Quem compra uma cota do KNCR11, o Kinea Rendimentos Imobiliários, não fica dono de um galpão nem de uma loja de shopping: fica dono de uma fatia de uma carteira de contratos de crédito imobiliário, e é o juro desses contratos que paga a distribuição mensal. A cota entrega fluxo, nunca tijolo: o cotista tem direito aos benefícios econômicos que o fundo gera, e a nada além disso — nenhum direito sobre o imóvel que lastreia um contrato, nenhuma participação na operação de quem deve.
A distribuição não vem de aluguel. Vem do juro que esses contratos pagam, e muda quando o juro muda.
O que é o KNCR11?
Fundos imobiliários eu acabo dividindo eles em três grandes grupos, que são os fundos de renda, os fundos de desenvolvimento e os fundos de títulos. Foi assim que eu dividi a classe em outubro de 2020, e o KNCR11 está no terceiro grupo, o que o mercado chama de fundo de papel. Papéis lastreados em ativos imobiliários também podem ser incluídos dentro dos fundos imobiliários. Num fundo de papel esses títulos não são um complemento da carteira: são a carteira.
Quem é a gestora, quem é a administradora e desde quando a cota é negociada estão no regulamento, no informe mensal e na página do fundo na B3. É de lá que você tira o dado, com data.
Esta página explica a mecânica e te manda para a fonte, em vez de carimbar aqui um número que envelhece em trinta dias.
Atualizado em agosto de 2026.
As doze perguntas desta página, na ordem em que elas aparecem:
- O que é o KNCR11?
- Fundo de papel ou fundo de tijolo?
- De onde sai o rendimento mensal?
- Dividend yield alto é bom sinal?
- KNCR11 segue o CDI ou o IPCA?
- Quem paga os CRI da carteira?
- KNCR11 ou CDB, LCI e Tesouro Selic?
- Como funciona uma nova emissão de cotas?
- Como funciona o imposto para o cotista?
- O que olhar antes de decidir?
- Perguntas frequentes sobre o KNCR11
- Sobre mim, o Tio Huli
O contexto de classe, que é como o mercado de fundos imobiliários se move como um todo, está no índice do setor, em IFIX, dentro do cluster de renda variável.
Fundo de papel ou fundo de tijolo?
Num fundo de tijolo você examina imóvel, inquilino e contrato de aluguel. Num fundo de recebíveis como o KNCR11 nada disso existe, e o que você examina é quem deve o contrato de crédito.
Do lado do tijolo, a gente pode ter um fundo monoativo, que é o seguinte, ele só tem um ativo. Para mim o grande perigo é você pegar um monoativo, um mono inquilino e um mono contrato. Porque aí você fica muito nas mãos daquele cliente. Isso não é positivo. Foi assim que eu descrevi o risco de um fundo de tijolo em outubro de 2020.
Num fundo de papel a pergunta troca de lugar: não há metro quadrado para ficar vazio nem inquilino para devolver a chave, e o risco equivalente é o devedor do CRI parar de pagar.
Por isso vacância, que é o primeiro indicador de um fundo de galpão logístico ou de shopping, não é um número baixo aqui: é indicador inaplicável. Quando um painel exibe vacância zerada para um fundo de papel, aquele zero não é qualidade do fundo, é uma coluna que não deveria existir.
O que ocupa o lugar dela é inadimplência, garantia e concentração por devedor, e isso o informe mensal e o relatório gerencial do fundo publicam com data.
| O que você examina | Fundo de tijolo | Fundo de recebíveis |
|---|---|---|
| O que o fundo possui | Imóvel: galpão logístico, loja de shopping, laje | Contrato de crédito imobiliário, o papel lastreado no imóvel |
| De onde vem a receita | Aluguel pago pelo inquilino do imóvel | Juro pago pelo devedor de cada contrato da carteira |
| Qual indicador de ocupação faz sentido | Vacância física e vacância financeira, porque metro quadrado vazio deixa de pagar | Nenhum: não há metro quadrado para ficar vazio, e o lugar da vacância é ocupado pela inadimplência do devedor |
| Qual é o risco principal | Monoativo, mono inquilino e mono contrato, com a receita dependendo de um endereço só | O devedor do contrato parar de pagar, sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos |
A comparação de segmento fica nas páginas irmãs, cada uma com o mandato dela: galpão logístico em HGLG11 e BTLG11, shopping em VISC11, mandato híbrido em VGHF11.
De onde sai o rendimento mensal?
