BTLG11 é o código de negociação, na B3, da cota de um fundo de investimento imobiliário de tijolo do segmento logístico.
Você compra cota, não ação, e recebe rendimento, não dividendo — e cota não te dá a chave do galpão. Em outubro de 2020 eu expliquei o que a cota dá ao cotista, falando pela boca dele: Eu tenho direito aos benefícios econômicos que os fundos imobiliários geram, tá? O que cai na tua conta vem do aluguel dos galpões menos os custos do fundo.
O que é o BTLG11?
Cada fato sobre o BTLG11 tem um documento de origem com data, e é esse endereço que eu te dou aqui.
Nesta página você não vai achar cotação, rendimento do mês nem vacância. Isso é decisão, não esquecimento: número de mercado envelhece em um dia, e eu não publico número sem a data e a fonte do lado.
Nome completo, gestora, administradora, mandato e taxa de administração estão no regulamento e no informe mensal. É lá que eu quero que você leia.
Em outubro de 2020 eu listei os segmentos dos fundos de renda: shopping, escritório, agência bancária, galpão logístico, faculdade, hospital, hotel. Galpão logístico está nessa lista, e é isso que põe um fundo como o BTLG11 na família de tijolo de renda.
O que eu te ensino aqui é abrir os quatro documentos em que o próprio fundo publica cada número:
- Informe mensal o resultado e a distribuição do mês, com a data de referência
- Relatório gerencial o portfólio imóvel por imóvel, os contratos e a vacância
- Regulamento o mandato, a política de distribuição e a taxa de administração
- Página do fundo na B3 o código, as cotas emitidas e os comunicados ao mercado
Nesta página eu respondo, nesta ordem:
- O que é um FII logístico?
- Rendimento ou dividendo: qual o termo certo?
- De onde vem o rendimento mensal?
- Contrato típico ou atípico: qual a diferença?
- Onde estão os galpões e quem aluga?
- O que a vacância faz no rendimento?
- Cota abaixo do valor patrimonial é barato?
- O que é uma subscrição de cotas?
- Como fica o imposto para o cotista?
- Como comparar o FII com a renda fixa?
- O que olhar antes de decidir?
- As perguntas frequentes sobre o BTLG11.
O caminho de entrada da classe é renda variável, e o índice que mede a média dos fundos listados está em o que é o IFIX.
atualizado em agosto/2026
O que é um FII logístico?
Fundo logístico é fundo de tijolo: o resultado dele nasce de um contrato de aluguel assinado por uma empresa que precisa do galpão para operar.
Em outubro de 2020 eu já organizava a classe assim: fundos imobiliários eu acabo dividindo eles em três grandes grupos, que são os fundos de renda, os fundos de desenvolvimento e os fundos de títulos.
Os de renda são os que ficam com imóvel pronto para alugar, segmento por segmento, e galpão logístico é um desses segmentos.
O fundo de papel é a família dos títulos: ali o imóvel virou um contrato que gerou um fluxo e alguém pode comprar e negociar esses direitos. O resultado dele se move com o índice que corrige esse crédito, não com a ocupação de um galpão. O híbrido faz as duas coisas dentro do mesmo regulamento.
Quando eu olho um logístico, a pergunta não é qual índice subiu no mês. É quem está dentro do galpão, por quanto tempo assinou e o que acontece quando o contrato vence.
| O que você lê | Fundo de tijolo (galpão logístico) | Fundo de papel (título de crédito imobiliário) |
|---|---|---|
| De onde vem o resultado | Aluguel pago por quem ocupa o imóvel, menos os custos do fundo | Juro e correção do crédito imobiliário que o fundo carrega |
| O que faz o rendimento subir | Contrato novo em condição melhor, reajuste do aluguel, imóvel ocupado | Alta do índice que corrige o crédito e do juro contratado nos títulos |
| O que faz o rendimento cair | Galpão desocupado, renegociação do aluguel para baixo, custo de imóvel vago | Queda do índice de correção e crédito que atrasa ou não paga |
| Qual documento ler primeiro | Relatório gerencial, pela lista de imóveis, contratos e ocupação | Relatório gerencial, pela carteira de crédito e pelo indexador de cada papel |
Comparação de categoria, sem nenhum dado de fundo nenhum: a tabela não traz rendimento, vacância nem taxa, porque nenhum desses números tem fonte datada nesta página.
