O que é lançamento coberto?
Lançamento coberto é ter a ação em carteira e vender uma call sobre ela. O prêmio da opção entra na tua conta hoje, e o que sai em troca é a valorização acima do strike.
O que é o lançamento coberto? É eu lançar uma opção, ou seja, vender uma opção call quando eu tenho a ação.
Quem vende a call é o lançador, e quando a gente é lançador, a gente recebe algo adiantado e aí a gente fica com a obrigação de lá na frente zerar essa dívida — no caso, a de entregar as ações pelo strike. O risco de queda continua inteiro com você, amortecido só pelo prêmio.
Cada contrato cobre um lote padrão de 100 ações. É esse lote que decide se a tua carteira monta a operação ou não, e você confere o lote da série no boletim de opções da B3 antes de mandar a ordem.
Venda coberta, covered call e financiamento são nomes da mesma operação, e cada um tem seção própria aqui embaixo.
Nada nesta página é indicação de comprar, vender ou manter. O que eu entrego é o critério, e a decisão é sua.
atualizado em agosto/2026
Venda coberta é a mesma coisa?
Venda coberta, covered call e lançamento coberto são três nomes para a mesma operação: ter a ação e vender uma call sobre ela.
Financiamento é o quarto nome e ganha seção própria logo abaixo, porque descreve a mesma operação por outro ângulo.
A diferença entre os apelidos não é técnica, é de intenção. Alguns descrevem o que acontece; outros vendem o que o leitor quer ouvir.
O prêmio tem cara de dividendo porque pinga na conta sem que você venda a ação. Então isso é como se fosse um dividendo que eu criei a partir dessa ação. Eu continuo recebendo dividendo normal.
Essa é a explicação do apelido, e também o limite dele: o dividendo da empresa continua entrando por conta própria, e o prêmio é o preço de uma obrigação que você assumiu.
E é por isso que a gente chama também essa estratégia de dividendos turbinados, porque você pode criar um dividendo sintético a partir do lançamento das calls. Esses são os dois apelidos mais perigosos da lista, porque sugerem natureza de provento recorrente onde existe pagamento por um compromisso.
| Nome | De onde vem o nome | O que o nome descreve bem | O que o nome esconde |
|---|---|---|---|
| Lançamento coberto | O nome técnico da mesa: lançar é vender a opção, coberto é ter a ação que garante a entrega | A operação inteira, as duas pernas e a cobertura | Nada; é o nome que não promete resultado |
| Venda coberta / covered call | Tradução direta do nome usado no mercado americano | Qual é a ponta que você assume: a vendida | Que a ponta vendida vem com obrigação de entregar |
| Dividendo sintético | O prêmio pinga na conta sem vender a ação, igual a um provento | A sensação de quem recebe o dinheiro | Que não é provento da empresa, e que o dividendo normal continua entrando em paralelo |
| Dividendo turbinado / renda extra com ações | Apelido comercial, feito para a prateleira | Nada da mecânica | O teto de valorização, o risco de queda intacto e a ausência de previsibilidade |
A diferença entre prêmio de opção e provento da empresa fica em o que são dividendos.
Por que chamam de financiamento?
Financiamento é o nome que a mesa brasileira dá ao mesmo trade. O apelido vem da conta que o operador faz ali, não de um empréstimo que alguém tomou: essa operação do lançamento coberto do financiamento, ela é o que a gente chama de uma estratégia de taxa.
Quem tem a ação e vende a call em cima dela está sendo pago hoje para carregar o papel até o vencimento.
O prêmio recebido abate o custo de manter a posição, e o percentual que relaciona esse prêmio ao preço da ação é o que a mesa chama de taxa de financiamento.
Esta página não publica nenhuma taxa. A taxa de financiamento muda a cada série, a cada dia e a cada ativo, e aqui não existe fonte de cotação datada que sustente um número.