O rendimento que cai na conta do cotista é o resultado que a carteira do KNCR11 apurou em caixa e repassou a quem tem a cota. Não é um juro que alguém contratou com você.
Quanto desse resultado é repassado ao cotista, com qual periodicidade a apuração é fechada e sob qual regra, está no texto legal que rege os fundos imobiliários e no regulamento do próprio fundo. Esta página não reproduz o dispositivo nem o percentual: o ato normativo não foi conferido aqui, e regra sem norma nomeada e sem data de conferência não entra. O que importa para ler o rendimento é o mecanismo, e o mecanismo é este.
Apuração e pagamento são duas coisas diferentes, e é aí que quase todo site funde as duas. O caminho, etapa por etapa:
- Os contratos pagam juro. Cada contrato de crédito da carteira tem um devedor que paga na data combinada. Quanto cada operação paga e sob qual indexador está no relatório gerencial.
- O fundo apura o resultado em caixa. Entra o que foi efetivamente recebido, saem as despesas e as taxas. O resultado do período sai no informe mensal.
- A gestora anuncia o rendimento. O valor por cota, a data-base e a data de pagamento saem no comunicado de rendimento publicado pela administradora.
- O valor é creditado na conta do cotista. Quem estava com a cota na data-base recebe; quem comprou depois dela, não.
Daí vem a parte que ninguém gosta de escrever: esse valor muda. Do lado de quem deve, a parcela segue o indexador do contrato, e o efeito é o mesmo que quem tem financiamento sente quando o juro sobe: você vai ver maiores juros sendo cobrados em prestações que você tem para pagar, que são pós-fixadas. Um mês de juro mais baixo, uma operação renegociada ou um devedor atrasado entram na conta, e o valor por cota do mês seguinte pode ser menor, ou pode não vir.
É o mesmo mecanismo que separa um fundo de distribuição mensal de um título com juro contratado, assunto de proventos mensais.
Dividend yield alto é bom sinal?
Num fundo de recebíveis pós-fixado, yield alto não é sinal de gestão melhor: é a taxa de juros aparecendo na conta.
Antes da conta, o vocabulário — e por que yield alto puxa mais para risco do que para qualidade. O caso extremo é o fundo que depende de um pagador só: normalmente, esse tipo de fundo, ele vai ter um dividend yield muito alto. Pra quem não sabe o que é dividend yield, é os dividendos pagos nos últimos 12 meses sobre a cotação do último dia disponível. Essa é a definição que eu dei em outubro de 2020, com um reparo de vocabulário: num fundo imobiliário o numerador se chama rendimento, não dividendo.
Olha os dois números que governam o numerador, cada um com a data da leitura ao lado:
Com o juro nesse patamar, uma carteira de contratos atrelados ao CDI distribui muito. Num ciclo de juro baixo a mesma carteira distribui pouco, com a mesma gestora e os mesmos contratos.
Ou seja, o yield de doze meses é o retrato do juro que vigorou naqueles doze meses. É por isso que ele não serve como promessa de renda nem como medida de competência.
Yield de dois dígitos num card grande, sem a taxa básica do lado, não diz nada sobre o fundo, tá?
A métrica em si está explicada em dividend yield, e as duas taxas, em Selic e CDI.
E se a Selic cair?
Se o indexador cede, a parte pós-fixada da carteira rende menos e o valor distribuído por cota tende a cair na mesma direção.
Vamos falar que o CDI está em 10% ao ano. Pagar 95% do CDI significa que você vai ter uma taxa de 9,5% ao ano. Foi assim que eu abri a conta em maio de 2025, e a mesma aritmética serve aqui.
Agora a conta deste exemplo, com números redondos de hipótese: vamos dizer que uma cota de R$ 100 distribuiu R$ 1,00 no mês. Se a remuneração dos contratos cair três pontos percentuais no ano, essa mesma cota tende a distribuir perto de R$ 0,80, porque o que caiu foi o juro, não o tamanho da carteira.
Os valores são de exemplo, para você repetir a conta com o número do informe mensal e a taxa do dia. Nenhuma linha aqui é projeção de rentabilidade.
KNCR11 segue o CDI ou o IPCA?
Fundo de papel não é uma coisa só: a carteira atrelada ao CDI e a atrelada ao IPCA se comportam de formas opostas no mesmo ciclo de juro, e saber qual delas o KNCR11 persegue é a primeira coisa a ler sobre ele.
