Afinal, CDB ou Tesouro Direto?
Para a reserva de emergência o ponto de partida é o Tesouro Selic. O CDB de liquidez diária só passa na frente quando paga acima de 100% do CDI, e a régua é o CDI de 13,90% ao ano medido em 27/08/2026.
Para prazo definido a escolha deixa de ser liquidez e vira prêmio de taxa: quanto o CDB IPCA+ paga a mais que o Tesouro IPCA+ de mesmo vencimento.
Muita gente confunde que renda fixa é mais fácil. Na verdade, renda fixa é mais difícil, porque renda fixa é um contrato. Tem várias letras miúdas lá, e é nelas que um produto se separa do outro: quem fica devendo, quanto some em imposto e em taxa, e o que acontece se o dinheiro precisar sair antes da hora.
E eu sou analista CNPI, que é a certificação nacional do profissional de investimento, sem acordo com nenhuma instituição financeira: não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo nem o CDB nem o título público de que falo aqui. Ou seja, nada nesta página muda conforme o que você decidir depois de ler.
Qual a diferença, critério por critério?
A diferença que decide está em seis critérios, e só um deles muda com a taxa do dia.
No CDB o devedor é um banco, e o que cobre parte do que ele deve é o fundo garantidor de crédito, que é um seguro dos bancos, que é privado, não é algo governamental, que segura até 250 mil reais por CPF. Esse limite vale por CPF e por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
No Tesouro Direto o devedor é o Tesouro Nacional, e não existe fundo garantidor porque a dívida é do emissor soberano.
O custo recorrente existe de um lado só: 0,20% ao ano de custódia da B3 sobre o Tesouro Direto, isenta no Tesouro Selic para estoque de até R$ 10 mil por investidor.
O imposto de renda é idêntico nos dois, de 22,5% a 15% conforme o prazo, e por isso não aparece como critério de diferença no quadro.
| Critério | CDB | Tesouro Direto |
|---|---|---|
| Emissor | Um banco: o dinheiro vira dívida da instituição emissora | O Tesouro Nacional: a dívida é do emissor soberano |
| Garantia | FGC até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos | Não há fundo garantidor: quem deve é o próprio governo |
| Liquidez | A que o contrato do emissor definir | Diária no Tesouro Selic, com recompra garantida pelo próprio Tesouro |
| Custos recorrentes | Não há taxa de custódia | 0,20% ao ano de custódia da B3, isenta no Tesouro Selic para estoque de até R$ 10 mil por investidor |
| Volatilidade / marcação a mercado | Preço definido no contrato; a saída antes do prazo depende do emissor e do deságio que ele aplicar | Preço de mercado no dia: quase imperceptível no Tesouro Selic, forte nos títulos de prazo longo |
| Uso ideal | Reserva, quando a liquidez é diária de fato e o percentual do CDI compensa o risco do emissor | Tesouro Selic como ponto de partida da reserva; títulos indexados para prazo definido |
O quadro sai em texto e não em imagem, para que você consiga ler no celular e copiar a linha que interessa. A linha de aporte mínimo não entra: não há fonte verificada para ela nesta página.
Quem fica devendo o teu dinheiro?
No CDB quem fica devendo é um banco. No Tesouro Direto, o Tesouro Nacional.
E aí a gente tem os emissores privados, que é quando você empresta para banco, empresta para empresa e eles não tem o poder de imprimir dinheiro, então corre o risco deles não te pagarem.
Vídeo: guia definitivo de renda fixa, com emissor público e emissor privado lado a lado.
A ordem de risco por emissor não muda com a taxa do dia. O governo é o mais seguro, depois as instituições financeiras, e a empresa fica por último. São três níveis, sempre nesta ordem:
- Governoa dívida é do Tesouro Nacional. Não existe fundo garantidor atrás dela porque quem deve é o emissor soberano.
- Instituição financeiraFGC até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro. Acima desse limite, o que responde pelo pagamento é a própria instituição: a relação de patrimônio líquido dela com ativos totais.
- Empresanão há FGC — nas empresas você também tem que analisar a geração de caixa que essa empresa tem com as obrigações financeiras que ela tem.
Isso não faz o CDB ser ruim. Faz ele ser outro contrato: o banco, ele tá querendo o quê? Captar dinheiro pra emprestar pros outros, pra botar em outros projetos. Paga mais por isso, e quem compra assume o risco de crédito dele até o limite que o FGC cobre, de R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro.