O que fica é como ler essa taxa na hora de olhar. Quando o mercado está com muita volatilidade, muito sobe e desce, as opções tendem a ficar inchadas, e prêmio inchado é taxa alta. Sabe quando o mar está muito revolto e ele fica cheio de espuma? Depois aquela espuma desce? É a mesma coisa que acontece com as opções: passado o sobe e desce, o prêmio seca e a taxa encolhe junto. Três coisas mexem nisso:
- Prazo da sériesérie mais longa paga mais prêmio, porque a obrigação fica aberta por mais tempo.
- Volatilidade implícitaquanto mais o mercado espera sobe e desce, mais inchado fica o prêmio.
- Distância do strikestrike mais perto do preço da ação paga mais do que strike distante.
O número do dia está na tela de opções da corretora e no boletim de opções da B3.
O que move o prêmio por dentro fica em as gregas das opções e em o que é volatilidade.
Como a operação é montada?
A montagem são duas ordens, e nesta ordem: primeiro a ação em carteira, depois a venda da call sobre ela.
O primeiro mito da montagem é que ela seria complicada. Não, não é muito complicado. Você simplesmente tem que ter conhecimento de uma ação, saber o que é, comprar essa ação — e depois vender a call sobre ela. São duas pernas que vivem na mesma estratégia: você precisa combinar uma ação com uma opção. E isso vai formar o que a gente chama de uma operação estruturada.
- Comprar (ou já ter) a ação. É a ordem do papel, na quantidade que vai servir de cobertura.
- Vender a call sobre ela. É aqui que você escolhe três coisas: o vencimento, que define a série, o strike e a quantidade.
A quantidade é a trava de entrada. Cada contrato cobre um lote padrão de 100 ações na B3, então com menos de 100 ações do mesmo papel a operação não monta.
Com 240 ações você lança sobre 200 e deixa 40 livres. O lote da série está no boletim de opções da B3.
Ter a ação é o que faz a venda ser coberta. Sem ela a operação é outra, com margem exigida e perda teoricamente ilimitada, e isso tem seção própria mais abaixo.
O que é uma call fica em call e put, e a tela onde a ordem é enviada, em como usar o home broker.
Como fica a conta num exemplo?
A conta inteira da operação cabe num exemplo de números redondos, e os dois blocos abaixo a fecham: primeiro a aritmética linha por linha, depois os três cenários no vencimento usando os mesmos números.
Um aviso antes da conta: todo valor desta seção é hipótese declarada de exemplo, nunca cotação de um papel numa data. Esta página não tem fonte de cotação e não vai carimbar uma.
O que a seção não faz é converter esse resultado em taxa por mês, em percentual de referencial de renda fixa ou em expectativa de retorno. É essa conversão que transforma exemplo em promessa, e a regra do analista não permite.
A conta do exemplo, linha por linha
Vamos dizer que você tem 100 ações compradas a R$ 40 e vende uma call de strike R$ 40 por um prêmio de R$ 2. São números redondos de exemplo, não cotação de nenhum papel em nenhuma data.
Com esses números, a conta fica assim:
Se a ação for a R$ 60, você entrega a R$ 40. Os R$ 20 de alta acima do strike não são seus e, descontado o prêmio de R$ 2 que você recebeu, R$ 18 por ação ficam com quem comprou a call.
Se a ação cair a R$ 30, você perdeu R$ 10 por ação e amorteceu R$ 2 com o prêmio. Sobram R$ 8 de prejuízo por ação.
Os três cenários no vencimento
Três cenários no vencimento, e os três acontecem.
Acima do strike, a call é exercida: você entrega as ações pelo strike, fica com o prêmio e com a valorização até ali, e a alta que veio depois não é sua.
No strike ou abaixo dele, a call não é exercida e vira pó. Esse é o desfecho normal de uma opção comprada fora do dinheiro no vencimento, não um acidente. Você fica com o prêmio e com as ações, e o prêmio funciona como abatimento do preço que você pagou.
Esse é o desfecho normal de uma opção comprada fora do dinheiro no vencimento, não um acidente.
Abaixo do strike com queda forte, o prêmio continua seu e a perda da ação continua inteira, amortecida em R$ 2 por ação no exemplo desta página e nada além disso.
