não custodia dinheiro de cliente, não recebe corretagem e não distribui produto de terceiros, o que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.

Estou no mercado desde 1999 como investidor, e o assunto em que mais me aprofundei é opções. Escrevi o livro Investir é Sobre Gente, publicado pela Interminds em 2025.

O que eu posso assinar é relatório de análise, não recomendação individual de carteira: quem decide o teu caso é você, com o teu perfil na mão.

Não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros, o que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.

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