Aqui eu não repito a aula de fundo imobiliário inteira. O índice da classe e como ele se comporta estão em o que é o IFIX, e a comparação por segmento sai nas páginas das irmãs:
Rendimento ou dividendo: qual o termo certo?
O termo certo é rendimento, e a troca não é preciosismo.
Dividendo é parcela do lucro distribuída aos donos das ações. Num fundo imobiliário não há acionista nem lucro de empresa: há cotista e resultado de caixa distribuído.
Quem muda a palavra muda a expectativa junto, porque dividendo de empresa é decisão de conselho e rendimento de fundo é distribuição periódica do que entrou de aluguel.
Então vamos fixar o vocabulário de uma vez:
- cota, não ação é a parcela do capital do fundo que você compra e vende no mercado secundário, como eu expliquei em outubro de 2020
- cotista, não acionista é como você se chama depois de comprar a cota
- gestora, não diretoria é quem administra a carteira do fundo
- rendimento, não dividendo é o que cai na conta
- amortização, não rendimento é quando o fundo te devolve parte do capital investido em vez de resultado, e isso não é a mesma coisa
- data com é o dia em que você precisa estar com a cota em carteira para ter direito ao rendimento anunciado
Erro comum, e é fácil de pegar: se a página que você está lendo fala em acionista de fundo imobiliário, é texto de ação reaproveitado.
No Status Invest, o tooltip de proventos define dividendo com texto de página de ação, e o mesmo painel rotula um bloco de ações alugadas numa página de cotas.
Dividend yield e provento eu explico com calma em dividendos e em o que é dividend yield. Aqui a gente fica no vocabulário do cotista, tá?
De onde vem o rendimento mensal?
O rendimento que cai na tua conta é sobra de caixa, não taxa contratada. Entra aluguel dos galpões, saem os custos do fundo, e o que resta é distribuído aos cotistas na periodicidade que o regulamento fixa.
Vamos fazer a conta numa hipótese redonda, só para a mecânica ficar visível. Exemplo didático, não leitura do BTLG11: suponha um fundo que recebeu R$ 100 de aluguel no mês e gastou R$ 20 entre taxa de gestão, área vaga e manutenção. Sobram R$ 80 para distribuir.
E esses R$ 80 são o resultado deste mês, não a promessa do mês que vem.
Trocou inquilino, renegociou contrato para baixo, assumiu o custo de um galpão vazio: a sobra muda.
Vendeu imóvel com ganho e distribuiu esse ganho uma vez só: a sobra sobe num mês e volta no outro. E quem olhou só aquele mês achou que o fundo tinha melhorado.
Em julho de 2023 eu avisei isso em voz alta: tem que tomar cuidado porque existe uma armadilha muito grande, que é achar que o yield mais alto da tela vai gerar o melhor retorno. Frequentemente ele é o sinal de que algo não recorrente entrou na conta.
A distribuição de um fundo imobiliário não é renda fixa, pode cair e pode ser suspensa. A periodicidade e a política de distribuição estão no regulamento, e é lá que eu quero que você confira; o piso que a lei obriga um fundo imobiliário a distribuir está na própria legislação, e esse número eu não escrevo aqui sem nomear a norma e a data em que conferi.
A conta do yield está em o que é dividend yield, e a lógica de quem recebe em intervalos curtos está em dividendos mensais.
Contrato típico ou atípico: qual a diferença?
Contrato típico é o aluguel comum e contrato atípico nasce sob encomenda, e a diferença decide quanto do teu rendimento está travado.
Em outubro de 2020 eu descrevi os dois assim: tem o contrato típico, que é regido pela lei do inquilinato, respeita ali a legislação, mas tem os contratos atípicos.
O atípico aparece quando uma empresa precisa de um galpão nas especificações dela e vai a um fundo imobiliário com um pedido que é quase literalmente este: faz aí o prédio nas especificações que eu quero do jeitinho que eu quero. Em troca, ela assina um compromisso longo para pagar por ele.
A gente chama isso de build to suit, beleza? Contrato feito sob medida para um inquilino só, e nele a saída antecipada custa caro para quem alugou.
| O que você olha | Contrato típico | Contrato atípico |
|---|---|---|
| Como nasce | Aluguel comum de um imóvel que já existe | A empresa encomenda o galpão nas especificações dela e assina para pagar por ele |
| Prazo | Mais curto, com revisão prevista na própria legislação | Longo, e é pelo prazo que você reconhece o arranjo |
| Quem assume o risco | O fundo, que pode ver o aluguel renegociado para baixo | A empresa que encomendou, porque sair antes custa caro para ela |
| O que acontece no vencimento | Renegociação do valor, nas condições do mercado daquele momento | Fim do compromisso longo, e o imóvel volta a disputar inquilino |
| Onde ler no relatório gerencial | A proporção da receita por tipo de contrato | O prazo médio até os vencimentos e o índice que reajusta cada contrato |
O que você vai sentir no rendimento é isto: num típico o risco é o contrato vencer e o aluguel ser renegociado para baixo num mercado pior; num atípico o prazo longo trava a receita, e o risco se concentra na saúde financeira daquela empresa específica.