A troca aparece inteira aqui: no mercado a gente sempre tem um cobertor curto. aquilo que te traz um benefício também pode te trazer um malefício. O prêmio que entra hoje é o mesmo movimento que corta a tua alta amanhã.
| Cenário no vencimento | O que acontece com a call | O que acontece com as ações | Resultado no exemplo hipotético |
|---|---|---|---|
| Ação acima do strike | É exercida; a obrigação de entregar é cumprida | Saem da carteira pelo strike | R$ 42 por ação, e nada da alta acima disso |
| Ação no strike ou abaixo | Não é exercida e vira pó | Ficam com você, livres de obrigação | Prêmio de R$ 2 por ação no caixa, preço de equilíbrio em R$ 38 |
| Ação em queda forte abaixo do strike | Não é exercida e vira pó | Ficam com você, valendo menos | Prejuízo da ação inteiro, amortecido em R$ 2 por ação |
Todos os valores da tabela vêm do exemplo hipotético do bloco anterior. A mecânica fina do exercício e da liquidação fica em o vencimento das opções.
E se eu não tiver a ação?
Se você não tem a ação, a operação não é coberta e não é esta: vender a call sem o papel é venda descoberta, com margem exigida pela corretora e perda teoricamente ilimitada.
Coberto significa uma coisa só: as ações que você pode ser obrigado a entregar já estão na tua carteira. Titular tem estoque positivo, lançador tem estoque negativo. Mas, por exemplo, se você vai no teu vizinho e pede 1 kg de açúcar emprestado, aí você está no segundo personagem, que é o que eu chamo de lançador. Você está devendo 1 kg de açúcar para o teu vizinho.
No lançamento coberto, o açúcar já está na tua cozinha. Na venda descoberta, não: numa carteira financeira é possível que você venda algo sem você ter, e aí o papel que você vai ter de entregar precisa ser comprado no mercado ao preço do dia do exercício.
E a corretora pode chamar margem no meio do caminho se o preço correr contra, porque não existe teto para o quanto uma ação pode subir antes do vencimento.
Vender além da cobertura é a variação discreta do mesmo erro. Suponha, como exemplo de números redondos, 1.000 ações em carteira e 1.200 opções vendidas: as 200 que passam da carteira estão descobertas.
Esta página não ensina a montar venda descoberta.
- Garantia
- As próprias ações em carteira
- Margem e chamada de margem
- Não há depósito de margem pela ponta vendida coberta
- Perda máxima
- A queda da ação, amortecida pelo prêmio
- Garantia
- Nenhuma ação; a corretora exige garantia em dinheiro ou ativos
- Margem e chamada de margem
- Margem depositada, com chamada de margem se o preço correr contra
- Perda máxima
- Teoricamente ilimitada, porque não há teto para a alta
Quem quer limitar a perda da ponta vendida comprando outra opção está montando uma trava, e isso tem página própria em trava de alta e trava de baixa.
Qual strike e como mandar a ordem?
A escolha do strike é uma troca entre quanto você recebe hoje e quanta alta você aceita perder, e é o último passo antes de mandar a ordem. Por isso as duas coisas vivem aqui, nos três blocos abaixo: as faixas de strike, os quatro passos da boleta e a checagem de liquidez antes do envio.
Aqui não vai indicação de strike nem de vencimento: isso seria recomendação individual, e o que uma página de análise entrega é o critério.
Esta página também não publica data de vencimento nem lista de séries líquidas. O que entra é onde você lê cada uma delas na própria tela, antes de enviar a ordem.
O passo avançado dessa estratégia é acompanhar as gregas: eu gosto de fazer a gestão ativa dessa estratégia, conhecendo muito o delta e o teta — e o que cada uma dessas duas gregas mede fica em as gregas das opções. A minha leitura de hoje sobre executar ou não a operação está mais abaixo, na seção sobre quando ela é má ideia.
Fora, no ou dentro do dinheiro?
As três faixas de strike resolvem a escolha, e a troca é sempre a mesma: quanto maior o prêmio que entra, maior a chance de ser exercido e menor a alta que fica com você.