Chamar os dois de baixo risco porque ambos são renda fixa apaga a única variável que decide a comparação: quem devolve o dinheiro, e com qual garantia.
Tesouro Selic ou CDB para a reserva?
Tesouro Selic ou CDB para a reserva: a resposta começa pelo título público.
E quando a gente fala de renda fixa no Brasil, o ativo mais seguro aquele que eu sugiro que você comece é o Tesouro Selic. O Tesouro Selic essencialmente vai estar emprestando dinheiro para o governo e ele está te pagando de volta uma rentabilidade depois disso. Lembrando que você tem liquidez diária. Aqui essa rentabilidade é a Selic efetiva, de 13,90% ao ano em 27/08/2026, a recompra diária é garantida pelo próprio Tesouro, e não há custódia enquanto o estoque do investidor fica em até R$ 10 mil.
O CDB de liquidez diária compete no mesmo lugar e pode ganhar, com duas condições checadas antes: que a liquidez seja mesmo diária, sem carência escondida no contrato, e que o percentual do CDI compense o risco do emissor.
| Critério | Tesouro Selic | CDB de liquidez diária |
|---|---|---|
| Liquidez | Recompra diária garantida pelo próprio Tesouro | A janela é a do contrato de cada emissor: você a lê no contrato ou na oferta da plataforma |
| Custo recorrente | 0,20% ao ano de custódia da B3, isenta até R$ 10 mil de estoque por investidor | Não há taxa de custódia |
| Garantia | Dívida do Tesouro Nacional, sem fundo garantidor | FGC até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro |
| Rendimento de referência | Selic efetiva de 13,90% ao ano, em 27/08/2026 | Percentual do CDI, que estava em 13,90% ao ano em 27/08/2026 |
Com a Selic efetiva e o CDI no mesmo patamar, o Tesouro Selic e um CDB de 100% do CDI empatam no bruto, e a decisão sai no líquido. A janela de crédito do resgate do CDB é definida no contrato de cada emissor, e é lá que você a confere antes de aplicar.
O Tesouro Reserva entra nessa conta?
O Tesouro Reserva entra na decisão da reserva, mas esta página não publica os parâmetros dele.
É um título público recente, criado para disputar exatamente o lugar que o CDB de liquidez diária ocupa na reserva de emergência. Isso transforma a escolha em três opções em vez de duas: Tesouro Selic, CDB de liquidez diária e Tesouro Reserva.
O que falta aqui é dado, não espaço. Aplicação mínima, janela de resgate, prazo de vencimento, indexador e disponibilidade por instituição não estão na base de dados verificada deste site, e são justamente as condições que mais mudaram desde o lançamento.
Republicar número de reportagem seria entregar um valor que ninguém reconfere depois.
Esses parâmetros estão na página oficial do Tesouro Direto, e é lá que eles valem no dia da leitura. A comparação de custo, de liquidez e de imposto que esta página faz continua sendo a das Seções 4, 6 e 7.
Quanto some em IR, IOF e custódia?
A taxa que aparece no app é bruta nos dois produtos: depois a gente tem que pagar o imposto de renda. Então a gente vai ter a taxa bruta e você tem que encontrar a taxa líquida, tá bom? O que sobra depende de três cobranças.
| Cobrança | CDB | Tesouro Direto | Norma |
|---|---|---|---|
| Imposto de renda | Tabela regressiva sobre o rendimento: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias, 15% acima de 720 dias | Idêntico ao CDB, mesma tabela e mesmas faixas | Lei 11.033/2004, art. 1º |
| IOF | Sobre o rendimento, em resgate antes de 30 dias: 96% no primeiro dia, zerando no trigésimo | Idêntico ao CDB | Decreto 6.306/2007 |
| Custódia | Não existe essa linha | 0,20% ao ano sobre o valor investido, cobrados semestralmente, com isenção no Tesouro Selic para o estoque de até R$ 10 mil por investidor | Tabela de custódia da B3 |
O imposto é o mesmo dos dois lados, então ele não decide a comparação. Sobre R$ 1.000 de rendimento, ele leva:
A assimetria está na custódia. Ela existe de um lado só, e some no Tesouro Selic enquanto o teu estoque fica abaixo de R$ 10 mil, que é o tamanho de boa parte das reservas de emergência.
Quanto do CDI o CDB precisa pagar?