CDI, que significa certificados depósito interbancário. Que é basicamente o custo do dinheiro para os bancos emprestarem entre si. Foi assim que eu abri o assunto em maio de 2025. E o CDI vai ser muito próximo da rentabilidade, do quê? Da taxa Selic.
Uma carteira atrelada a ele acompanha o juro de curto prazo: distribui mais quando a Selic sobe e menos quando cai.
A outra família é a atrelada ao IPCA. O contrato paga taxa fixa mais a variação do IPCA, que é o índice de preço do consumidor amplo, que é a inflação oficial do governo medida pelo IBGE — e aí o que manda é a inflação do período e a marcação do papel, não a reunião do Copom.
13,90% ao ano é o CDI em 27/08/2026, na série 4389 do Banco Central, a taxa que remunera a família pós-fixada.
Com inflação e juro nesses patamares, as duas famílias entregam resultados diferentes no mesmo ciclo.
| O que você compara | Carteira indexada ao CDI | Carteira indexada ao IPCA |
|---|---|---|
| O que remunera o contrato | O custo do dinheiro entre bancos, que anda colado na Selic | Uma taxa fixa mais a variação do índice de preços do período |
| Como se comporta com a Selic subindo | A remuneração dos contratos sobe, e a distribuição acompanha | O efeito vem pela inflação e pela marcação do papel, não pela reunião do Copom |
| Como se comporta com a Selic caindo | A remuneração continua vindo, só menor, com a mesma carteira | A taxa fixa contratada continua, e o que varia é o índice de preços |
| O que pesa no preço da cota | Ajuste do preço ao novo ambiente de juro, mais suave em papel curto | Ajuste do preço ao novo ambiente de juro, mais forte em papel longo |
O prazo do papel entra na conta junto com o indexador: quanto mais longo esse título, maior vai ser esse sobe e desce. Quanto mais curto for esse título, mais suave vai ser esse sobe e desce. Num fundo de recebíveis esse ajuste aparece no preço da cota, não no contrato que o devedor assinou.
Qual indexador predomina na carteira de um fundo está no relatório gerencial e no regulamento. É lá que você confere, e não aqui.
Os dois indexadores estão destrinchados em CDI e IPCA; o caso de um mandato híbrido, que mistura recebível com outras exposições, está em VGHF11.
Quem paga os CRI da carteira?
O devedor de cada CRI da carteira é quem paga o rendimento do mês, e é nele, não em metro quadrado, que mora o risco de um fundo de papel.
E aí o que é o CRI e o CRA? Certificado de Recebível Imobiliário e Certificado de Recebível Agrário. Não tem garantia do FGC. Foi assim que eu apresentei a sigla em maio de 2025.
Cada contrato tem um devedor do outro lado: uma incorporadora, o dono de um shopping, a operação de um galpão. O que você compra é a capacidade dele de pagar em dia.
Quando um atraso aparece, o caminho dentro do fundo é este:
- A parcela não é paga. O devedor atrasa, e a receita que o fundo esperava daquele contrato não entra no caixa do mês.
- A gestora provisiona. O resultado do período passa a reconhecer que aquele recebimento virou dúvida. O que está provisionado sai no relatório gerencial.
- A garantia é executada. Alienação fiduciária do imóvel, cessão dos recebíveis, fundo de reserva. E garantia executa devagar, com prazo de processo, não de mês.
- O resultado do mês chega menor. O cotista vê isso no valor por cota do comunicado de rendimento, em geral antes de entender o motivo.
Por isso concentração pesa mais do que nome bonito de empreendimento: dez contratos com o mesmo devedor são um risco só. No relatório gerencial, o que procurar é curto: quanto a carteira tem em cada operação e em cada devedor; qual é a garantia de cada contrato e em que estado ela está; quais operações estão em atraso e quanto está provisionado.
O Fundo Garantidor de Créditos é um seguro dos bancos, que é privado, não é algo governamental, e nem o CRI nem o fundo que compra CRI estão dentro dele.
As condições e os limites do FGC, que valem para outros produtos, estão em FGC.
Por que o preço da cota oscila?
A cota do KNCR11 oscila porque é renda variável negociada no mercado secundário: num fundo de condomínio fechado você não resgata, vende a cota para outro investidor no preço do dia.
Só que o mercado, ele se adapta muito rápido. A partir do momento que a gente vê um aumento da taxa selic, a gente vê uma queda nos ativos de renda variável que são impactados por esse aumento da selic. Foi assim que eu descrevi o movimento em dezembro de 2021.
Daí vêm duas consequências.