Você pode fazer o que a gente chama de lançamento fora do dinheiro, onde você vai receber menos capital da venda desta call, mas vai deixar a ação subir e descer mais.
No dinheiro, o prêmio é maior e a chance de exercício também.
Dentro do dinheiro, o prêmio é o mais gordo dos três e o payoff é outro: você está praticamente combinando a venda da ação pelo strike.
O prazo funciona na mesma direção: série mais longa paga mais prêmio e prende a tua posição por mais tempo.
| Faixa de strike | Prêmio recebido | Chance de exercício | Alta que você mantém |
|---|---|---|---|
| Fora do dinheiro (strike acima do preço) | Menor | Menor | Mais; a ação sobe até o strike com você |
| No dinheiro (strike junto do preço) | Maior | Maior | Quase nenhuma acima do strike |
| Dentro do dinheiro (strike abaixo do preço) | O mais gordo dos três | A maior das três | Nenhuma; é praticamente combinar a venda da ação |
O critério é este: decida primeiro o que você aceita que aconteça com as ações no vencimento, e escolha o strike que combina com essa resposta. Qual faixa usar é decisão sua, não indicação minha.
Os quatro passos da ordem na boleta
Com as ações já em carteira, a venda da call sai em quatro passos na tela da corretora. E o formulário da ordem tem nome: boleta é tipo comanda do bar.
- Identifique a série. O código da opção é o código do papel mais a letra do mês de vencimento e o número do strike. O vencimento daquela série está na própria boleta: leia a data ali antes de mandar a ordem, porque esta página não publica calendário de vencimento.
- Preencha a boleta da opção. Escolha venda, digite a quantidade em múltiplos de 100 e o preço limite que você aceita receber.
- Confirme. As ações ficam em garantia da obrigação enquanto a posição estiver aberta, e por isso não dá para vendê-las sem antes zerar a call.
- Olhe a liquidez da série. Na prática, isso vem antes de tudo, e é o bloco seguinte.
A tela onde essas ordens são enviadas está em como usar o home broker, e quem registra e liquida a operação, em o que é a B3.
Como conferir a liquidez da série
Antes de enviar a ordem, olhe duas coisas na série exata que você pretende lançar:
- Quantos negócios aquela série fez no diavocê vê na tela de opções da corretora e no boletim de opções da B3.
- A distância entre a melhor compra e a melhor vendaestá no livro de ofertas da própria série, na tela da tua corretora.
Série parada alarga essa distância, e o motivo é simples: eu só posso comprar de quem quer vender. Aí você recebe menos do que a tela parecia prometer e tem dificuldade para sair da posição depois.
A estratégia também não pode ser executada com todas as ações: só parte das ações da bolsa tem opção com negociação regular, e essa lista muda com o tempo.
Esta página não publica ranking de séries líquidas nem lista de papéis. Esse dado é do dia, e o lugar de olhar é o boletim de opções da B3 e a própria tela da tua corretora.
A ação subiu: rolo ou deixo exercer?
Call dentro do dinheiro antes do vencimento abre três saídas, e nenhuma delas é obrigatória.
Recomprar a call encerra a obrigação e devolve a ação livre. O custo é pagar pela opção mais do que foi recebido na venda.
Rolar é recomprar a call da série atual e vender outra, de vencimento mais longo e normalmente de strike mais alto. E eu só posso vender depois se alguém quiser comprar por esse preço: numa série ilíquida o movimento pode simplesmente não existir ao preço que a tela mostra.
Deixar exercer é aceitar o combinado. As ações saem pela entrega ao strike, e a operação termina com o resultado já conhecido na montagem.
Nenhuma dessas saídas é a certa por padrão, e esta página não escolhe por você. A pergunta que decide é se você ainda quer a ação depois do vencimento.
A pergunta que decide é se você ainda quer a ação depois do vencimento.