Até R$ 10 mil de estoque, o CDB precisa pagar cerca de 100% do CDI para empatar com o Tesouro Selic. Acima dessa faixa, cerca de 98,6%, porque é aí que entra a custódia de 0,20% ao ano que só o título público paga.
| Prazo | Alíquota de IR no período | % do CDI para empatar (estoque até R$ 10 mil) | % do CDI para empatar (estoque acima de R$ 10 mil) |
|---|---|---|---|
| 6 meses | 22,5% | 100% | 98,6% |
| 1 ano | 20% | 100% | 98,6% |
| 2 anos | 17,5% | 100% | 98,6% |
| 5 anos | 15% | 100% | 98,6% |
A conta é aberta aqui, com a premissa do lado:
Percentual de equilíbrio = (Selic efetiva anual − custódia aplicável) ÷ CDI anual
Selic efetiva (a taxa que o Tesouro Selic acumula, não a meta do Copom): 13,90% ao ano, em 27/08/2026
CDI: 13,90% ao ano, em 27/08/2026
Convenção: 252 dias úteis no ano
Custódia aplicável: zero até R$ 10 mil de estoque no Tesouro Selic; 0,20% ao ano acima disso
Repare que o prazo não muda esse ponto, e essa é a parte que a busca no Google erra. Por quê? Porque o imposto de renda é o mesmo dos dois lados em cada faixa, então ele encurta o ganho dos dois na mesma proporção.
E passar do equilíbrio é condição necessária, não suficiente. Um CDB que paga bem acima dos 100% do CDI não está sendo generoso. É porque o mercado está recebendo mais risco nessa instituição, porque senão ela captaria dinheiro mais barato.
Quanto rende cada um, na prática?
Com as taxas de agosto de 2026 mantidas constantes, R$ 1.000 aplicados uma vez viram R$ 1.111,20 líquidos em um ano tanto no Tesouro Selic quanto num CDB de 100% do CDI, e R$ 1.083,43 na poupança.
As premissas ficam dentro da própria tabela, não em nota de rodapé:
| Linha | R$ 1.000 em 1 ano, líquido | Alíquota de IR no período |
|---|---|---|
| Premissas | Selic efetiva de 13,90% ao ano em 27/08/2026; CDI de 13,90% ao ano em 27/08/2026; poupança de 0,67% ao mês para depósitos de 27/08/2026 a 27/09/2026; custódia isenta porque o estoque fica abaixo de R$ 10 mil; 252 dias úteis no ano | Tabela regressiva |
| Tesouro Selic | R$ 1.111,20 | 20% |
| CDB de 100% do CDI | R$ 1.111,20 | 20% |
| Poupança | R$ 1.083,43 | Não se aplica |
A conta escala: multiplique por oito para os R$ 8 mil de uma reserva. Acima de R$ 10 mil de estoque entra a custódia de 0,20% ao ano do lado do Tesouro Direto, e é a Seção 7 que diz como o ponto de equilíbrio muda.
Um aporte mensal é essa mesma conta repetida a cada depósito, cada um com o seu prazo e a sua alíquota.
É uma simulação com taxas de uma data específica, mantidas constantes. Não é projeção, promessa nem garantia de rentabilidade.
CDB IPCA+ ou Tesouro IPCA+?
Em cinco anos o que decide não é a liquidez, é o prêmio de taxa que o banco paga sobre o título público de mesmo vencimento.
E aí, no CDB, a gente vai ter a dinâmica de você emprestar dinheiro para o banco. E o banco, ele vai te pagar uma remuneração. Ela pode ser prefixada, ela pode ser pós-fixada. E quanto mais tempo você deixar esse dinheiro nesse compromisso desse CDB, maior vai ser a rentabilidade que ele vai te pagar — o que ele está comprando é tempo com o teu dinheiro na mão dele.
São quatro as diferenças que não mudam com a taxa do dia:
- Imposto de renda
- Tabela regressiva, de 22,5% a 15% conforme o prazo
- Custódia
- 0,20% ao ano da B3
- Saída antes do vencimento
- Recompra diária garantida pelo Tesouro, pelo preço de mercado do dia
- Garantia
- Dívida do Tesouro Nacional
- Imposto de renda
- A mesma tabela, sem diferença
- Custódia
- Não existe essa linha
- Saída antes do vencimento
- Depende do contrato: pode haver carência até o vencimento
- Garantia
- FGC até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro
A taxa real dos dois lados muda todo dia, e é a diferença entre elas que paga a perda de liquidez e o risco de crédito. A do título público está na página oficial do Tesouro Direto; a do CDB, na oferta da plataforma. Compare as duas no mesmo vencimento, ou você não está comparando nada.
E se eu precisar sacar antes?