A primeira: o preço pode cair com a distribuição intacta, porque o que mudou foi o retorno exigido pelo mercado. O nome disso é marcação a mercado, que é o ajuste do preço de um ativo a um novo ambiente de risco. Quando eu falo novo ambiente de risco, eu estou falando de uma nova taxa de juros, porque risco é o preço do dinheiro. Quanto maior o risco, maior o preço do dinheiro. E o preço do dinheiro chama-se taxa de juros.
A segunda: numa carteira de recebíveis marcada a mercado com frequência, pagar perto ou acima do valor patrimonial tem significado diferente de comprar um fundo de tijolo com desconto sobre um laudo antigo.
O valor patrimonial por cota sai no informe mensal. O sobe e desce do preço, em si, é assunto de volatilidade e do funcionamento do mercado na B3.
KNCR11 ou CDB, LCI e Tesouro Selic?
Uma cota de fundo de recebíveis imita a renda fixa pós-fixada e perde dela em três pontos: não há cobertura do FGC, o preço da cota oscila todo dia e a saída depende de alguém comprar a tua cota no mercado secundário. O mercado secundário é justamente aquele mercado que as pessoas compram e vendem as suas cotas, as suas parcelas do capital de acordo com a oferta e a demanda — num CDB o resgate é com o banco que emitiu o papel; aqui é com outro investidor, no preço que ele aceitar pagar.
Na verdade, renda fixa é mais difícil, porque renda fixa é um contrato. Tem várias letras miúdas lá, às vezes tem garantia, não tem garantia. Foi assim que eu abri esse assunto em maio de 2025, e é por isso que a comparação aqui é de estrutura.
Na renda fixa esse mesmo risco tem outro nome, emissor: os emissores privados, que é quando você empresta para banco, empresta para empresa e eles não tem o poder de imprimir dinheiro, então corre o risco deles não te pagarem. Num fundo de recebíveis o emissor não é um: são os devedores dos contratos da carteira, um por um. No extremo oposto, o tesouro selic é basicamente quando você empresta dinheiro para o governo, com a remuneração colada na taxa do dia: então se a taxa selic subir você começa a ser remunerado numa quantia maior.
O fundo ganha em outros três pontos: a carteira é pulverizada em muitos contratos, o valor de entrada é o de uma cota e o fluxo chega mensal sem escolher vencimento.
| O que você compara | Cota de fundo de recebíveis | CDB | LCI | Tesouro Selic |
|---|---|---|---|---|
| Quem é o devedor | Os devedores dos contratos da carteira, empresa por empresa | O banco emissor, que não imprime dinheiro | O banco emissor, que não imprime dinheiro | O governo, o emissor com menos risco de crédito do país |
| Se há cobertura do FGC | Não há: nem o CRI nem o fundo que compra CRI contam com o Fundo Garantidor de Créditos | Há, dentro das condições e do limite que o próprio FGC publica | Há, dentro das condições e do limite que o próprio FGC publica | Não há, e o devedor é o governo |
| Como é a saída antes do fim | Venda da cota no mercado secundário, dependendo de alguém comprar | Resgate conforme o contrato, com carência quando houver | Resgate conforme o contrato, com carência quando houver | Venda ao Tesouro em dia útil, pelo preço do dia |
| Se o preço oscila | Sim: a cota é renda variável e se ajusta ao novo ambiente de juro | Oscila na marcação quando há venda antes do vencimento | Oscila na marcação quando há venda antes do vencimento | Oscila pouco, porque acompanha a taxa diária |
| De onde vem o fluxo | Do resultado em caixa da carteira de contratos, repassado ao cotista | Do juro contratado com o banco | Do juro contratado com o banco | Da taxa diária acumulada até a venda ou o vencimento |
Tributação não é detalhe e não é igual entre os quatro: cada um tem o seu tratamento, e eu te mando conferir o teu caso na fonte primária em vez de repetir alíquota aqui.
O método de comparar é sempre o mesmo: líquido contra líquido, nunca a taxa bruta de um contra a taxa líquida do outro.
Os três instrumentos do outro lado da mesa estão em Tesouro Direto, LCI e LCA e, para a parte da saída, liquidez; a cobertura bancária, em FGC.
Como funciona uma nova emissão de cotas?
Uma nova emissão de cotas é o mecanismo pelo qual um fundo imobiliário fechado cresce: ele emite cotas novas, capta dinheiro e compra mais contratos com esse dinheiro.
Para quem já é cotista, o comunicado da oferta decide tudo com poucos termos. São estes:
- Anúncio da oferta: o comunicado ao mercado que abre a operação e traz os números dela.