Você também pode montar a posição sobre parte da carteira: eu posso equalizar o quanto da minha posição eu quero encaixar dentro da estratégia de lançamento coberto, e a quantidade lançada é o que calibra quanto da alta fica travada.
| Saída | O que acontece com a obrigação | O que acontece com as ações | O que o movimento exige |
|---|---|---|---|
| Recomprar a call | Encerra na hora | Voltam a ficar livres | Pagar o preço da opção no dia, que pode ser maior que o prêmio recebido |
| Rolar para outra série | Sai da série atual e nasce na nova | Seguem em garantia, agora da nova série | Contraparte na série de destino e acompanhamento da posição |
| Deixar exercer | Cumprida na entrega | Saem pelo strike | Nada; é o desfecho combinado na montagem |
A mecânica do exercício fica em o vencimento das opções.
Quanto custa operar e qual o imposto?
O prêmio que entra na conta não é o que sobra. Saem dele três coisas:
o que a tua corretora cobra por boleta. O valor está na tabela de custos dela.
cobrados sobre cada negócio, e discriminados na nota de corretagem da operação.
ninguém fatura esse custo, mas todo mundo paga, e numa série pouco negociada ele é o maior dos três.
Num valor pequeno, esse conjunto decide se a operação faz sentido.
Esta página não publica percentual de corretagem nem tabela de emolumentos: os valores estão na tabela de custos da tua corretora e na nota de corretagem de cada operação.
No imposto, o que eu afirmo aqui é o procedimento. A apuração, o recolhimento e a declaração são obrigação sua, e o exercício da call é um evento de venda das ações que entra nessa conta. Nenhuma alíquota, prazo ou limite entra nesta página sem o ato normativo nomeado.
Um ponto onde errar é caro: a isenção mensal que muita gente cita é a de vendas no mercado à vista de ações, não um tratamento do mercado de opções. Confira o enquadramento da tua operação na Receita Federal e no informe da tua corretora, e veja o detalhamento em tributação de opções.
Isto é procedimento, não planejamento tributário, e não substitui contador.
Quando o lançamento coberto é má ideia?
Três situações em que o lançamento coberto cobra mais do que paga, e a terceira não depende de cenário.
Queda forte à frente
Quando você não deve executar essa estratégia de lançamento coberto? Quando você espera uma queda muito forte do ativo. O prêmio amortece pouco e você segue com a ação inteira caindo.
Alta forte à frente
Quando a gente também tem um potencial de alta muito forte para uma ação, não é bom fazer um lançamento coberto: travar o ganho no strike custa justamente a parte da alta que paga uma carteira de longo prazo.
A sequência de lançamentos
Esta é estrutural: repetir a operação não produz renda previsível. Renda é a forma de receber parte do retorno; retorno total é o que acontece com o teu patrimônio. O teto repetido mês a mês corta as altas grandes enquanto as quedas continuam inteiras.
As duas primeiras dependem de uma leitura do que vem à frente, e é aí que mora o problema. O cenário em que a estratégia cobra menos é o do preço andando de lado, só que isso ninguém enxerga de véspera: como que eu vou saber que o mercado vai ficar lateral? Não tem como saber.
Eu já fiz essa estratégia no começo, eu também caí nessa armadilha no começo. Mas hoje eu sei que não é uma boa estratégia.
Renda é a forma de receber parte do retorno; retorno total é o que acontece com o teu patrimônio.
Essa é a minha leitura analítica, e ela está declarada aqui em vez de escondida. A decisão continua sendo sua, e o que esta página entrega é o critério, não a indicação.
Como pensar a carteira que já tem a ação fica em montagem de carteira, e a diferença entre prêmio de opção e provento da empresa, em o que são dividendos.
Perguntas frequentes sobre lançamento coberto
Quantas ações eu preciso ter para fazer um lançamento coberto?
Cem ações do mesmo papel é o mínimo para a operação existir, porque cada contrato de opção sobre ação na B3 cobre um lote padrão de 100 ações.
A quantidade sai em múltiplos do lote: com 240 ações você lança sobre 200 e deixa 40 livres.