Então o que eu faço quando abro o relatório gerencial de um logístico é procurar três linhas: quanto da receita está em contrato atípico; qual o prazo médio que falta até os vencimentos; qual índice reajusta cada contrato.
Nenhuma dessas três eu carimbo aqui, porque elas mudam a cada relatório.
Renegociação para baixo é risco de preço também, e o preço da cota oscila com ele: isso é assunto de volatilidade. Para comparar a estrutura de dois fundos do mesmo segmento, a irmã de logística é HGLG11.
Onde estão os galpões e quem aluga?
Portfólio de fundo logístico eu leio com três perguntas, e nenhuma delas é quantos metros quadrados o fundo tem:
Onde estão os galpões? A localização dos imóveis fica na lista de ativos do relatório gerencial, estado por estado.
Quantos inquilinos pagam a conta? O relatório gerencial traz os locatários e quanto cada um ocupa.
Quanto da receita depende do maior deles? Esse é o campo de participação na receita, no mesmo documento e no informe mensal.
Para mim o grande perigo é você pegar um monoativo, um mono inquilino e um mono contrato. Porque aí você fica muito nas mãos daquele cliente.
Olha a diferença que a geografia faz: se eu tiver um fundo imobiliário que tem imóveis no Rio, em São Paulo, em Minas, no Sul, eu tenho uma diversificação geográfica. Um fundo com tudo numa região depende da economia daquela região e do preço do aluguel ali.
E tem o caso do meio: se eu tiver um imóvel em apenas um estado, mas ele tiver vários inquilinos, por exemplo um shopping center, eu tenho um ativo monoativo, mas multi-inquilino.
A concentração que importa não é a de tijolo, é a de receita. Dois galpões podem valer o mesmo e um deles responder pelo dobro do aluguel do outro.
Como abrir a lista, na prática:
Entre no site da gestora e baixe o relatório gerencial do mês mais recente.
Ache a seção de portfólio e ordene os imóveis por participação na receita, não por área.
Abra a página do próprio fundo no site da B3 e confira o código, as cotas emitidas e os comunicados ao mercado.
Eu não copio esses nomes para cá porque a carteira muda com compra e venda de ativo. O que eu te dou é o hábito de abrir a lista e ordená-la por receita, tá?
O que a vacância faz no rendimento?
Vacância tem duas medidas, e confundir as duas é o erro que faz um fundo parecer saudável quando não está: vacância física é quanto da área está vazia, vacância financeira é quanto da receita está faltando.
Para separar as duas eu monto uma hipótese: imagina que eu tenho dois imóveis dentro de um fundo imobiliário, uma sala na Faria Lima de 100 metros quadrados e, do outro lado, um galpão de 10 mil metros quadrados em Duque de Caxias, que é uma área não tão nobre.
Os dois números são inventados para o exemplo e não são leitura de fundo nenhum. O que sustenta a conta é que o metro quadrado de uma região nobre custa muito mais do que o da outra.
Se eu tiver esse escritório na Faria Lima desocupado, eu tenho uma vacância física baixa e uma vacância financeira maior.
Inverte o caso e acontece o contrário: o galpão grande e barato vazio enche o número físico e mexe pouco na receita.
| O que a medida responde | Vacância física | Vacância financeira |
|---|---|---|
| O que mede | Quanto da área do fundo está vazia | Quanto da receita de aluguel está faltando |
| O galpão grande e barato vazio (exemplo didático) | Sobe muito, porque a área vazia é enorme | Sobe pouco, porque aquele metro quadrado é barato |
| A sala pequena e caríssima vazia (exemplo didático) | Sobe pouco, porque a área vazia é mínima | Sobe muito, porque aquele aluguel pesava na receita |
| Onde ler no relatório gerencial | O campo de vacância física, com a data do mês | O campo de vacância financeira, imóvel por imóvel |
Nenhuma célula carrega vacância deste fundo, nem agregada nem por imóvel: as duas colunas descrevem a medida e dizem em qual campo do relatório gerencial ela é publicada, com a data do mês ao lado.