- Data com: o corte que define quem entra na lista de quem tem prioridade.
- Período de preferência: a janela, com data de início e de fim, em que o cotista atual pode subscrever antes do mercado.
- Proporção: o fator que diz quantas cotas novas cabem a cada cota já detida; multiplicado pela posição, dá o limite da subscrição.
- Sobras: o que não foi subscrito na preferência e volta a ser oferecido, em geral a quem exerceu.
- Taxa de emissão: o custo cobrado sobre o valor subscrito, somado ao preço da cota nova.
- Liquidação: a data em que o dinheiro sai da conta e as cotas novas aparecem na posição.
Quem não exerce não paga nada e também não acompanha o aumento: a participação dele no fundo passa a ser proporcionalmente menor.
Prazo, proporção, preço por cota e taxa de cada emissão saem no comunicado ao mercado e no prospecto da oferta publicados pela administradora, e é ali que o cotista lê a oferta vigente com data.
Número de oferta repetido de terceiro envelhece em dias, tá?
Como funciona o imposto para o cotista?
O imposto do cotista de um fundo imobiliário tem duas portas separadas, e quase todo site trata as duas como se fossem uma.
A primeira porta é o rendimento distribuído mês a mês. O tratamento dele depende de condições legais que não são automáticas, e essas condições estão no ato normativo que rege a tributação do fundo imobiliário — não nesta página. Reproduzi-las de cabeça é o erro que envelhece: sem o dispositivo nomeado e a data em que a regra foi conferida, a lista vira palpite com cara de regra. Esse regime foi objeto de mudança legislativa recente, então frase pronta de site envelhece rápido.
A segunda porta é o ganho na venda da cota. É tributação de outra natureza, e não herda nem a regra do rendimento nem a isenção mensal que existe no mercado à vista de ações.
Esta página não carimba alíquota, prazo nem condição. Sem o ato normativo nomeado e a data em que a regra foi conferida, número de imposto é informação perecível. E um vídeo não é ato normativo.
O lugar de conferir o caso de cada cotista é o informe de rendimentos do próprio fundo e a fonte primária na Receita Federal. Quem regula o fundo e quem regula o analista que escreve sobre ele é outro assunto, e está em CVM; o tratamento de proventos no geral, em dividendos.
O que olhar antes de decidir?
Antes de qualquer decisão sobre uma cota de fundo de recebíveis há uma lista curta de itens para examinar, e cada um tem um documento onde é publicado, com data.
Indexador predominante da carteira e spread sobre ele
Relatório gerencial.
Concentração por devedor, garantias, operações em atraso e provisão
Relatório gerencial e informe mensal.
Valor patrimonial por cota, caixa e resultado do mês
Informe mensal.
Calendário e valor da distribuição
Comunicado de rendimento.
Taxas e mandato
Regulamento.
Preço, liquidez e histórico de negociação
Página do fundo na B3.
Esta página é análise, não consultoria, e isso tem consequência prática: ela não diz para comprar, vender nem manter, não dá preço-alvo e não monta carteira. A Resolução CVM nº 20, de 25/02/2021, art. 14, trata do que uma comunicação de analista pode afirmar.
Quem assina sou eu: analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC desde 2020, conforme o registro de analistas pessoa natural da própria APIMEC, lido em 20/08/2026. E eu não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros.
O que isso significa na prática está em analista independente e em certificação CNPI; o lado do regulador, em CVM; e o comportamento da classe como um todo, em IFIX.
FAQ: Perguntas frequentes sobre o KNCR11
O KNCR11 é renda fixa?
Não. Quem compra uma cota compra renda variável: o preço da cota muda todo dia no mercado secundário e a distribuição mensal é o que a carteira apurou em caixa, não um juro contratado.
A carteira é feita de contratos de crédito, que se parecem com renda fixa, e é isso que confunde. Parecido não é igual, e a diferença aparece nos dois lugares que esta página detalha: não há cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, e o valor por cota de cada mês pode cair.
O rendimento de um fundo imobiliário é isento de imposto de renda?
O tratamento do rendimento distribuído tem condições legais, e elas não são automáticas. Esta página não reproduz essas condições de cabeça: elas estão no ato normativo que rege a tributação do fundo imobiliário, e é lá e no informe de rendimentos do próprio fundo que o cotista confere o caso dele.
Esse regime foi objeto de mudança legislativa recente, então esta página não escreve alíquota, prazo nem condição sem o ato normativo nomeado e a data em que a regra foi conferida. O lugar de conferir é o informe de rendimentos do próprio fundo e a fonte primária na Receita Federal.