Sair antes do vencimento tem preço diferente nos dois lados.
No Tesouro Direto existe recompra diária garantida, e o preço do dia é o de mercado. Então, se a taxa de juros aumentar, provavelmente você vai ver um reflexo no preço do título de renda fixa que você tem. Se você segurar esse título até o final, até o seu vencimento, você não vai perder dinheiro, mas pode ter essa volatilidade na renda fixa.
O tamanho desse sobe e desce é o que muda de um título para o outro. E aí quanto mais longo esse título, maior vai ser esse sobe e desce. Quanto mais curto for esse título, mais suave vai ser esse sobe e desce. O Tesouro Selic é o extremo curto dessa régua: a marcação a mercado quase não morde nele, porque ele acompanha a taxa básica no dia a dia.
No CDB a saída depende do contrato: muitos têm carência até o vencimento, e quando existe recompra ela é feita pelo próprio banco, com deságio definido por ele e sem obrigação de mercado secundário.
Sobre o valor resgatado antes de 30 dias ainda incide IOF sobre o rendimento, começando em 96% no primeiro dia e zerando no trigésimo.
Antes de assinar um CDB, confira cinco campos do contrato:
Emissor e conglomerado: define de quem é a dívida e quanto do teu dinheiro já está no mesmo teto do FGC.
Carência: diz se você pode sacar antes do vencimento ou se o dinheiro fica preso até lá.
Recompra pelo emissor e o deságio: se existe saída antecipada, e quanto ela custa quando existe.
Percentual do CDI ou taxa contratada: é o número que você compara com o ponto de equilíbrio da Seção 7.
Data de vencimento: define a alíquota de IR e a comparação possível com o título público de mesmo prazo.
O FGC cobre mesmo o teu CDB?
O FGC cobre o teu CDB até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada período de quatro anos.
A regra tem três consequências que a comparação costuma esconder:
O limite é por conglomerado, não por banco: duas marcas do mesmo grupo somam no mesmo teto.
O pagamento não é imediato, e no intervalo entre a liquidação e o crédito o dinheiro não rende.
Concentrar valor alto justamente no emissor que paga mais é o que transforma uma taxa atraente em risco.
A lógica do emissor é sempre a mesma: quanto maior o banco mais seguro ele é, então ele vai te pagar menos rentabilidade. Quanto menor, mais arriscado ele é, e mais ele é obrigado a pagar para captar. Por isso o teto do FGC por CPF e por conglomerado é o limite prático de quanto deixar num mesmo emissor — e é uma preferência que eu declaro: na renda fixa eu gosto de assumir riscos menores.
Do outro lado, o título público não depende de fundo garantidor, porque o devedor é o Tesouro Nacional. E é por isso que a comparação de risco não se resolve dizendo que ambos são renda fixa.
Onde comprar e como comparar ofertas?
Você compra o Tesouro Direto numa corretora ou num banco habilitado, e o título é o mesmo em qualquer instituição. O que muda é a taxa que a instituição cobra, e há instituições com taxa zero.
No CDB o produto muda de casa para casa: emissor diferente, percentual do CDI diferente, carência diferente. Você precisa negociar isso. Só que basicamente a gente tem três níveis de bancos — os mega, os médios e os pequenos —, e o raciocínio é sempre o de quem precisa captar.
Então, se eu quero dinheiro e não quero ficar negociando muito, o que eu faço? Eu ofereço uma recompensa maior. É esse mecanismo que põe o percentual alto na oferta, e não uma generosidade do emissor.
Eu só quero que você tenha noção que nada disso é vindo de graça. Então você vai ter que ser capaz de avaliar esses riscos, tá bom?
Comparar duas ofertas de CDB exige olhar quatro campos, sempre na mesma ordem:
- Emissor e conglomerado: responde de quem é a dívida, e quanto do teu dinheiro já está nesse mesmo teto do FGC.
- Percentual do CDI ou taxa contratada: é o que entra no ponto de equilíbrio da Seção 7; sozinho, não diz qual oferta é melhor.
- Carência: responde se o dinheiro sai antes do vencimento, que é o que separa reserva de investimento de prazo.
- Data de vencimento: define a alíquota de IR e qual título público serve de comparação.
Sem os quatro, duas ofertas não são comparáveis. O percentual maior, isolado, é só a parte mais fácil de olhar.
FAQ: Perguntas frequentes sobre CDB e Tesouro
CDB ou Tesouro Direto: qual rende mais?
Depende do percentual do CDI que o CDB paga e do valor aplicado.