Os dois efeitos são desproporcionais entre si, por isso que você deve se atentar a esses dois tipos de vacância. Uma vacância agregada baixa não te diz nada sozinha: um número único, sem dizer qual imóvel está vazio e quanto ele pagava, esconde exatamente a parte que chega no teu rendimento.
Esse par de números sai do relatório gerencial, imóvel por imóvel, com a data do mês a que se refere. É a data que faz o número valer alguma coisa.
Cota abaixo do valor patrimonial é barato?
Não por definição: cota abaixo do valor patrimonial é uma pergunta, não uma barganha.
Valor patrimonial por cota é o valor contábil dos imóveis dividido pelo número de cotas. Preço da cota é o que o mercado aceita pagar hoje. A razão entre os dois é o P/VP, e ele não mede barganha nenhuma.
Um desconto pode significar três coisas muito diferentes, e cada uma tem um documento que confirma ou descarta:
o mercado exige retorno maior porque o juro da renda fixa subiu: você confere na régua de juro do dia, logo abaixo, na comparação do fundo com a renda fixa.
o mercado desconfia da avaliação dos imóveis no balanço: você confere no balanço do fundo e nos laudos de avaliação que ele reporta.
o mercado precifica risco de contrato e de ocupação que a avaliação contábil ainda não registrou: você confere no relatório gerencial, nos contratos e na vacância.
Nenhuma das três é visível no múltiplo. A resposta está fora dele, nos documentos.
Alerta de rótulo: o Investidor 10 chama o valor patrimonial por cota de preço justo.
Valor patrimonial é custo de livro de imóvel avaliado, e tratar um como o outro transforma conta contábil em veredito de preço.
O múltiplo do dia está na página do fundo na B3 e nos relatórios. O que ele quer dizer depende do que foi lido antes dele. O conceito de múltiplo está em análise fundamentalista, e o juro que o mercado exige do outro lado está em Selic.
O que é uma subscrição de cotas?
Subscrição é a oferta de novas cotas que o fundo emite para levantar dinheiro e comprar mais imóvel.
Ela existe porque fundo imobiliário é condomínio fechado, e isso eu já expliquei em outubro de 2020: eu não posso chegar e querer botar 10 mil reais pra dentro de um fundo imobiliário. Eu não posso tirar 5 mil reais de capital de um fundo imobiliário. É isso que é a grande diferença dos fundos imobiliários — tudo passa pelo mercado. Se o fundo quer dinheiro novo, ele emite cota nova.
Quem já é cotista costuma receber um direito de preferência proporcional ao que tem, com um preço de emissão e uma janela de dias para decidir.
Participar significa pôr dinheiro novo e manter a fatia que você tinha. Não participar significa manter as cotas que já tem e ficar com uma fatia menor do fundo depois da emissão.
Direito de preferência não é a mesma coisa que sobras: a preferência é a tua parte proporcional na oferta, as sobras são o que ninguém quis na primeira rodada e volta a ser oferecido.
Quando a oferta é anunciada, a ordem de leitura é esta:
- O comunicado ao mercado: é onde o fundo avisa que vai emitir.
- O documento da oferta: é onde estão as regras completas da emissão.
- O prazo e o preço de emissão: é o que define até quando e por quanto você pode entrar.
- O que o fundo vai comprar com o dinheiro: é o que diz se a emissão faz sentido para o próprio fundo.
Qual das duas decisões faz sentido depende do que o fundo vai comprar, de quanto custa participar comparado ao preço de tela e de quanto você tem de caixa.
Prazo, preço de emissão e proporção mudam a cada oferta. Então não existe resposta guardada: existe o hábito de ler o comunicado no dia em que ele sai.
Como fica o imposto para o cotista?
Imposto de fundo imobiliário se divide em dois assuntos que o leitor trata como um só: o rendimento que cai na conta e o ganho quando você vende a cota por mais do que pagou. Em outubro de 2020 eu já separava os dois, e eles continuam sendo regras diferentes.
O tratamento do rendimento distribuído tem condições previstas em lei, e elas não são automáticas. Dependem de quem é o cotista, do tamanho da participação dele no fundo e de características do próprio fundo. E o regime já foi objeto de mudança legislativa.