O ganho na venda da cota é outra porta, de natureza diferente, e não herda essa regra.
O que acontece com o rendimento se a Selic cair?
A parte pós-fixada de uma carteira de recebíveis acompanha o juro de curto prazo, então quando o indexador cede o valor distribuído por cota tende a cair na mesma direção.
Com números de hipótese, como eu faço a conta em voz alta: suponha uma cota de R$ 100 que distribuiu R$ 1,00 no mês; se a remuneração dos contratos cair três pontos percentuais no ano, essa mesma cota tende a distribuir perto de R$ 0,80 no mês.
A conta é exemplo didático e serve para você repeti-la com o valor do informe mensal e a taxa do dia. Não é projeção de rentabilidade e não descreve nenhum fundo numa data.
Quanto rende uma cota por mês?
Esta página não publica o valor do rendimento do mês, e a razão é simples: não existe aqui fonte de cotação nem de indicador deste fundo com data, e número sem data e sem fonte é pior do que número ausente.
O valor por cota de cada mês sai no comunicado de rendimento do fundo e no informe mensal, com data-base e data de pagamento ao lado. Projeção de quanto a cota vai render em um, cinco ou dez anos não entra aqui em nenhuma hipótese.
Um fundo de CRI tem garantia do FGC?
Não. O Certificado de Recebível Imobiliário não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, e um fundo que compra CRI também não.
Se o devedor de um contrato parar de pagar, o caminho é a garantia da própria operação (alienação fiduciária do imóvel, cessão de recebíveis, fundo de reserva), e não um seguro do sistema bancário. As condições e os limites do FGC, que valem para outros produtos, estão em FGC.
O que eu faço quando o fundo abre uma nova emissão de cotas?
A decisão é de cada cotista, e esta página entrega o vocabulário para tomá-la, não a indicação.
Dentro do período de preferência, o cotista atual tem prioridade para subscrever cotas novas, no limite dado pela proporção aplicada à posição dele, pagando o preço da cota nova mais a taxa de emissão. Quem não exerce não paga nada e passa a ter participação proporcionalmente menor no fundo.
Prazo, proporção, preço e taxa da oferta vigente estão no comunicado ao mercado e no prospecto da oferta, publicados pela administradora.
Vale a pena investir no KNCR11?
Esta página não responde isso, e a razão é regulatória antes de ser editorial: um relatório de análise não dá recomendação individual, e a Resolução CVM nº 20, de 25/02/2021, art. 14 trata do que uma comunicação de analista pode afirmar.
O que entra no lugar é o critério: qual o indexador predominante da carteira e o spread sobre ele; qual a concentração por devedor e o que está provisionado; como está o resultado do mês; e em qual documento cada um desses itens é publicado.
Selo verde de checklist não substitui a leitura do relatório gerencial.
Por que os sites mostram números diferentes?
Porque cada portal declara, quando declara, uma janela de cálculo diferente, e a janela decide o número.
Três coisas mudam o resultado: o intervalo que entra na soma do rendimento de doze meses; a data-base considerada em vez da data de pagamento; e a data em que a página foi lida, que às vezes é regenerada para o dia do acesso.
É por isso que um carimbo de atualização pode ser mais antigo que o comunicado exibido na mesma página, e por isso que a régua aqui é outra: janela declarada, valor conferido no documento do fundo, e data de leitura ao lado do número.
Sobre mim, o Tio Huli
Sou o Hulisses Dias, conhecido como o Tio Huli, e quem assina esta análise é uma pessoa física credenciada.
- Credencial: analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC desde 2020, conforme o registro de analistas pessoa natural da própria APIMEC, lido em 20/08/2026, e sujeito à regulação da Comissão de Valores Mobiliários, pela Resolução CVM nº 20, de 25/02/2021.
- Experiência: estou no mercado desde 1999 como investidor, e as duas datas dizem coisas diferentes: a credencial de analista é de 2020. Escrevi o livro Investir é Sobre Gente (Interminds, 2025).
- Independência: eu não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros.
A minha independência é o que sustenta o que você acabou de ler: nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.
Onde eu publico: 964 mil seguidores no Instagram @tiohuli e 201 mil inscritos no YouTube @tiohuli, números lidos direto nas plataformas em 20/08/2026.
O que a credencial autoriza e o que ela não autoriza está em certificação CNPI, e o que é um analista independente, em analista independente.