Até R$ 10 mil de estoque no Tesouro Selic não há custódia, então o CDB precisa pagar cerca de 100% do CDI só para empatar. Acima dessa faixa ele parte na frente pelo equivalente aos 0,20% ao ano que o título público paga à B3, e empata perto de 98,6% do CDI.
A conta usa a Selic efetiva de 13,90% ao ano e o CDI de 13,90% ao ano em 27/08/2026. O imposto de renda é idêntico nos dois, de 22,5% a 15% conforme o prazo, então ele não muda quem ganha.
Qual é melhor para a reserva de emergência: Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária?
O ponto de partida é o Tesouro Selic. Ele tem recompra diária garantida pelo próprio Tesouro e isenção de custódia até R$ 10 mil de estoque por investidor.
Um CDB de liquidez diária pode competir nesse lugar, com duas condições: que a liquidez seja mesmo diária, sem carência escondida no contrato, e que o percentual do CDI compense o risco do emissor, que é um banco e não o Tesouro Nacional.
A janela de crédito do resgate varia de contrato para contrato. Confira a do emissor antes de aplicar.
O FGC torna o CDB tão seguro quanto o Tesouro Direto?
Não são a mesma coisa.
O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos, e o pagamento não é imediato. No intervalo entre a liquidação do banco e o crédito, o dinheiro não rende. O limite é por conglomerado, então duas marcas do mesmo grupo somam.
O título público não depende de fundo garantidor, porque o devedor é o Tesouro Nacional. Por isso eu sempre manteria o saldo em CDB de um mesmo conglomerado abaixo do limite coberto.
Vale a pena investir R$ 150 por mês no Tesouro Direto ou num CDB?
Para valores pequenos o custo pesa mais do que a taxa.
No Tesouro Selic o estoque de até R$ 10 mil não paga custódia, e o imposto de renda é o mesmo dos dois lados, de 22,5% a 15% conforme o prazo. O que muda é a garantia e a liquidez: o título público tem recompra diária garantida; o CDB depende do que o contrato daquele emissor combinou.
Um aporte mensal é a mesma conta repetida a cada depósito, cada um com o seu prazo e a sua alíquota.
O Tesouro Reserva substitui o CDB de liquidez diária?
O Tesouro Reserva disputa com o CDB de liquidez diária o lugar da reserva de emergência, e esta página não publica os parâmetros desse título.
É um título público recente, criado para ocupar essa posição, mas aplicação mínima, janela de resgate, prazo, indexador e disponibilidade por instituição não estão na base de dados verificada deste site e mudaram desde o lançamento.
Esses números estão na página oficial do Tesouro Direto, que é onde eles valem no dia da leitura. O que esta página compara com número é o que tem fonte: imposto, custódia, liquidez e garantia.
Preciso pagar imposto de renda nos dois? E IOF?
Sim, e a regra é a mesma nos dois.
O imposto de renda segue a tabela regressiva sobre o rendimento: 22,5% até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; 15% acima de 720 dias.
O IOF só aparece em resgate antes de 30 dias, começando em 96% do rendimento no primeiro dia e zerando no trigésimo. Nenhum dos dois tem come-cotas. A diferença de custo entre eles não está no imposto, está na custódia da B3.
Um CDB que paga 125% do CDI é seguro?
A taxa alta não é o risco; ela é o preço do risco.
Quando uma oferta paga bem acima de 100% do CDI, que é a média, o motivo não é generosidade de quem capta: quem paga mais é quem precisa captar mais, e isso é informação sobre o emissor, não sobre o produto.
O que decide é quanto do valor fica coberto pelo FGC, que são R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro, e quanto tempo o dinheiro fica parado sem render se o emissor for liquidado. Por isso a ordem da análise é o emissor e o limite coberto primeiro, e o percentual depois.
Hulisses Dias
No mercado desde 1999 como investidor, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC desde 2020 e sujeito à regulação da CVM. Não custodia dinheiro de cliente, não recebe corretagem e não distribui produto de terceiros, o que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.
- Estou no mercado desde 1999 como investidor, e a credencial de analista é de 2020. São duas datas que dizem coisas diferentes, e eu faço questão de manter a distinção. Escrevi o livro Investir é Sobre Gente (Interminds, 2025, ISBN 9786583317377).
- É essa restrição que me deixa escrever que a poupança rende menos que os dois produtos comparados aqui, e que um CDB específico paga mal para o risco que carrega. É ela que assina a comparação, não um selo.