O ganho na venda da cota é outro assunto, com regra própria. A isenção mensal que vale para venda de ação no mercado à vista não se transplanta para cota de fundo imobiliário, e tratar as duas como iguais é o erro mais caro desta página.
| O que a regra alcança | Rendimento distribuído | Ganho na venda da cota |
|---|---|---|
| O que é | O que o fundo distribui do resultado de caixa, na periodicidade do regulamento | A diferença entre o preço de venda da cota e o que você pagou por ela |
| De que depende o tratamento | De condições previstas em lei, que não são automáticas: quem é o cotista, o tamanho da participação dele e características do fundo | De regra própria, separada da do rendimento, e que não herda a isenção mensal do mercado à vista de ações |
| Onde conferir | O informe de rendimentos que o próprio fundo envia, e o texto da Receita Federal | O texto da Receita Federal e o programa da declaração, com a nota de corretagem da operação na mão |
Aqui eu não escrevo alíquota, limite nem prazo de guia, e o motivo é simples: eu só cito regra fiscal nomeando a norma que a instituiu e a data em que eu conferi, e vídeo meu não é ato normativo.
No vídeo desta seção eu converso com um contador sobre tributação do investidor. Mesmo ali, o que vale para o teu caso é a fonte primária: o informe de rendimentos que o fundo te manda, que chega uma vez por ano, e o texto da Receita Federal.
Provento, de forma geral, eu explico em dividendos.
Como comparar o FII com a renda fixa?
A comparação honesta entre cota de fundo imobiliário e renda fixa só funciona se você admitir primeiro que os dois lados não são a mesma coisa: um paga taxa contratada e devolve o principal na data, o outro distribui o que sobrou de caixa e tem preço de cota que oscila no caminho.
Do lado da renda fixa, a régua tem data:
E a inflação entra na conta junto: o IPCA acumulado era de 4,44% até julho de 2026, na série que o IBGE apura e o Banco Central publica.
Do lado do fundo, o que você tem não é taxa. É a distribuição dos últimos doze meses sobre o preço que você pagou: histórico, não contrato.
Então a conta é de duas pernas: quanto a renda fixa paga hoje sem risco de preço, e quanto o fundo precisaria distribuir para compensar o risco de contrato, de vacância e de cota caindo.
Renda passiva precisa corrigir a inflação.
Em julho de 2023, comparando as duas pernas de uma carteira, eu resumi a diferença assim: só que os fundos imobiliários eles não têm crescimento, é só valorização do próprio imóvel. Uma empresa pode fazer o lucro crescer; o fundo trabalha com contrato de aluguel e com o valor do imóvel.
Quando o juro sobe, a régua sobe junto. Um fundo que parecia atrativo no ano passado passa a disputar com um título que paga mais sem oscilar.
Cada indexador tem a página dele: Selic, CDI, IPCA e liquidez.
O que olhar antes de decidir?
São seis as coisas que eu olho num fundo logístico, e nenhuma delas é o número grande do card:
O perfil de contrato: típico ou atípico, no relatório gerencial.
A concentração de receita: por inquilino e por região, no mesmo documento.
As duas vacâncias: física e financeira lado a lado, com a data do mês.
A origem do rendimento: separando aluguel recorrente de venda de ativo.
O custo de oportunidade: contra a renda fixa do dia.
O tratamento do imposto: na fonte primária, e no teu caso.
Não dá para prever nada no mercado, tá? Essa régua é de critério, não de palpite.
Mercado não é sobre certezas, é sobre probabilidades. E você tem que ser humilde para entender isso, beleza?
Por isso eu não digo se comprar, vender ou manter, não dou preço-alvo e não monto carteira: o CNPI me credencia a assinar análise, não a dar conselho individual.
A régua é essa, e o endereço de cada número está nas seções acima.
Conteúdo informativo, não recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultado futuro.
A etapa anterior é outra conversa: como um fundo entra numa carteira, e com que papel. Isso está em como montar uma carteira e em renda passiva. O que é um analista independente e o que a regra da CVM exige de quem assina, eu explico em analista independente e em a CVM.
FAQ: Perguntas frequentes sobre o BTLG11
O BTLG11 paga rendimento todo mês?
Fundo imobiliário de tijolo costuma distribuir em intervalos curtos, mas periodicidade não é garantia.
O valor sai do resultado de caixa do fundo, e quem fixa a política de distribuição é o regulamento. Já houve períodos no mercado em que fundo cortou distribuição, e o motivo é sempre o mesmo: entrou menos aluguel ou saiu mais custo.