Esse número é o primeiro filtro de quem está começando com pouco. Confira o lote da série específica no boletim de opções da B3 antes de mandar a ordem.
O que acontece se a ação cair depois que eu lanço a call?
A call provavelmente não é exercida e vira pó, e você fica com o prêmio e com as ações.
Só que o prejuízo da queda continua inteiro com você, amortecido apenas pelo prêmio que entrou. Vender a call não protege a tua posição de uma queda: no exemplo hipotético desta página, R$ 2 de prêmio contra uma queda de R$ 10 por ação deixam R$ 8 de prejuízo por ação.
É por isso que esperar queda forte é o primeiro cenário em que a estratégia cobra mais do que paga.
Posso recomprar a opção antes do vencimento?
Pode. Você compra de volta a mesma série que vendeu, encerra a obrigação e a ação volta a ficar livre.
O custo é o preço da opção no dia da recompra, que pode ser maior do que o prêmio recebido na venda. Numa série pouco negociada, o movimento depende de haver contraparte ao preço que a tela mostra, então a liquidez decide se a saída existe na prática.
Levar a opção até o vencimento não é obrigatório em nenhum momento.
Dá para lançar coberto sem ter a ação?
Sem a ação, a operação não é coberta e não é esta.
Vender a call sozinho exige margem depositada na corretora, pode gerar chamada de margem no meio do caminho se o preço correr contra e tem perda teoricamente ilimitada, porque não existe teto para a alta de uma ação.
Vender além do que você tem é a variação discreta do mesmo erro: a parte que passa da tua posição está descoberta. Esta página não ensina a montar essa operação.
Quanto eu pago de imposto no prêmio da opção?
A apuração, o recolhimento e a declaração são obrigação sua, e o exercício da call é um evento de venda das ações que entra nessa conta.
Esta página não publica alíquota, prazo nem limite sem o ato normativo nomeado. E aqui está um ponto onde errar é caro: a isenção mensal que muita gente cita é a de vendas no mercado à vista de ações, não um tratamento do mercado de opções.
Confira o enquadramento da tua operação na Receita Federal e no informe da tua corretora, e veja o detalhamento em tributação de opções. Isto é procedimento, não planejamento tributário, e não substitui contador.
Lançamento coberto dá para fazer todo mês e virar renda?
Repetir o lançamento mês a mês é possível, mas o resultado da sequência não é renda previsível.
Cada série tem o seu prêmio, o seu teto e o seu cenário, e o teto repetido corta as altas grandes enquanto as quedas continuam inteiras. Renda é a forma de receber parte do retorno; retorno total é o que acontece com o teu patrimônio.
Esta página não converte prêmio recebido em taxa por período, em percentual de referencial de renda fixa nem em expectativa de rendimento.
Posso lançar sobre só parte das minhas ações?
Pode, e é a calibragem mais simples da operação.
A quantidade lançada define quanto da tua posição fica com o teto no strike e quanto fica livre para subir: lançar sobre uma parte e deixar o resto solto reduz o prêmio que entra e preserva a alta do que sobrou.
A conta é sempre em múltiplos do lote, então o que é lançado vem em blocos de 100 ações. Quanto lançar é decisão sua, e depende do que você aceita que aconteça com cada parte no vencimento.
Hulisses Dias
Sou o Hulisses Dias, o Tio Huli, analista de valores mobiliários credenciado pela APIMEC desde 2020, com solicitação registrada em 18/02/2020, e sujeito à regulação da CVM.
Estou no mercado desde 1999 como investidor, e o credenciamento é de 2020.
Não custodio dinheiro de cliente, não recebo corretagem e não distribuo produto de terceiros, o que significa que nada nesta página muda de acordo com o que você decidir fazer depois de lê-la.
Sou autor de Investir é Sobre Gente, publicado pela Interminds em 2025, ISBN 9786583317377.
O que eu publico aqui é análise, não recomendação individual: a credencial me autoriza a elaborar e assinar relatório de análise, não a dar conselho sobre a tua carteira. O que a certificação significa fica em certificação CNPI, e o que é ser analista independente, em analista independente.