O histórico de pagamentos e o anúncio do próximo estão no informe mensal e no comunicado ao mercado do próprio fundo, com data. Nenhum valor por cota e nenhum histórico eu carimbo aqui.
O rendimento do BTLG11 é isento de imposto de renda?
O tratamento do rendimento distribuído tem condições previstas em lei e não é automático: depende de quem é o cotista, do tamanho da participação dele no fundo e de características do próprio fundo. E o regime já foi objeto de mudança legislativa.
Eu não escrevo aqui alíquota nem condição em forma de lista. Para afirmar número fiscal eu preciso nomear a norma que o instituiu e a data em que eu conferi, e vídeo meu não é ato normativo.
Confere no informe de rendimentos que o fundo te manda e no texto da Receita Federal. E lembra que o ganho na venda da cota é outro assunto, com regra própria.
O que acontece com o meu rendimento se um galpão ficar vazio?
Depende de quanto aquele galpão pagava, não de quantos metros quadrados ele tem.
Vacância física é quanto da área está vazia; vacância financeira é quanto da receita está faltando. E é a segunda que chega no teu rendimento. Um galpão grande e barato vazio mexe muito no número físico e pouco na receita; uma unidade pequena e caríssima vazia faz o contrário.
Por isso eu leio as duas medidas lado a lado no relatório gerencial, com a data do mês a que se referem.
Cota abaixo do valor patrimonial quer dizer que o BTLG11 está barato?
Não por definição.
Valor patrimonial por cota é o valor contábil dos imóveis dividido pelo número de cotas, e um preço abaixo dele pode significar juro de renda fixa mais alto exigindo retorno maior, desconfiança do mercado sobre a avaliação dos imóveis, ou risco de contrato e de ocupação que o balanço ainda não registrou.
O múltiplo não distingue as três; o relatório gerencial e o balanço do fundo, sim. Chamar o valor patrimonial de "preço justo" é o atalho que o Investidor 10 toma, e ele troca uma conta contábil por um veredito de preço.
Qual a diferença entre comprar a cota na bolsa e entrar numa subscrição?
Comprar na bolsa é negociar com outro investidor a cota que já existe, pelo preço da tela. Subscrever é comprar cota nova que o fundo está emitindo, pelo preço de emissão da oferta e dentro de uma janela de dias.
Quem já é cotista costuma receber direito de preferência proporcional ao que tem: participar mantém a tua fatia do fundo, não participar mantém as tuas cotas e reduz a fatia.
O que decide é o que o fundo vai comprar com o dinheiro e quanto custa participar comparado ao preço de tela, e isso está no comunicado ao mercado e nos documentos da oferta.
O BTLG11 vale a pena?
Essa pergunta não tem uma resposta que sirva para duas pessoas diferentes, e eu não vou te dar veredito de compra, de venda ou de manutenção: o CNPI me credencia a assinar análise, não a dar conselho individual.
O que eu te dou é a régua desta página: perfil de contrato, concentração de receita, as duas vacâncias, origem do rendimento, custo de oportunidade contra a renda fixa do dia e o teu caso no imposto.
Mercado não é sobre certezas, é sobre probabilidades. E você tem que ser humilde para entender isso, beleza?
Conteúdo informativo, não recomendação de investimento, e rentabilidade passada não garante resultado futuro.
Sobre mim, o Tio Huli
Sou o Hulisses Dias, conhecido como o Tio Huli, e esta página é análise assinada, não recomendação de compra: o meu credenciamento me autoriza a elaborar e assinar relatório de análise, não a dizer o que você deve comprar.
Reúno 964 mil seguidores no Instagram @tiohuli e 201 mil inscritos no YouTube @tiohuli (fonte: leitura direta das plataformas em 20/08/2026).
Hulisses Dias
No mercado desde 1999 como investidor, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC desde 2020 e sujeito à regulação da CVM. Não custodia dinheiro de cliente, não recebe corretagem e não distribui produto de terceiros, o que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.
- Credencial. Sou analista de valores mobiliários independente, credenciado pela APIMEC desde 2020 e sujeito à Resolução CVM nº 20, de 25/02/2021. Estou no mercado desde 1999 como investidor, e escrevi o livro Investir é Sobre Gente, publicado pela Interminds em 2025.
- Independência. E a declaração que vale mais do que qualquer número: eu não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros. Nada nesta página muda de acordo com o que você decidir depois de lê-la.
- Alcance da credencial. Quem assina e com que limite, eu detalho em analista independente e em a certificação CNPI.